Recentemente, li uma notícia no jornal BBC londrino que me trouxe certa inquietação: a biodiversidade se aproxima de um ponto sem volta.
 
Descobri ainda, nessa mesma notícia, que em 2002, governos do mundo todo firmaram uma espécie de compromisso no sentido de reduzir a perda da biodiversidade até 2010. Cá estamos nós. Embora seja difícil medir quanta biodiversidade temos, fica evidente que os níveis de manutenção desejados parecem não estar sendo alcançados. Isso porque nossa “pegada ecológica” parece estar entre 1,30 e 1,44.
 
E o que isso significa? Este termo surgiu na década de 1990. Segundo seus criadores (Universidade da Colúmbia Britânica), pegada ecológica é a demanda que temos de área, terra produtiva e ecossistemas para produzir os recursos de que precisamos e reciclar os resíduos que produzimos. O fato de nossa pegada ser de 1,30 significa dizer que ultrapassamos a capacidade do planeta – produzimos um “déficit” ecológico.
 
A humanidade precisa do que a natureza dispõe, mas como saber quanto estamos usando e quanto ainda temos para usar? Tenho me perguntado ultimamente: quanto ainda existe à nossa disposição?
 
Pesquisando mais sobre o assunto, fiquei sabendo ainda que, desde os anos 1970, temos excedido a capacidade de regeneração anual da Terra. Ou seja, hoje, a Terra precisa de 1 ano e 5 meses para regenerar o que usamos anualmente.
 
Mais ainda, podemos medir nossa pegada individual, a das cidades, dos empreendimentos, de uma nação, e de toda a humanidade, como vimos. Mas por que saber disso? Ter consciência da “pressão” que exercemos sobre o planeta nos ajuda a gerenciar melhor nossos recursos ecológicos e tomar decisões pessoais e coletivas dentro dos limites da Terra.
 
A pegada ecológica pessoal fornece essa informação e é calculada com base nos diferentes usos-finais que uma pessoa dá a sua alimentação, abrigo ou moradia, mobilidade, bens e serviços e ao uso que faz da terra (florestas, terras cultiváveis, energia, área de pastagem). Por exemplo, se uma pessoa indica que come duas vezes mais carne que a média nacional, sua pegada do bife irá dobrar.
 
Diversos sites apontam a pegada ecológica do Brasil: em 2001, precisávamos de 2,20 hectares por pessoa.
 
Andei pesquisando formas de reduzirmos os danos: usando transportes limpos (bicicleta, transportes públicos, não deixando o carro ligado por mais de 30 segundos); instalando aparelhos que economizam energia em casa; escolhendo alimentos locais, da estação, com menos embalagens; optando por materiais de construção sustentáveis (painéis solares, coleta da água da chuva); usando biodegradáveis e não tóxicos; comprando menos; substituindo itens só quando necessário; reciclando papel, vidro, alumínio, plástico, eletrônicos; e comprando produtos reciclados.
 
Como no mês de março muitos de nós iniciam mais um ano laborativo, que tal tentarmos diminuir a nossa pegada ecológica ao longo de 2010? Certamente, o maior desafio será o de pensarmos mais em nossas escolhas. E o resultado, felizmente, é podermos auxiliar na manutenção da biodiversidade. E da vida.

 

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1 Comentários

Rosalino de Sousa Silva em 24 Jun 2010 ,20:16

gostei

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