Câncer Colorretal: sintomas, tratamento, fatores de risco e prevenção

Causador de constrangimentos, como o exame de toque e a colostomia, o câncer colorretal causa muitas mortes a cada ano por simples negligência do paciente em buscar tratamento.
 

<p></p> <p class="MsoNormal">No fim de 2006, o motorista Edson de Oliveira,* de 42 anos, começou a <strong>sentir cólicas e dor durante a evacuação, acompanhadas de sangramento moderado.</strong> “Achei que fosse só um mal-estar qualquer e uma inflamação por conta de hemorróidas, que atribuía ao fato de ficar muito tempo sentado. Pensei que bastava melhorar minha alimentação”, disse ele. Mas, com o passar das semanas, as dores e o sangramento se tornaram mais freqüentes e, por fim, <strong>após seis meses</strong>, e diante da insistência da mulher, Edson venceu sua resistência e <strong>decidiu procurar o médico.</strong></p> <p class="MsoNormal"> </p> <p class="MsoNormal">O que Edson sentia eram manifestações clássicas de sintomas do câncer colorretal<span style="color: blue;">,</span> que se desenvolve nas porções média ou terminal do intestino – no cólon ou no reto. Em uma consulta com o proctologista Yuri Yamane, do Hospital Aldenora Bello, em São Luís (MA), <strong>Edson descobriu que tinha um tumor ulcerado de 4 cm no reto</strong>. A recomendação do médico era fazer uma cirurgia o mais rápido possível para extrair o tumor. “Eu achava que tinha uma saúde de ferro. Hoje <strong>lamento não ter procurado o médico no início dos sintomas</strong>.” E por que ele demorou tanto? “Nunca me passou pela cabeça que eu tivesse câncer”, disse.</p> <p class="MsoNormal"> </p> <p class="MsoNormal">Edson foi submetido a uma <strong>cirurgia para retirada do tumor</strong> em junho de 2007 e, dois meses depois, já não sentia nada. Os resultados dos exames patológicos confirmaram que o tumor não invadira outros órgãos e que não havia vestígio de células cancerosas. “Foi um alívio, um peso que saiu das minhas costas.” Edson de Oliveira teve muita sorte.</p> <p class="MsoNormal"> </p> <h3><span style="color: #3366ff;">Câncer Colorretal: tumor maligno que exige tratamento especial</span></h3> <p class="MsoNormal">Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer colorretal figura entre os seis mais freqüentes tipos de câncer entre homens e mulheres. Em 2005, <strong>10.321 pessoas morreram de câncer colorretal.</strong> A estimativa em 2006 foi de mais de 25 mil novos casos. Esses dados correspondem a 12 novos casos a cada 100 mil homens e 15 a cada 100 mil mulheres. Mas graças aos avanços no diagnóstico e no tratamento desse tipo de câncer, <strong>se ele for detectado no início a taxa de sobrevida é de 89%.</strong> </p> <p class="MsoNormal"> O <strong>câncer colorretal é um tumor maligno</strong> que se desenvolve quando as células se tornam anômalas e formam pequenas saliências, chamadas pólipos, na mucosa do cólon e do reto. A remoção dos pólipos em estágio inicial, antes que tenham a chance de se tornar cancerosos, é um procedimento simples e seguro. Quando o pólipo é pequeno, a solução é retirá-lo com a ajuda de um endoscópio. O tamanho e o formato do pólipo indicam sua propensão a se transformar em câncer. De modo geral, ao ser detectado o pólipo, é indicada a sua retirada porque, mais tarde, ele pode evoluir e se tornar um tumor maligno.</p> <p class="MsoNormal">Segundo o Dr. Jurandir Dias, chefe do Serviço de Cirurgia Abdominopélvica do Inca, <strong>boa parte dos pacientes é assintomática ou tem apenas sintomas leves</strong>, como alteração do ritmo intestinal e cólicas. Nestes casos, muitos demoram de três a seis meses para procurar ajuda médica. “Quanto mais rápido o diagnóstico for feito, maiores são as chances de sucesso.” No Brasil, depois do <a href="http://www.selecoes.com.br/revista_materia.asp?id=1541" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">câncer de pele</span></a>, o <strong>câncer colorretal é o que tem maior perspectiva de cura</strong>, até nos casos em que a doença se encontra em estágio avançado. “A média geral de cura para esse tipo de câncer é superior a 60%”, afirma ele.