Infosfera

Um dia no complexo ambiente informacional em que vivemos.

Acordo muito cedo. Antes de sair para o trabalho, dar aula ou praticar deep running na piscina, leio sentado à mesa da cozinha a Folha , o Estadão e o Diário de SP, nessa ordem, em papel (aos sábados, sempre olho a Veja e, aos domingos, eu me demoro nos jornais de São Paulo logo que levanto). Começo a ler a Folha pelo horóscopo da Barbara Abramo. Não que eu me paute pelos astros, mas sou amigo da Barbara e tenho a impressão de que ela escreve especialmente para mim – mas isso é somente impressão ou, pior, megalomania.

No carro, entre a casa e a piscina ou a casa e o trabalho, escuto rádio, notícias na CBN – e o Heródoto Barbeiro está fazendo falta. Às 8h50, religiosamente, adianto o dial e escuto o José Simão, imperdível. Há também uma rádio em São Paulo que fala de trânsito e da qual não me lembro o nome. Quando o trânsito aperta além da conta, eu a sintonizo, mas ela nunca conseguiu me ajudar.  

Durante o dia, no escritório, entre uma reunião e outra, quando não me ocupo com e-mails ou com tarefas transcendentais, passo os olhos nos endereços da rede, sempre no meu laptop. Não uso iPad, ainda. E esses conteúdos se transformam quase imediatamente em meus tweets

Além de tudo, sou constantemente “alimentado” por minha equipe ou por amigos que me enviam links e mais links por e-mail. Carlos Eduardo Lins da Silva é o maior e mais competente entre eles. Eu sempre olho, e não necessariamente nessa ordem nem nessa quantidade diária, a boa e velha mídia no formato digital: The New York Times, Guardian, The Washington Post, Le Monde, Le Figaro, El País, Piauí, New Statesman. Também a boa e nova mídia: Slate, The Huffington Post, Mashable, Pew Research Center, iG, UOL, G1, as lições de Dan Zarrella, os posts de Henry Jenkins e os habitantes da minha timeline no Twitter. Sempre que dá, leio pedaços de livros – em papel ou PDF – que vou usar em aulas ou palestras. Nesse semestre, por exemplo, dou aula de ética jornalística na graduação da Cásper Líbero, sobre mídias sociais na pós-graduação da Cásper, sobre ética e tecnologia na pós-graduação no Larc, na Poli/USP, e aula de comunicação na era digital na pós em jornalismo da ESPM.

Assim, quer queira quer não, tenho de achar tempo para me virar durante pedaços do dia para ler On the Condition of Anonymity (do Matt Carlson), o completíssimo The Story So Far (What We Know About the Business of Digital Journalism), da Columbia University, ou as Linguagens Líquidas na Era da Modernidade, de Lucia Santaella. Se chego em casa cedo, gosto de ver o Jornal Nacional. Se chego mais tarde, vou direto para o Jornal das Dez, na Globo News. 

Às vezes chamo meus filhos para acompanhar o noticiário na TV e eles sempre me dizem que já viram tudo aquilo – e eu então concordo, resignado, que realmente não sou jovem o bastante para saber tudo, como dizia Oscar Wilde.

Quando sobra um tempinho, vou atrás de algum filme “assistível” no Telecine ou HBO – seja porque de tão ruim me diverte seja porque escapa algum filme bom em meio à programação propositalmente medíocre.

A cama é o melhor lugar para o romance – em todos os sentidos. Stricto sensu, estou acabando de ler talvez o melhor livro do Ian McEwan, Solar, romance maior sobre a ciência, o mercado e as mudanças climáticas.

Também tenho à mão, para ler em passo de tartaruga, o cartapácio do finado Roberto Bolaño, 2666. Preciso acrescentar que ouço música quando escrevo ou leio. No meu iPod toca muita coisa, mas o que mais toca é Bach, Bill Frisell e Keith Jarrett. Para arrematar, algo sobre o e-book: tentei usar o Kindle. Não rolou.

Caio Tulio Costa é jornalista, professor, doutor em Ciências da Computação e consultor de novas mídias.

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