Você consegue manter a calma diante de uma dessas emergências que surgem para estragar as férias ou o fim de semana? Ou entra em pânico e piora a situação? Marque a resposta certa para cada uma das perguntas a seguir e depois consulte as respostas e descubra se os especialistas concordam com sua escolha.

1. Você e dois amigos partem para uma caminhada no Parque das Cachoeiras, em Bonito (MS). No meio da tarde, as nuvens tomam o céu e se transformam numa tempestade. O que você e seus amigos devem fazer?

( a ) Abrigar-se debaixo de uma árvore.
( b ) Agachar-se em local descampado, como uma clareira.
( c ) Encostar-se numa cerca para admirar a chuva.


2. Você sai com seu cachorro para uma volta no calçadão da praia. De repente, um cão mais nervosinho aparece, ataca o seu e os dois começam a brigar ferozmente. Que atitude você e o dono do outro animal devem tomar?

( a ) Bater em quem começou a briga.
( b ) Gritar até que eles parem.
( c ) Erguer do chão as patas traseiras de ambos os cães.


3. Durante um passeio no campo, sua filha é picada por uma abelha. Depois de acalmá-la, você deve...

( a ) Puxar o ferrão.
( b ) Raspar com o cartão de crédito.
( c ) Espremer com os dedos.


4. Você está deitado numa rede na varanda, naquela cidadezinha praiana escolhida justamente porque você quer ter um pouco de paz. De repente, um garoto da vizinhança aparece com um caco de vidro cravado bem fundo no braço, pedindo sua ajuda. Você...

( a ) Tenta estancar o sangue com um pano limpo.
( b ) Faz um torniquete para conter o sangramento.
( c ) Cobre a ferida com pó de café, que tem efeito coagulante.


5. Você está passando férias na praia. Como nada bem, ultrapassa a arrebentação e é surpreendido pela correnteza, afastando-se cada vez mais da praia. O que você faz?

( a ) Junta todas as suas forças e nada em direção à praia.
( b ) Vira-se de barriga para cima e procura ficar boiando até chegar ajuda.
( c ) Nada para o lado até não sentir mais a correnteza.


6. Ao anoitecer, numa estrada rural de volta ao hotel-fazenda em que está hospedado com a família, você bate seu carro de frente, mas em velocidade baixa, num caminhão. Só seu carro sofre avarias. Os faróis estão quebrados. O que você deve fazer?

( a ) Ligar para a seguradora o mais rápido possível.
( b ) Seguir viagem até uma oficina.
( c ) Negociar um acordo pelo prejuízo.


7. Você e seu amigo estão num barco a remo. A pescaria está fraca, vocês cochilam e são arrastados para alto-mar. Quando acordam já está anoitecendo. Vocês têm dois sanduíches e um litro de água. Qual é o plano?

( a ) Comer os sanduíches para ganhar energias.
( b ) Jogar os sanduíches no mar.
( c ) Guardar os sanduíches e a água para o dia seguinte.


8. Numa estrada, ao atravessar de carro uma densa floresta de eucaliptos, você percebe que a vegetação à sua volta está pegando fogo. Na curva seguinte, descobre que à frente há mais fogo e fumaça. Você está cercado. O que faz?

( a ) Fecha as janelas e permanece dentro do carro.
( b ) Sai rápido do carro, procura uma clareira e se cobre com um cobertor.
( c ) Segue em meio à fumaça e ao fogo.


9. Você e sua família estão hospedados em chalés na estrada que margeia o Rio Itajaí, em Santa Catarina. No meio da tarde, uma chuva forte começa a cair e logo o rio sobe e ameaça transbordar a qualquer momento. Você deve:

( a ) Manter-se calmo e no local, porque provavelmente a água não vai alcançá-lo.
( b ) Dirigir-se imediatamente para uma área mais elevada.
( c ) Arrumar as malas, pagar a conta e voltar para casa.


10. Seu filho, empolgado, sai para dar uma pedalada com a nova bicicleta de 16 marchas que ganhou no Natal. Volta meia hora depois empurrando a bicicleta e com o dente da frente na mão. Você deve:

( a ) Jogar o dente fora.
( b ) Guardar o dente num copo com soro fisiológico.
( c ) Guardá-lo num copo com água e uma gota de vinagre.


   [Respostas]


1 b "Se não houver uma casa ou um carro que sirva de abrigo aos raios (que são o grande perigo em casos como esse), a recomendação é se agachar numa área descampada e manter a cabeça baixa." A orientação é do capitão Sebastião Gaudence Omena, da Defesa Civil de Mato Grosso do Sul. O estado pantaneiro, formado por amplas planícies, é o que mais sofre com a incidência de raios. Mas esse tipo de acidente ocorre também no restante do país, o mais atingido por raios no mundo (70 milhões por ano). "Aqui na região, os raios caem duas ou mais vezes no mesmo lugar", brinca o oficial, que recomenda: "NÃO se abrigue debaixo de árvores e NÃO fique próximo de cercas de arame, que atraem as descargas elétricas."


