Já nos conhecemos?

Este homem nunca esquece um rosto. E esse talento raro ajuda a polícia a pegar criminosos.  
 
Em média, as pessoas conseguem memorizar 20% a 50% dos rostos, mas os super-reconhecedores decoram 90%.

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FAZIA ANOS QUE AUSTIN CABALLERO SE DAVA BEM. Com seus furtos em lojas pequenas e caras nos bairros mais ricos de Londres, ele tinha se apoderado de mais de cem mil libras em joias e roupas de marca durante algum tempo.

 

“Ele era bom”, diz o sargento-detetive Eliot Porritt, da Polícia Metropolitana da capital do Reino Unido. “Detesto admitir, mas ele era calmo e se vestia bem. Entrava, conversava com os funcionários e, assim que eles davam as costas, furtava algo. Às vezes, só percebiam que faltava alguma coisa na vitrine dois ou três dias depois. Aí eles assistiam ao vídeo das câmeras de segurança e chamavam a polícia. Mas nisso ele já sumira havia tempo, e estava sempre em vantagem.”

 

Provavelmente Caballero ainda estaria se dando bem se não fossem pessoas como Porritt, que pertencem ao grupo dos chamados “super-reconhecedores” que desde maio de 2015 operam na Nova Scotland Yard, sede da polícia, e que ano passado emprestaram seu talento à polícia de Colônia, na Alemanha.

 

Eles parecem personagens de quadrinhos, e seu talento realmente lembra um superpoder: a capacidade de recordar e reconhecer rostos é extraordinária – mesmo de rostos parcialmente encobertos ou cuja imagem esteja muito distorcida.

 

Assim, em meados do ano passado, quando viu uma foto do então desconhecido Caballero no banco de dados de imagens de câmeras de segurança, um integrante da equipe decidiu verificar se ele já havia sido filmado. A unidade chama esse processo de “face snapping”.

 

Depois de um fim de semana de buscas, ele encontrou outras dez imagens no banco de dados. Finalmente, após examinar dezenas de milhares de imagens, ele fez cerca de quarenta identificações. Era óbvio que Caballero era um criminoso contumaz.

 

Com a ajuda dos meios de comunicação, mais informações foram obtidas e, no devido tempo, Caballero foi encontrado e condenado por quarenta crimes de furto e um de agressão com agravante racial. Hoje ele cumpre pena de três anos e nove meses de prisão.

 

“Algumas dessas fotos de Caballero eram de 2012”, diz Porritt, um homem afável, de sorriso fácil, com um orgulho feroz do sucesso da sua unidade. “Provavelmente ele deve ter pensado: ‘Cometi todos esses crimes e ninguém nunca me viu, portanto me dei bem.’ Mas tudo mudou. Estamos identificando esses criminosos persistentes que ficaram anos fora do radar porque ninguém interligou suas imagens nas gravações das câmeras de segurança.”

 

O INÍCIO DA UNIDADE DE super-reconhecimento data dos graves distúrbios civis de Londres no verão de 2011. Ficou claro que a polícia não tinha um modo sistemático de lidar com o grande número de imagens das câmeras. Então, o primeiro passo foi criar um banco de dados com as imagens, que poderiam ser buscadas segundo vários critérios, como aparência étnica, roupas e cabelo. Quando o banco de dados entrou em uso, ficou claro que alguns policiais tinham uma habilidade fora do normal de reconhecer rostos.

 

Leia o artigo completo na edição de fevereiro de 2017 de Seleções.

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