Sinais silenciosos que você não deve ignorar

Dicas sutis – da caligrafia ao ronco – podem ser os primeiros avisos de uma doença. Veja como ler os pedidos de socorro do seu corpo
 

Esquecer nomes

Deu branco na hora de lembrar o nome do seu vizinho num churrasco? Pode ser consequência do estresse ou cansaço, mas o esquecimento de pequenas coisas, como nomes e listas, também pode indicar hipotireoidismo ou baixos níveis de hormônio tireoidiano.

“Pacientes reclamam que a mente parece mais ‘turva’. Sem o hormônio tireoidiano, tudo perde velocidade”, diz a Dra. Ashita Gupta, endocrinologista do Hospital Mount Sinai Roosevelt de Nova York. “Eu pergunto se continuam cansados até mesmo após uma noite inteira de sono. Se ainda assim se sentem confusos, pode ser que o culpado seja algo de hormonal – como a tireoide pouco ativa.” Outros sinais incluem sensação constante de frio, baixa libido e alimentos que não parecem tão saborosos quanto antes.

Como esses sintomas costumam ser vagos e aparentemente sem relação, é fácil ignorá-los. Os milhões de brasileiros que sofrem de algum transtorno da tireoide não sabem disso. Assim, se você tiver qualquer um desses sintomas, vale a pena fazer um exame. “Quando os pacientes são tratados com medicamentos para a tireoide, sempre se impressionam com o quanto ficam mais espertos, e  com o fato de os lapsos de memória e a dificuldade de concentração não se deverem unicamente à menopausa ou ao envelhecimento”, acrescenta a Dra. Gupta.

Explosões de raiva

Para muita gente, a depressão não se traduz em chorar ou ficar prostrado num sofá. Mais da metade dos pacientes com depressão sente irritabilidade e raiva; na verdade, esses sintomas estão associados a uma forma de depressão mais grave e de duração mais longa, segundo estudo de 2013 da Universidade da Califórnia em San Diego. “Caso clássico: o de uma pessoa que sempre foi tranquila ao volante e de repente passa a buzinar furiosamente sempre que leva uma fechada”, afirma o Dr. Philip Muskin, médico e professor de psiquiatria na Universidade de Colúmbia. As mulheres sofrem de depressão com mais frequência que os homens, mas estes são mais propensos a vivenciar a doença através da irritabilidade e da raiva, revela um estudo de 2013 da Universidade de Michigan.

Se você vive estourando com o seu cônjuge ou se qualquer aborrecimento deixa seu coração aos saltos – e essas reações já duram mais que duas semanas –, existe uma chance real de que a culpa seja da depressão.

Muitos casos de depressão grave respondem bem a uma combinação de antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental de curta duração.

Ronco

Sintoma conhecido da apneia do sono, o ronco é associado a um risco elevado de doenças cardíacas. Mas é possível que o ronco desempenhe um papel ainda maior na doença cardiovascular. Um estudo de 2013 mostrou que, até mesmo entre pacientes que não sofrem de apneia do sono, o ronco estava associado ao espessamento das artérias carótidas no pescoço; esse tipo de dano é um precursor de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e ataques cardíacos. O ronco foi mais fortemente associado a danos causados a essas paredes do que o tabagismo, o colesterol alto ou o sobrepeso. Por quê? Porque ele pode danificar as artérias carótidas que levam o sangue ao cérebro. “Acreditamos que as artérias reajam à vibração do ronco, uma vez que estão próximas da garganta”, diz a autora do estudo, Dra. Kathleen Yaremchuk, chefe do Departamento de Cirurgia Otorrinolaringológica, de Cabeça e de Pescoço, do Hospital Henry Ford, em Detroit.

Danos aos dentes

“É frequente dentistas me enviarem pacientes que não sentem azia ou outros sintomas de refluxo apesar de os dentes estarem gastos”, diz o Dr. Evan Dellon, especialista em gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Carolina do Norte. Muitos ficam chocados ao descobrir que sofrem de refluxo gastroesofágico. Bebidas açucaradas gastam os dentes à frente da boca enquanto o ácido do esôfago tende a dissolver o esmalte dos dentes posteriores.

Outros sintomas de refluxo sutis, porém suspeitos, incluem dor de garganta persistente, tosse, chiado no peito sem explicação ou um gosto ruim constante na boca. Se você ou seu dentista notarem qualquer um desses sinais, consulte um gastroenterologista. Sem tratamento, o refluxo não só provoca cáries como pode aumentar o risco de câncer de esôfago.

