Decidi homenagear toda a turminha de cachorros que anima os meus dias e os de minha família! Eles nos proporcionam uma mistura de bagunça e barulho, além de muito amor e gratidão. Cada um tem a sua história e a sua circunstância de chegada.
 
Começamos com o Tosh, que foi pego na estrada e está conosco há dez anos. É o único que dorme dentro de casa, o que me permite dizer que é uma extensão de mim, já que aonde vou, ele vai atrás!
 
Tosh é um sobrevivente: já teve cinomose, tem hérnia de disco, às vezes fica com o pescoço travado para o lado e, agora, por conta da idade, briga com qualquer coisa que se mexe, mesmo que sejam os pés de uma cadeira, uma mochila ou bonecos. O que vier ele encara!
 
Sandy, outra integrante da trupe, está comigo há três anos. Um menino ia deixá-la na rua porque não a queria mais. Depois de uma demorada conversa, mostrando a ele que um animal de estimação não é brinquedo, mas um compromisso que se assume, que demanda trabalho e gastos, eu a trouxe comigo.
Ela estava muito ferida e amedrontada quando foi lá para casa. Havia sido muito mordida por carrapatos que forravam seu corpo, e suas costas estavam machucadas de tanto apanhar. Mas após se adaptar à família, revelou-se um “terrorzinho”! A cada manhã havia uma novidade: o jardim destruído, o cano da água estourado, o banco da bicicleta comido...
Ela era um foguetinho! As artes de Sandy só foram amenizadas com a chegada de Gaya.
Gaya é a nossa cachorra puladora. Ela chegou extremamente debilitada porque teve a doença do carrapato, babesiose.
Conseguimos curá-la após um extenso tratamento e, depois de fortalecida, ela se revelou uma exímia saltadora: pula portões, janelas e o que mais a estiver impedindo de atingir seu objetivo: entrar em casa e deitar quietinha no canto da sala. Ela nos convence a deixá-la ficar porque quando passamos por perto, ela finge dormir! E se ficamos olhando, ela espia disfarçando e logo depois esconde a cara!
 
Depois da Gaya, veio outra moradora, a Tasha. Ela é a única que pegamos quando ainda era filhote. Estávamos na praia e aquele bichinho pequeno surgiu na areia, correndo direto em nossa direção! Quando nos encontrou, fez a maior festa... Daí, já era... carrapatos, vacinas, castração e mais um membro para o clã! Tasha é a docilidade em forma de cachorra!
 
Já a adoção da Teca, a nossa “tatu”, foi a mais surpreendente. Ela estava no meio dos carros quando passei e prestei atenção. Como sempre faço com cães adultos, primeiro me aproximo para verificar se é dócil, mas com Teca não houve esse teste. Quando me aproximei, ela me olhou como se sempre tivesse pertencido a mim e me reencontrasse. Veio correndo e pulou no meu colo em festa! Foi lindo, muito especial mesmo.
 
Ela tem um dos olhos furados, o que não a impede de ser muito feliz, mas nos faz pensar no que leva alguém a cometer essa monstruosidade. Digo que ela é a nossa tatu porque a sua maior diversão é criar diversas cavernas na parte externa da casa, que, hoje, não pode ser mais chamada de jardim!
 
E por fim, mas não menos querida, chegou a Novata para completar a turminha. Ela vagava pela minha rua quando me viu e resolveu parar. Sentou em frente ao meu carro e me olhou como se quisesse dizer: “Oi, está me vendo?” Peguei um pote de ração e água e fui alimentá-la na rua. Ela estava faminta, mas fazia festa para mim. Tentei me afastar, mas ela me seguia. Foi então que meu santo marido apareceu no portão e riu do inevitável... Ela é uma querida e decidiu que passará o resto de seus dias em meu quintal. Não há o que faça essa cachorra sair para passear de coleira!
 
O que eu contei a vocês é um pouquinho da deliciosa loucura de se ter cães adotados. O que eles fazem por mim, o amor ilimitado, o carinho e a alegria que eles me dão me deixam muito grata. Uma recompensa sem igual em todas as pequenas vitórias: de tirá-los da situação de abandono, fortalecê-los e conquistá-los ganhando a confiança de cada um.
 
Isso traz á tona o sentimento de que fiz o bem, que se torna maior nos dias de chuva, quando eu olho cada um protegido em sua casinha, sem sentir frio ou fome e, principalmente, sem medo de que algo ou alguém lhes faça mal. Hoje sei que eles dormem tranquilos.

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