Johnny
O Johnny me adotou de cara, virou meu dono! Parece um cachorro; tem alma canina...
Por Luiz Fernando da Costa Rocha
Voltando para casa, numa rua muito movimentada e que nos obriga a estar sempre atentos, pelo canto dos olhos vejo um vulto preto saltando o muro da frente, em direção à garagem da casa vizinha. Observei uma criatura se escondendo sob os carros estacionados. Parei o meu carro de qualquer jeito e fui pegar aquela figurinha que havia fugido. Ela esgueirou-se por entre as grades e sumiu. Os outros carros buzinaram, eu voltei meio envergonhado, e segui.
Mas, preocupado voltei à rua para procurá-lo. Havia desaparecido. Johnny, esse é o seu nome. É um gato mestiço Angorá que, há pouco mais de um ano, minha filha adotou recém-nascido.
Em casa já havia outra gata, a Mina, uma vira-lata linda, de três cores, bonachona, enorme. Pesa 6 kg, já com seus 3 anos e meio, e também foi trazida por minha filha, que a encontrou na rua, em um dia de muita chuva:
– Posso ficar, posso? Eu tomo conta, dou comida, limpo tudo.
Ledo engano. Arrumei um bicho para conviver comigo, entre minhas pernas, nos degraus da escada, sobre minha cama, dentro dos armários, e por ai vai. Onipresente. Pelo menos, é um animal silencioso e limpo. Impressionante como gato é asséptico e cheiroso, ao natural.
Já havia me acostumado com a Mina e ela comigo, pois gato tem uma particularidade: é ele quem escolhe de quem vai ser dono. Isso mesmo, ao contrário do cachorro, o gato é que se torna seu dono. É ele quem escolhe a hora de brincar, de comer, de te dar atenção. Não adianta você chamar, assobiar, ele só te dá aquela olhadinha de lado, como se estivesse perguntando O que esse cara quer comigo?, e segue sua vidinha, sem dar bola para mais nada. Quando você menos espera, lá vem ele, silenciosamente, se enfiar entre suas pernas, ronronando como se dissesse Vem agora brincar!
Mina está sempre por perto, não sai de casa e, no máximo, passeia pelo quintal. O Johnny não. Desde que chegou, ainda bebê, notei que era diferente. Inquieto, hiperativo, com um temperamento completamente atípico. Ele dava pulos altíssimos, parecia um sagui! Passei a dar mais atenção a ele. O Johnny me adotou de cara, virou meu dono! Gosto de andar descalço e ele vive ao meu lado, mordiscando meus dedos. Ralho com ele e ele para. Se está distante, assobio e ele vem. Chamo pelo nome, ele vem. Até se eu pedir para trazer pequenos objetos que lhe atiro, ele traz. Parece um cachorro; tem alma canina...
Com tudo isso, a gente cria um amor pelo bichano. À noite, antes de deitar, confiro se ele está em casa. Se não estiver, eu o procuro, chamo, até ele aparecer. Um vez, uma funcionaria de uma empresa aqui da rua ligou lá para casa para saber se um gato chamado Johnny morava lá. A moça que trabalha aqui em casa, Maria, foi correndo buscá-lo. A sorte é que ele usa uma coleira com um pequeno medalhão que tem o seu nome e o seu telefone.
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1 Comentários |
| Zélia Guardiano em 20 Abril 2011 ,06:57 Delicioso conto! leitura mais do que agradável! Leveza, carinho, humor... Tudo aquilo de que estamos precisando tanto... Parabéns! Abraço. |
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