Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson e outras doenças causam perda da memória

Entenda o funcionamento do seu cérebro quando falamos em memória
 

Desvendando seu cérebro e sua memória

Ao contrário do que se acreditou por muito tempo, a memória não está localizada numa única área do cérebro. Na verdade, a memória funciona por meio de redes de neurônios que processam e preservam diferentes tipos de informação, amplamente distribuídos entre diversas zonas do cérebro. Tão logo uma informação tem de ser registrada na memória, numerosas conexões são ativadas simultaneamente e uma grande parte do cérebro é envolvida no processamento das lembranças.

Portanto, é incorreto falar em centro de memória. A memorização e a recuperação de informações dependem de diferentes sistemas de memória e de diferentes modalidades sensoriais (auditiva, visual, etc.). Assim, em vez de dizermos que a memória está localizada numa área específica do cérebro, poderíamos dizer que ela está "dispersa" no cérebro.

Onde estão sediados os nossos diversos tipos de memória em nosso cérebro?

Como resultado de experimentos científicos e do avanço da tecnologia de imagens do cérebro, agora os cientistas estão começando a entender quais zonas do cérebro tomam parte no processo de memorização. Em resumo:

  • a memória de curto prazo ou imediata utiliza os sistemas de neurônios corticais (neocórtex e córtex pré-frontal) e, mais especificamente, as conexões talamocorticais;
  • a memória semântica requer a intervenção do neocórtex, que engloba os dois hemisférios do cérebro que cobrem o córtex;
  • a memória processual envolve estruturas situadas abaixo do córtex, como o cerebelo e o núcleo denteado;
  • a memória episódica conta com o córtex pré-frontal, e também com o hipocampo e o tálamo. Todos fazem parte do sistema límbico.

De acordo com neurobiologistas, o hipocampo desempenha um papel essencial no processo da memória. Situado em áreas remotas do cérebro - no sistema límbico -, no mesmo nível do lobo temporal, ele assegura o estabelecimento das conexões entre as diferentes zonas cerebrais. Ele exerce uma função vital na transferência de lembranças da memória de curto prazo para a memória de longo prazo, ou seja, na consolidação das lembranças que exige a participação de diferentes partes do cérebro.

Sabemos hoje que lesões no hipocampo resultam em perda quase absoluta da capacidade de recordar informações novas, sejam palavras, rostos ou imagens.

Memória Visual: acompanhando o caminho de uma recordação visual

Primeiro, a informação visual atinge a retina e é transformada em impulsos nervosos. Depois, leva alguns milionésimos de segundo para prosseguir até as áreas de projeção visual situadas no córtex occipital. A informação será, então, processada de diversos modos, dependendo de suas características específicas (forma, cor e movimento).

A informação será retida temporariamente no hipocampo onde será comparada a dados anteriores de diferentes áreas do córtex. Finalmente, dependendo do seu valor, será esquecida ou armazenada e consolidada. O valor emocional positivo ou negativo da informação determina como a registramos e a armazenamos.

Problemas de Memória: Amnésia

A amnésia é o mais comum dos problemas de memória, mas existem também distúrbios menos conhecidos, como a hipermnésia, a paramnésia e a ecmnésia.

A amnésia é a incapacidade de aprender algo novo e se manifesta por meio da impossibilidade de lembrar acontecimentos rotineiros. A inteligência permanece intacta, assim como a capacidade de adquirir novas habilidades visuo-espaciais e cognitivas - ou seja, a consciência espacial e a capacidade de aprendizagem não são prejudicadas. Um exemplo é a amnésia hipocampal, causada por lesões ou doenças no circuito de Papez (que liga o hipocampo e a amígdala ao hipotálamo). A amnésia também pode resultar de danos ou de doenças que afetam os vasos sanguíneos, como o mal de Alzheimer, as lesões na cabeça, os procedimentos neurocirúrgicos ou a falência cardíaca, e costuma ser irreversível.