</p> <p class="MsoNormal"></p> <h3><strong><span style="color: #3366ff;">Hemorróidas mascaram o câncer colorretal</span> </strong></h3> <p class="MsoNormal"> Em 2002, a industriária Regina de Souza Galúcio, de 40 anos, fez repetidas consultas ao seu médico, em Manaus (AM). Mãe de um rapaz de 21 anos, <strong>ela sofria de prisão de ventre e hemorróidas</strong> e, durante seis meses, quase todos os dias sentia fortes cólicas. Quando passou a ter também sangramento retal, decidiu voltar ao médico. O <strong>médico atribuiu o sangramento às hemorróidas e não pediu qualquer exame complementar</strong>, sugerindo apenas que Regina cuidasse melhor de sua alimentação.</p> <p class="MsoNormal">Desconfiada de uma gravidez e seguindo o conselho da mãe, Regina fez uma ultra-sonografia e descobriu que, <strong>além de estar grávida, tinha um câncer já em estado avançado no reto.</strong></p> <p class="MsoNormal">O tumor era tão grande que o Dr. Sidney Chalub, cirurgião especialista em aparelho digestivo do Hospital da Fundação Cecon , em Manaus, disse a Regina que ela teria de se <strong>submeter imediatamente a uma cirurgia</strong> e que, mesmo assim, <strong>poderia não ter muitas chances de sobreviver</strong>. Numa cirurgia que durou dez horas, o tumor foi retirado com sucesso, mas o bebê não resistiu. “Esse bebê veio para me salvar. Se não fosse a gravidez, eu poderia não ter descoberto o câncer”, diz ela.</p> <p class="MsoNormal"></p> <p><span style="font-size: 12pt; font-family: "Times New Roman";"></span></p><p></p> <p class="MsoNormal">Regina passou por quase um ano de tratamento, incluindo quimioterapia e radioterapia. “Meu médico disse que nunca havia tido uma paciente com tanta vontade de viver. Eu era jovem, o que ajudou na recuperação. Graças a Deus, estou bem e os últimos exames revelaram que não há mais sinal do câncer”, comemora. Sua idade, forma física e determinação ajudaram-na a sobreviver.</p> <p class="MsoNormal"> </p> <h3><span style="color: #3366ff;"><strong>Ir ao médico oncologista aos primeiros sinais evitaria muitas mortes</strong></span></h3> <p class="MsoNormal"><br /> É comum o câncer <strong>colorretal ser confundido com hemorróidas</strong> ou com a <a href="http://www.selecoes.com.br/revista_materia.asp?id=3142" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">síndrome do intestino irritável</span></a> . O Dr. Geraldo Magela Gomes da Cruz, professor de Coloproctologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais <em><span style="color: blue;"></span></em><em><span style="color: blue;"></span></em>se recorda de um caso tocante. Pedro Correia,* 38 anos, de Belo Horizonte (MG), tinha um <strong>corpo atlético e ótima saúde</strong>. No entanto, durante cinco anos, <strong>teve hábitos intestinais irregulares e evacuava cerca de cinco a seis vezes ao dia. </strong><br /> Ele era acompanhado por um médico que assegurava que Pedro sofria de síndrome do intestino irritável. Porém, dois anos antes de procurar o Dr. Geraldo, Pedro começou a evacuar sangue. Seu médico atribuiu o fato às hemorróidas. Os familiares, então, insistiram para que Pedro procurasse um segundo especialista. “Logo na primeira consulta, <strong>ao fazer o exame de toque, constatei que o paciente tinha um tumor no reto</strong>”, revela o Dr. Geraldo.</p> <p class="MsoNormal"><strong>Pedro fez quimioterapia e radioterapia antes da operação.</strong> Mas o tumor não pôde ser retirado, pois já havia se espalhado para outras partes do corpo. <strong>Ele ainda sobreviveu quase seis meses.</strong> Em 1996, aos 39 anos, morreu. <br /> “Não devemos tratar a síndrome do intestino irritável sem antes fazer uma colonoscopia para saber se existe algum tumor”, afirma o Dr. Geraldo. “<strong>Se ele tivesse recebido o diagnóstico correto talvez ainda estivesse vivo.”</strong></p> <p class="MsoNormal"> </p> <p class="MsoNormal"> </p> <h3><strong><span style="color: #3366ff;">Exame de toque e Colostomia: o medo desnecessário</span></strong></h3> <p class="MsoNormal"> </p> <p class="MsoNormal">Até pouco tempo era difícil a pessoa admitir que poderia ter câncer colorretal. “Esse comportamento tem se modificado graças ao acesso à informação. Mas ainda hoje, em média,  menos de 10% das pessoas no Brasil incluem esse câncer na lista dos tipos que conhecem”, afirma o Dr. Jurandir.