Mudanças na caligrafia

Quando alguém pensa em doença de Parkinson, pensa em tremores, mas um sinal de alerta ainda mais revelador é a caligrafia, que se torna muito menor. A análise grafológica identificou pacientes nos estágios iniciais da doença em 97% dos casos, segundo estudo israelense de 2013. “Eu peço aos pacientes que escrevam dez vezes frases como Hoje o dia está bonito”, diz o Dr. Michael S. Okun, diretor médico da Fundação Nacional de Parkinson, dos EUA. “À medida que eles escrevem, as frases vão ficando cada vez menores, as palavras mais próximas umas das outras.”

A doença de Parkinson ocorre quando as células nervosas do cérebro sofrem danos ou morrem. Elas param de produzir a quantidade habitual de dopamina, substância química que envia os sinais para que um movimento seja feito; isso causa o enrijecimento dos músculos de mãos e dedos, o que afeta a caligrafia. Outros dois sinais de alerta de Parkinson: a perda do olfato – o que leva a pessoa a não perceber aromas que dão água na boca – e sonhos muito intensos que a levam a se debater, chutar e dar socos enquanto dorme.

Se você notar algum desses sintomas – e eles durarem mais que duas semanas –, consulte um neurologista. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, melhor será a qualidade de vida do paciente. 

Hemorroidas

Aproximadamente um terço dos pacientes que sofrem da doença de Crohn – um transtorno inflamatório do trato gastrointestinal – tem um tipo que afeta unicamente a região do ânus. A doença se manifesta no formato de feridas, ulcerações ou carúnculas no exterior da região e que podem ser confundidas com hemorroidas. “Os pacientes reclamam que se sentar é muito desagradável, pois parecem estar apoiados em uma bola de gude”, diz o Dr. David Rubin, chefe de gastroenterologia do Centro Médico da Universidade de Chicago.

Esse tipo de doença de Crohn costuma ser o mais doloroso, além de ter os piores prognósticos, segundo o Dr. Rubin. (Deixada sem tratamento, a doença de Crohn pode levar a obstrução intestinal, fissuras e até câncer de cólon.) Se você tiver o que parecem ser hemorroidas, mas que não respondem a tratamento, o Dr. Rubin recomenda que consulte um gastroenterologista. 

Impotência

Homens de mais de 45 anos que não sofriam de doença cardíaca, mas que apresentavam disfunção erétil de moderada a grave, tinham 60% mais probabilidade de ser internados em função de problemas no coração num período de quatro anos, segundo um estudo australiano de 2013. As artérias que chegam ao pênis são menores que as de outras partes do corpo, então podem ficar obstruídas antes de um homem ter qualquer outro sinal de doença cardíaca.

“É embaraçoso. Muitos homens evitam discutir o problema com o médico”, diz a Dra. Nieca Goldberg, cardiologista de Nova York. “Mas é muito importante que não o ignorem e que sejam examinados na busca de possíveis doenças cardíacas.” Se esses homens tiverem outros fatores de risco, como histórico familiar de doença cardíaca, o médico poderá recomendar um exame de detecção avançada, como a tomografia computadorizada das artérias coronárias, para determinar o nível de cálcio.

Idas frequentes ao banheiro

Quando se começa a desenvolver diabetes tipo 2, o corpo fica menos eficiente em transformar alimentos em açúcar para usá-lo como combustível. Resultado: o açúcar se acumula na corrente sanguínea, onde provoca danos silenciosos, porém significativos, a vasos sanguíneos e nervos, segundo a Dra. Ashita Gupta. Seu corpo tenta, desesperadamente, livrar-se do acúmulo de glicose eliminando-a pela urina. Tradução: “Você vai ao banheiro com mais frequência e produz um volume muito maior de urina”, diz a Dra. Gupta. É possível que você se pegue levantando algumas vezes durante a noite para urinar. E talvez sinta mais sede.

Pergunte ao médico sobre a possibilidade de fazer um A1C, exame de sangue que mede a média de glicose no seu sangue durante um período de três meses. “Quanto mais cedo o diabetes tipo 2 for diagnosticado, mais chance você tem de revertê-lo com mudanças no estilo de vida, como perda de peso e exercício”, explica a Dra. Gupta.

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