A amnésia retrógrada é a incapacidade de recordar acontecimentos que ocorreram antes da doença. É muitas vezes acompanhada pela amnésia anterógrada, que piora o problema ao obstruir a consolidação de lembranças antigas. O período de tempo afetado por esta modalidade de amnésia pode variar de alguns dias a vários anos. Na maioria dos casos, o estoque de lembranças não é perdido, mas fica inacessível porque não pode ser recuperado.

Este tipo de amnésia resulta de choques elétricos ou de lesões e pode ocorrer em várias doenças, desde psicose de Korsakoff ou mal de Alzheimer a outras menos graves.

A amnésia total combina a incapacidade de aprender algo novo com a de acessar conhecimentos anteriores ao surgimento da doença. Pode estar ligada a danos extensos ao córtex e é associada à demência, como no Alzheimer.

Um transtorno amnésico ou blackout é um acesso de amnésia curto que atinge pessoas entre os cinqüenta e setenta anos. Muitas vezes decorre de um choque emocional e acarreta o esquecimento de informações novas, assim como uma amnésia retroativa que pode ir de várias horas a vários dias. O episódio dura de quatro a seis horas e começa a desaparecer 24 horas depois.

A amnésia lacunar, a incapacidade de recordar momentos anteriores ao episódio, e o episódio em si, persiste.

Causas da Amnésia

A causa mais provável de um transtorno amnésico parece ser o espasmo de um vaso sanguíneo acompanhando uma enxaqueca. Acredita-se que o blackout se origine no hipocampo (que provoca problemas na codificação e na consolidação). Caso se repita, a possibilidade da presença de coágulos sanguíneos ou artérias entupidas, ou mesmo de epilepsia, deve ser investigada.

A hipermnésia consiste numa prodigiosa capacidade de recordar fatos em determinado campo (lembrar-se de páginas de listas telefônicas ou de longas listas de nomes, por exemplo). Não possui relação com o nível intelectual e pode ser permanente ou temporária. No último caso, ocorre durante ataques epilépticos e em momentos de forte emoção, acompanhado pelo fenômeno de reviver acontecimentos do passado.

A paramnésia refere-se a ilusões geradas pela memória: a impressão de déjà vu (você viu isso antes), de déjà vécu (você passou por isso antes) ou, ao contrário, a sensação de estar num ambiente estranho. Episódios breves de paramnésia podem ocorrer durante crises epilépticas do lobo temporal.

Na ecmnésia, você revive partes do passado como se estivessem acontecendo no presente. A ecmnésia é típica do mal de Alzheimer.

Doenças que afetam a memória

Mal de Alzheimer

A doença mais comum do sistema nervoso central, o mal de Alzheimer, é caracterizado por um declínio progressivo e irreversível da capacidade mental. É também uma doença da memória cujo primeiro sintoma é a incapacidade de memorizar informações novas e, portanto, de recordá-las. O termo ataque hipocampal é usado porque ambos os lados do hipocampo (esquerdo e direito) são afetados. Em seguida, essa incapacidade se estende a outras funções mentais, reduzindo os pacientes a um estado de completa dependência do seu círculo familiar e de amizades. Nesse estágio, emprega-se o termo "demência". Muitos neurônios desaparecem de áreas específicas do cérebro, começando pelo hipocampo, e essa perda é acompanhada por uma redução do suprimento de acetilcolina, um neurotransmissor envolvido no processo de memorização. O tratamento para combater essa redução é muito mais eficaz quando iniciado antes que a doença atinja um estágio avançado.

Veja um dossiê completo sobre Mal de Alzheimer

Aterosclerose

A aterosclerose é um distúrbio cerebral comum que afeta os vasos sanguíneos que alimentam o coração, os rins, os membros e o cérebro. Faz o colesterol, ou depósitos de gordura, acumular-se nas paredes internas das artérias, formando fibroses e calcificações e, como conseqüência, estreitando-as. A obstrução pode levar a uma redução progressiva ou repentina do suprimento de sangue ao cérebro e ao risco de um acidente isquêmico. Em outros casos, a parede do vaso sanguíneo pode se romper, causando uma hemorragia cerebral (acidente hemorrágico ou aneurisma). Os sintomas variam, pois dependem da localização e da extensão das lesões. Podem se manifestar numa perda temporária ou permanente de certas funções, como a capacidade de andar e falar.