<br /> Muitos demoram a buscar ajuda por constrangimento ou <strong>medo de que a cirurgia signifique uma colostomia</strong> (remoção de parte do cólon que resulta na necessidade de ligar sua extremidade à parede abdominal, a fim de formar uma abertura, pela qual os pacientes defecam numa pequena bolsa presa à barriga)<strong> </strong>automaticamente. “Antigamente, muitos <strong>pacientes demoravam a procurar o médico porque se sentiam constrangidos em fazer o exame de toque</strong>. Hoje, atendo vários pacientes homens que fazem esse exame naturalmente”, esclarece o Dr. Jurandir.</p> <p class="MsoNormal">Quanto à colostomia, na retirada de parte do intestino, as duas extremidades em geral podem ser religadas depois. <strong>“Apenas de 10% a 20% das pessoas operadas mantêm a colostomia em definitivo”</strong>, diz o Dr. Jurandir.</p> <p class="MsoNormal"> </p> <p class="MsoNormal">E isso pode não ser tão terrível quanto parece. O aposentado Dreyfus Souza Filho, de 61 anos, foi se consultar com a proctologista Adriana Santos Neves, do Hospital Universitário Pedro Ernesto<em><span style="color: blue;"></span></em><cite><span style="color: blue; font-style: normal;"></span></cite><em><span style="color: blue;">,</span></em> no Rio de Janeiro, quando seu câncer já estava em estado avançado. Durante a cirurgia, que durou cerca de três horas, foram retirados o reto e o canal anal. Por isso, ele teve de receber uma colostomia.</p> <p class="MsoNormal">“No começo é estranho. Mas levei pouco mais de uma semana para me adaptar à bolsa”, recorda ele. “Ela não chega a medir 30 cm, não tem cheiro e nem aparece debaixo da calça.” Apesar de já estar aposentado, Dreyfus voltou a trabalhar numa firma de telemarketing que presta serviços para uma empresa de telefonia. “E ainda faço caminhadas diárias de quase seis quilômetros”, conta ele. “Usar uma bolsa de colostomia não é o fim. Estou muito bem e levo uma vida normal”, garante.</p> <h3><br /></h3> <h3><strong><span style="color: #3366ff;">Tratamento do câncer colorretal</span></strong></h3> <p class="MsoNormal">A escolha do tratamento mais indicado para o câncer colorretal <strong>depende do estágio da doença</strong>. De acordo com o Dr. Geraldo, antes da cirurgia o paciente deve fazer uma radioterapia neo-adjuvante para reduzir o tamanho do tumor e facilitar a intervenção cirúrgica. De 30 a 50 dias após a última sessão de radioterapia é a época de operar o paciente, circunstância denominada “janela cirúrgica”. De modo geral, a radioterapia é feita em 30 sessões, por 30 dias consecutivos. Depois da cirurgia, a peça retirada vai para exame anatomopatológico. De acordo com o resultado, o paciente passa aos cuidados do oncologista, a fim de fazer quimioterapia.<br /> <br /> <strong>O fígado é o primeiro órgão a ser afetado pelo câncer colorretal</strong>, caso ele se espalhe pelo corpo. “A quimioterapia é feita por via venosa ou oral, mas já existe no Brasil um método para se ministrar medicamentos contra o câncer diretamente no suprimento sanguíneo do fígado, a chamada quimioterapia intra-arterial”, informa o Dr. Geraldo. Há casos especiais em que esse tratamento é o mais indicado, como, por exemplo, quando existem metástases múltiplas no fígado. No caso de metástase única, a melhor abordagem é a hepatectomia (ressecção de um segmento do fígado).</p><p class="MsoNormal">Em comparação com o continente africano, a <strong>incidência de câncer colorretal nos países mais desenvolvidos é bem superior</strong>. “Os africanos vivem em uma sociedade menos industrializada. Eles comem muitos vegetais e pouca carne vermelha, e estudos confirmam que até as fezes deles são mais volumosas do que as dos ocidentais, por causa da alta ingestão de fibras”, explica o Dr. Paulo Hoff, oncologista e diretor executivo do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.<br /> Estudos indicam que a alimentação com pouca gordura animal, rica em legumes e verduras, frutas frescas, grãos e cereais integrais, pode diminuir a incidência de câncer no intestino. “Além disso, a baixa ingestão de gordura animal e a alimentação em si podem reduzir a incidência de outros tipos de câncer e de problemas cardiovasculares”, acrescenta o Dr. Paulo. <strong></strong></p> <p class="MsoNormal" style="margin-left: 18pt;"><span style="color: #3366ff;"><strong> </strong></span></p> <ul style="margin-top: 0cm;" type="disc"> <li class="MsoNormal"><span style="color: #3366ff;"><strong>Heretariedade</strong></span></li> </ul> <p class="MsoNormal"><span style="color: #3366ff;"><strong> </strong></span>Cerca de <strong>10% dos pacientes têm histórico familiar da doença</strong>, em geral pela hereditariedade de uma predisposição genética a pólipos, que, se não retirados, podem se tornar cancerosos.