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Institucional

O poder de cura que há em nós


A ciência afirma que o modo como nos sentimos e a cura de nossos males não têm a ver só com o que bebemos ou comemos. Tem a ver com nossas crenças.

Estudos comprovam que a crença é capaz de curar. Mas como funciona essa cura?  Uma parte do quebra-cabeça envolve o condicionamento. Recordemos o cão de Pavlov, que salivava sempre que ouvia uma sineta. Isso acontecia porque Pavlov condicionou o animal a ligar a comida ao som.

Primeiros estudos

A reação condicionada do efeito placebo em relação à dor é a liberação de substâncias cerebrais – as endorfinas, ou analgésicos opioides. Na década de 1970, dois neurocientistas de São Francisco, interessados no modo como esses opioides internos controlam a dor, estudaram pacientes que tinham acabado de arrancar os dentes do siso.

Primeiro, os pesquisadores compararam o grupo do placebo com outro grupo que recebeu naloxona, medicamento que cancela o efeito melhorador dos opioides. Nenhum dos participantes recebeu nem esperava receber morfina, e todos se sentiram péssimos. Então os cientistas disseram aos pacientes que alguns receberiam morfina, outros um placebo e outros, ainda, naloxona.

Dessa vez, alguns pacientes se sentiram melhor, mesmo que não recebessem morfina. A expectativa de possível alívio provocou a liberação de endorfinas, que reduziram a dor. Mas, assim que receberam naloxona, a dor voltou. O medicamento eliminou a ação das endorfinas liberadas pelo efeito placebo. “Sem a expectativa de alívio da dor, não se pode ter efeito placebo”, diz Howard Fields, professor de Neurologia do campus de São Francisco da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo.

Efeitos cerebrais

Só no início dos anos 2000 os cientistas puderam observar esses efeitos no cérebro. Tor Wager, na época aluno de doutorado da Universidade de Michigan, pôs os participantes num aparelho de neuroimagem. Aplicou creme nos pulsos de cada um e eletrodos que poderiam provocar calor ou choques dolorosos. Ele disse aos participantes que um dos cremes melhorava a dor, mas, na verdade, nenhum tinha qualidades analgésicas.

Após várias rodadas de condicionamento, os participantes aprenderam a sentir menos dor no pulso coberto com o creme “analgésico”; na última delas, choques fortes não pareciam piores do que um beliscão.

Os exames do cérebro mostraram que a sensação de dor começa na lesão e, numa fração de segundo, sobe pela medula até uma rede de áreas cerebrais que a reconhecem como dor. A reação ao placebo vai no sentido oposto. A expectativa de cura no córtex pré-frontal envia sinais ao tronco cerebral, que cria opioides e os libera pela medula. “A crença e a experiência corretas funcionam juntas”, diz Wager, hoje professor do campus de Boulder da Universidade do Colorado e diretor do laboratório de neurociência de lá. “E essa é a receita.”

(Por Erik Vance)

Saiba mais sobre o poder de cura da crença e veja casos que o comprovam, lendo o artigo na íntegra, na revista Seleções de janeiro de 2018.

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