Mesmo o menor dos danos a uma artéria do cérebro pode ter efeitos irreversíveis. Uma lesão bilateral da artéria-comunicante posterior vai resultar numa amnésia anterógrada acompanhada de problemas de comunicação e de amnésia retrógrada. Fumo, álcool, sedentarismo, colesterol alto, hipertensão e diabetes são reconhecidos fatores de risco da doença. A prevenção inclui um estilo de vida saudável, com a redução do fumo e do álcool, a verificação regular das taxas de triglicerídeos e de colesterol, bem como a prática de exercícios físicos adequados.

Mal de Parkinson

O mal de Parkinson resulta da perda de neurônios numa área do cérebro conhecida como substância negra, que controla os movimentos motores e produz o neurotransmissor dopamina. A redução no suprimento desse neurotransmissor provoca tremores, rigidez muscular e diminuição da atividade intelectual e motora. A deterioração das faculdades mentais pode ocorrer em 30% a 40% dos casos, à medida que a doença evolui. Informações e acontecimentos são retidos, mas são aparentemente recordados muito devagar e com grande dificuldade; portanto, seria errado usar o termo amnésia aqui. Atualmente, o tratamento empregado é a reposição da dopamina, que minimiza os resultados da perda de neurônios ao restaurar o equilíbrio de dopamina nessa área vital.

A psicose de Korsakoff é encontrada em quem bebe quantidades excessivas de vodca e em alcoólicos crônicos. Começa por volta dos 55 anos e inclui amnésia anterógrada, desorientação espaço-temporal, alucinações e dificuldade no reconhecimento. Uma lacuna retrógrada cobrindo de diversos meses a muitos anos pode preceder a doença. Além desses sintomas, ocorrem confusão, problemas com o equilíbrio e com o andar e paralisia ocular motora. O estabelecimento dessa síndrome é às vezes insidioso, tendo como único sintoma a neuropatia periférica. A capacidade de raciocínio não é afetada. Esse raro transtorno amnésico tem origem numa deficiência de tiamina, associada ao alcoolismo, que interrompe o suprimento, a absorção e a utilização da vitamina B1, com conseqüente queda nos níveis de vitamina PP (nicotinamida) e de ácido fólico. As lesões afetam principalmente o lobo frontal. Ela é tratada com vitamina B1, mas os resultados não são conclusivos.

Memória e Depressão

Embora não apresentem os mesmos problemas de memória de quem sofre de deterioração cognitiva patológica, as pessoas que padecem de depressão crônica têm dificuldade para lembrar acontecimentos recentes. A falta de motivação e de energia resultante de seu estado depressivo as torna menos propensas a fazer o esforço necessário para codificar novos dados. E, como não registram a informação adequadamente, não conseguem recordá-la. A depressão também tende a reduzir o desempenho de forma geral, comprometendo a capacidade de registrar e processar informações. Isso cria uma memória seletiva, conforme o estado de espírito ou a atitude negativa dos pacientes.

Sabemos hoje distinguir entre os efeitos da depressão sobre a memória e os efeitos de transtornos patológicos como o mal de Alzheimer. A depressão é caracterizada por um baixo nível de motivação generalizado, que leva a graves problemas de déficit de atenção, ao passo que Alzheimer é uma doença da memória propriamente dita, que causa alterações patológicas na codificação, no armazenamento e na recuperação das informações. Quando se curam da depressão ou recebem tratamento, as pessoas recobram suas habilidades intelectuais.

Extraído do livro 101 Maneiras de Melhorar Sua Memória

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