<br /> <br /> Em maio de 2006, a dona de casa Glória Baumann, de 59 anos, de Itaipava (RJ), resolveu pedir à ginecologista uma requisição para fazer uma colonoscopia. Três anos antes, seu pai havia morrido de câncer colorretal. Também fora essa a causa da morte da mãe, de dois tios e dois primos. <br /> <br /> Como acompanhou bem de perto o tratamento do pai, Glória decidiu investigar se também tinha a doença, apesar de não apresentar qualquer sintoma. “Eu não sentia nada, levava uma vida normal. Mas por conta da morte de meu pai e de meus parentes, decidi fazer o exame”, diz ela. <br /> <br /> Quando o médico fez a exploração colonoscópica, que levou cerca de 40 minutos, descobriu um tumor já em estado avançado, de 10 cm, no cólon esquerdo. Uma cirurgia de emergência foi marcada e, três dias depois, o tumor foi removido com sucesso. Glória nem precisou fazer quimioterapia e hoje está curada. “<strong>Esta doença é silenciosa</strong>. Se eu tivesse esperado até ter algum sintoma poderia ter sido tarde demais”, afirma.</p> <p class="MsoNormal"></p> <ul style="margin-top: 0cm;" type="disc"> <li class="MsoNormal"><strong><span style="color: #3366ff;">Detecção</span><br /> <!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br /> <!--[endif]--></strong></li> </ul> <p class="MsoNormal">Pacientes do grupo de risco, ou seja, com história familiar de câncer e doença inflamatória crônica há mais de 10 anos, devem fazer a colonoscopia imediatamente. Pacientes acima de 50 anos e fora do grupo de risco devem fazer a pesquisa de sangue oculto nas fezes, que, segundo o Dr. Paulo, se realizada anualmente, reduz a mortalidade por câncer colorretal em 30%. Em caso positivo, faz-se a colonoscopia. <br /> O <strong>exame de</strong> <strong>toque retal pode detectar tumores de menos de 1 cm situados até 10 cm do ânus</strong> e, a partir dos 50 anos, deveria ser realizado como procedimento de rotina em todos os exames, mesmo pelo clínico geral. No caso de pacientes com tenesmo (sensação permanente de vontade de evacuar) ou com perda de sangue ou muco (secreção parecida com catarro) o toque retal deve ser obrigatório. <br /> <br /> Quem está com algum problema intestinal deve ir ao médico. Quem não ficar satisfeito com o tratamento, ou notar que os sintomas persistem, deve voltar ao médico inicial ou fazer nova consulta. Com educação, mas firmeza, peça uma segunda opinião, como fez Regina Galúcio. Apesar de ter se submetido a uma difícil cirurgia e enfrentado um longo tratamento, ela hoje leva uma vida plena e ativa ao lado do filho. <strong>Não devemos ter constrangimento com o médico</strong>. Morrer por esse motivo, seria um absurdo!</p> <p class="MsoNormal"></p> <p class="MsoNormal"></p> <p> </p> <p><span style="font-size: 12pt; font-family: "><br /> <!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br /> <!--[endif]--></span></p> <p class="MsoNormal"><br /> <!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br /> <!--[endif]--></p><h3><span style="color: #3366ff;"><strong>Sinais de risco da presença de câncer culorretal</strong></span></h3> <p class="MsoNormal"><br /> Se algum destes sintomas persistir por mais de duas semanas, consulte um médico. Não espere!<br /> <!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br /> <!--[endif]--></p> <p class="MsoNormal"><span style="color: #3366ff;"><strong>Mudança nos hábitos intestinais</strong> </span>– como diarréia, fezes ressecadas ou prisão de ventre – de forma contínua deve ser investigada. A presença de muco em torno das fezes também.<br /> <!--[endif]--></p> <p class="MsoNormal"><span style="color: #3366ff;"><strong>Sangramento vindo do intestino</strong></span>, vermelho-vivo ou escuro e misturado às fezes.</p> <p class="MsoNormal"><span style="color: #3366ff;"><strong>Cólica seca</strong></span> (sem fezes) que distende o abdome, em certos casos, já é um sintoma avançado do câncer colorretal.<br /></p> <p class="MsoNormal"><!--[endif]--><span style="color: #3366ff;"><strong>Dor lancinante no baixo-ventre.</strong> </span>Pode ser acompanhada de aumento de gases ou sensação de inchaço, com dor e desconforto.</p>

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