

Eduardo Henrique Brandão
Jornalista, 28 anos,
São Vicente - SP
Escrevi a história do dragão que mora no quarto para exorcizar a dor de quando fui deixado por uma mulher. Sou solteiro, adoro música brasileira e sei cozinhar doces e massas.
Primeiro parágrafo
Um dragão mora em meu quarto. Mentira, nem um dragão conseguiria dividir o espaço comigo. Mesmo assim, persisto em dizer que um animal inexistente e que expele fogo pelas ventas dorme ao meu lado. Isso não me faça melhor, apenas tira-me algumas dores passadas. Ele, o dragão, veio morar comigo depois de um dia tedioso de janeiro, Manhã sem sol; caia uma chuva fina que molhava a alma. Pessoas a andarem apressadas e sem rumos pelas ruas cheias de automóveis e desamores. Achei-o, meio sem jeito, entre o meu desespero a sua desconfiança. Tive pena. Uma espécie de reconhecimento mútuo: parecia que nos conhecíamos há décadas. A diferença entre nós – além dele não existir – é que cospe fogo: eu apenas afasto as pessoas.
Os outros aprendizes
Os outros aprendizes

Escrevi a história do dragão que mora no quarto para exorcizar a dor de quando fui deixado por uma mulher. Sou solteiro, adoro música brasileira e sei cozinhar doces e massas.














