Confesso: a primeira coisa que faço ao acordar, antes mesmo de levantar da cama, é esticar a mão para a mesinha de cabeceira e pegar o iPad. Dou uma olhada nos comentários do meu blog, no Twitter e, eventualmente, no Instagram. Mas não posso dizer que seja por uma espécie incontrolável de angústia da informação. Na verdade, faço isso para ficar mais um tempinho na cama, sem dor na consciência.

   Num dia normal, depois dessa olhada no iPad, tomo pé do mundo à moda antiga, lendo O Globo durante o café. A diferença entre o que faço hoje e o que os meus pais faziam há 50 anos é que, ao contrário deles, já sei da maioria dos fatos antes de abrir o jornal. Este é o padrão atual, graças à Internet, para alguns, e aos noticiários da TV, para outros. Os leitores dos jornais de papel buscam mais os detalhes das notícias que já conhecem, bem como a opinião de seus colunistas e cronistas favoritos, e eu não sou exceção.

   A Internet me dá acesso a outros jornais que, antigamente, eu lia com dias de atraso, particularmente o New York Times e o Guardian. Quando tenho mais tempo, dou uma olhada no Público, no El País e no Times of India – a Índia tem uma imprensa de língua inglesa excelente, e gosto de saber o que pensa o lado de lá do mundo.

   Como trabalho em casa, a Internet é, de fato, a minha grande fonte de ligação com o mundo. Numa redação, vivemos cercados de papéis – impressos não param de chegar, e estão em abundância por toda parte. Este não é – felizmente! – o caso do meu escritório doméstico, já bastante bagunçado mesmo sem tudo isso.

   O iPad me trouxe a libertação da escrivaninha. Até comprá-lo, eu ficava em dia com o mundo sentada ao desktop – horas e horas na mesma posição. Com o tablet, ganhei mobilidade e transferi boa parte das leituras para o sofá, para a mesa da sala e até para um lindo quiosque chamado Palaphita em frente à minha casa, com uma vista maravilhosa para a Lagoa. Não há nada melhor do que se atualizar ao ar livre.

   Por outro lado, se eu já tinha problemas com a mailbox, a crise se instalou de forma irreversível na minha vida pT (pós Tablet). Antes, eu lia os e-mails no computador e respondia na hora, na medida do possível. Hoje leio os e-mails no iPad e quase nunca me lembro de lê-los novamente no PC, para responder. Detesto escrever em tablets, exceção feita aos An-droids com sistema swype, em que basta correr os dedos sobre as teclas para formar palavras. E por que não uso um Android no lugar do iPad? Porque o meu Samsung Galaxy Tab é o tablet de bolsa, aquele que vai comigo para todos os lugares, mas não o que uso em casa. O outro motivo da preferência do iPad em casa é o Instagram, uma espécie de Twitter de imagens no qual sou viciada, e que, por enquanto, só existe para celulares e tablets da Apple.

   Gosto muito de ler revistas no iPad, especialmente as noticiosas, como The Economist ou Time, e as de lazer, como Condé Nast Traveller ou National Geographic Traveller. Aliás, adoro revistas de viagem, que me fazem sonhar com destinos exóticos e me levam a revisitar lugares que já conheço. Curiosamente prefiro a National Geographic em papel. Fiz uma assinatura da edição interativa para iPad e estou feliz que acabou.

   As minhas informações sobre o mundo da tecnologia – fundamentais, porque escrevo sobre isso uma vez por semana, no Globo – vêm de meia dúzia de blogs e sites especializados: Gizmodo, Mashable, GSM Arena, DP Review, Tech Crunch, Life Hacker e toda a multidão de links que encontro nos passeios virtuais.

   Vivo ainda com dois celulares de diferentes operadoras: o Samsung Galaxy, que é o meu aparelho básico, e o iPhone 4, que uso para ver o que acontece nas minhas mailboxes e no Instagram.

   À noite, antes de ir dormir, reservo uma ou duas horas para uma tecnologia antiga chamada livro. Ainda não encontrei Kindle ou tablet que substituam as boas e velhas folhas.

   Apesar de tudo, não me considero um bípede neurótico por informação. Não gosto de mandar SMS, não confiro mensagens compulsivamente e passo horas longe da Internet sem ter abstinência. Acho que só vira escravo da tecnologia quem quer – e eu não quero. É simples assim.
 
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