Sebastian Vettel

O homem mais rápido do mundo
 

Sebastian Vettel, 26 anos, quatro vezes campeão mundial de Fórmula 1, acaba de se tornar um dos pilotos de maior sucesso de todos os tempos. Ele é um entre os únicos três homens que já venceram quatro campeonatos de F1 consecutivos, e coleciona uma série de “recordes”: piloto mais jovem a ocupar a pole position, vencedor mais jovem de uma corrida de F1, e campeão mundial mais jovem.

Vettel cresceu em Heppenheim, na Alemanha. Como seu ídolo, Michael Schumacher, começou a treinar como piloto de kart, categoria na qual o pai já o deixava manejar o volante desde os 3 anos e meio. Estreou na F1 em 17 de junho de 2007 e terminou em oitavo. Venceu sua primeira corrida no ano seguinte e o primeiro campeonato mundial em 2010, correndo pela Red Bull. Vettel recebeu o repórter Stephan Draf para uma conversa em que falou da vida fora das pistas.

P: Você costuma afirmar que tem poucos amigos no mundo da Fórmula 1, e que seus amigos de verdade são pessoas que conhece desde pequeno.

R: Praticamente todos. E sou muito grato a eles por me manterem com os pés no chão. Fico muito feliz sempre que nos encontramos.

P: Às vezes você se sente mal por ganhar tão mais que seus amigos, que...

R:  …não estão tão bem de vida? É verdade, não estão. Muitos ainda estudam, então não têm muito dinheiro. Mas não preciso ficar com peso na consciência. Quando nos encontramos em Heppenheim, um deles pode dizer que está desempregado e meio sem grana. E mesmo assim posso contar coisas da minha vida. Quando saímos, não pago tudo; afinal, eles têm seu orgulho. Já na Fórmula 1 não é raro eu ter conversas nas quais sei que rumo a coisa vai tomar depois de poucas frases.

P: Do tipo: você poderia me dar algum dinheiro?

R: É, mais ou menos por aí.

P: Você se sente mais velho que seus amigos da mesma idade?

R: Não quando estou com eles. No resto do tempo, acho que sim. Entrei para a equipe Red Bull com 14 anos e vivi cercado de adultos desde bem novo. Também tive de aprender cedo a aguentar a pressão.

P: Pressão de quem?

R: Nas corridas, muito depende do nosso desempenho e também do dinheiro dos patrocinadores – se ele será suficiente para correr na temporada seguinte. A gente amadurece mais rápido e fica mais sério, embora meus pais fizessem todo o possível para me proteger disso.

P: É necessária alguma característica específica para se chegar ao topo?

R: Em primeiro lugar, sempre esperei muito de mim. Ninguém exige mais de mim que eu, e isso ajudou. É claro que a gente sente quando as pessoas falam que algumas de nossas largadas são ruins e que não sabem se haverá dinheiro suficiente para correr. Mas, quando estou atrás do volante, nada disso importa.

P: Você foi criado para ser assim?

R: Acho que meus pais se preocupavam muito mais que eu. Mas, quando criança, a gente só quer agradar aos pais. Para mim, uma coisa importantíssima foi receber muitos elogios e apoio dos que me cercavam. Críticas demais não fazem bem nenhum.

P: O que acha de quem não aguenta a pressão? São perdedores?

R: Perdedores? Bobagem. Quando eu gosto de uma pessoa, procuro encorajá-la. Ninguém fica mais forte tendo prazer com os fracassos dos outros.

P: Você poderia nos explicar o conceito de “não agir corretamente” nas pistas?

R: É fazer com os outros aquilo que não gostaria que fizessem com você. Quando corro, tento dar aos demais pilotos o mesmo espaço que espero que me deem.

P: Mas a Fórmula 1 nem sempre é justa; é uma loteria com um prêmio de milhões.

R: É, mas ninguém precisa jogar sujo para ter sucesso. O importante é saber quem você é. Somos mais felizes assim; pelo menos, isso sempre deu certo comigo.

 

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