Negrinha
Eu tirei a sorte grande! Em junho de 2007 fui adotada ainda filhote, quando andava com vários outros cachorros pela zona norte de São Paulo.
Eu tirei a sorte grande! Só porque sou toda negra, pelos, olhos e unhas, meu dono me deu o nome de “Negrinha”! Em junho de 2007 fui adotada ainda filhote, quando andava com vários outros cachorros perto do terminal de ônibus, no bairro do Edu Chaves, na zona norte de São Paulo.
O Tide, como chamo carinhosamente meu dono, logo cuidou de mim, me dando muitos banhos para me livrar das pulgas e carrapatos que eu tinha. Rapidamente, eu me ambientei ao novo lar e fui ganhando peso e fazendo traquinagens.
Uma noite, querendo “arrumar minha cama” no sofá, acabei rasgando todo o estofamento com minhas unhas. Como só nós dois morávamos na casa e ele é surdo, não ouviu nada; só quando acordou viu o estrago que fiz! Ele ficou bravo e brigou comigo, mas logo fizemos as pazes e ele me perdoou. Lógico que continuo fazendo coisas que ele não gosta, mas meu instinto animal sempre prevalece...
Acabei desenvolvendo uma tática: quando ele chama a minha atenção, eu vou me arrastando pelo chão até chegar perto dele, então deito e viro de barriga para cima pedindo perdão. Acabo conquistando-o!
Por ser viúvo e a única filha morar longe, ele se apegou muito a mim. Sempre me diz ao pé do ouvido que sou sua paixão e que ele quer morrer antes de mim para não sofrer com a perda.
Há dois anos, a nora dele nos levou para morar em uma comunidade, Campos de Holambra, a 256 Km da capital. Eu adorei a mudança, já que agora tenho um jardim de aproximadamente 3.000 m² para correr e caçar lagartos.
As duas cuidadoras do Tide, a Nice e a Maria, cuidam muito bem de mim também: dão-me banho, cortam e lixam minhas unhas, me vestem com meu agasalho no inverno e tenho até o luxo de fazer “charme” para comer: elas me dão ração na mão! Mas falando em agasalho, quando ganhei o meu, achei estranho vestir aquilo e acabei roendo o botão! Levei mais uma bronca e ele logo foi consertado.
Como sou muito esperta e obediente, fiz novas amizades cativando todos com meu jeitinho meigo. Eu sei o que é bom nesta vida! Adoro andar de carro ou a pé e sou a companheira do Tide quando ele vai ao banco, ao barbeiro, ao mercado e até mesmo nas viagens que ele faz.
Atualmente, sinto muito ciúme do meu dono, porque ele resolveu adotar uns gatos que apareceram aqui em casa. Quando ele resolve deixá-los entrar, demonstro o meu descontentamento não querendo o colo dele.
Em abril o Tide completa 90 anos de idade! E como está com boa saúde e totalmente lúcido, vamos ter uma festa para comemorar, e eu irei receber os amigos e parentes com toda minha alegria!
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