2 c Márcio Ferreira da Silva, adestrador do Canil Escola Cães de Proteção, em Camboriú (SC), diz que a atitude a ser tomada depende das circunstâncias, mas dá a dica básica: "Para interromper a briga, é preciso segurar com firmeza as duas patas traseiras do seu cão e elevá-las do solo. Na hora, ele pára." O problema pode ser o outro cão. "Se o dono dele se afastar, por medo, ou se for um cão de rua, será difícil acalmá-lo. Nesse caso, é preciso pedir auxílio. Mas, se possível, deve-se evitar agressões ao animal."


3 b "A primeira atitude é afastar a pessoa do local onde foi picada, que pode ter outras abelhas", alerta o biólogo Ricardo Bisotto, do SOS Abelhas de Porto Alegre (RS), serviço especializado na remoção de enxames de abelhas e vespas. "NÃO tente puxar o ferrão, pois ele pode se quebrar e espalhar mais o veneno. O correto é raspar a pele com algum objeto, como um canivete ou um cartão de crédito." O perigo é a alergia. "Pode haver reação alérgica branda, como coceira, ou mais grave, que necessite de socorro rápido. Quanto menor for a criança, maior a efetividade do veneno", avisa o biólogo, cujo trabalho dobra nos meses mais quentes, quando também dobra o número de abelhas e vespas voando no campo e até nas cidades.


4 a "Se o caco puder ser retirado, faça-o com cuidado para que não quebre", recomenda o Dr. Luiz Roberto Vianna de Oliveira, chefe do serviço de pediatria do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, unidade que faz cerca de 6 mil atendimentos pediátricos de emergência a cada mês. "Depois, com o auxílio de gaze, chumaço de algodão ou pano limpo, pressione a ferida para estancar a hemorragia. Faça então a assepsia com água e sabão comum." NÃO apele para soluções populares, como açúcar e pó de café. NÃO faça um torniquete. "Este pode aumentar o sofrimento do tecido atingido e só deve ser usado se a hemorragia não parar de forma nenhuma."


5 c Leonardo Araújo, salva-vidas do Grupamento Marítimo de Copacabana, praia mais freqüentada e com maior número de ocorrências de salvamento da orla carioca, faz uma advertência: "NÃO nade contra a corrente. Mesmo um bom nadador vai se cansar." Ele indica três atitudes: manter a calma, tentar nadar lateralmente à corrente para fugir de alguma vala e aguardar a ajuda especializada, que sempre vem. "Não esgote as energias; é isso que leva ao afogamento", explica.


6 a Mesmo que o veículo possa prosseguir, verifique antes o seu estado. "Se o radiador estiver furado ou os faróis quebrados, é impossível prosseguir", alerta Márcio Montesani, do Núcleo de Perícias Técnicas de São Paulo. "O prejuízo pode se agravar e a seguradora não vai se responsabilizar integralmente." Decidido o que vai ser feito do carro, é preciso coletar o máximo de informações para descomplicar o processo na seguradora. "Anote placas, nomes, endereço e, se tiver um celular com câmera, fotografe os veículos." E NÃO faça acordos no local. "Se ficar comprovada a culpa do outro motorista, você pode receber a franquia de volta", diz Montesani. "E nunca viaje sem o telefone 24 horas da seguradora. Ligue o mais rápido possível."


7 c Nas primeiras 24 horas, nada de sanduíche nem água. "Você não sabe quanto tempo vai levar para ser resgatado. Nas primeiras horas, portanto, deve aproveitar a água e a energia que tem armazenadas no corpo", explica o suboficial da Marinha João José, instrutor de cursos de sobrevivência no mar. E a grande preocupação é a água. "Água é o elemento essencial da vida. Temos relatos de náufragos que viveram até três semanas sem alimentos. Sem água ninguém fica mais de três dias." Outras dicas: proteja-se o máximo possível do sol e NUNCA beba água do mar. Com sorte, o seu celular vai acabar dando sinal. "Peça então à família que informe sua localização à Delegacia dos Portos da região", instrui o suboficial, lembrando que esse tipo de acidente é comum na costa brasileira. "A Baía de Guanabara, na vazante, tem uma corrente que puxa para o alto-mar", exemplifica.


8 a O engenheiro florestal Antonio Carlos Batista, do Laboratório de Incêndios Florestais da UFPR e doutor em Ciências Florestais, dá a dica: "Observe dois aspectos do incêndio: a direção e a intensidade. O fogo se propaga na direção do vento e no sentido ascendente das encostas." Se estiver cercado, NÃO saia do veículo. "Além de estar mais protegido do calor irradiado pelo fogo, é mais rápido escapar de carro do que a pé", lembra o professor. "Não há risco de explosão imediata sem contato direto com o fogo", tranqüiliza ele. No entanto, se você estiver a pé ou de bicicleta, a recomendação do engenheiro florestal é outra: "Queime a vegetação ao redor, abrindo uma área ampla e mantenha-se abaixado e coberto, junto ao solo."


9 b "O verão é um período com pancadas de chuvas de fim de tarde, que provocam alagamentos rápidos. Portanto, NÃO demore a tomar uma providência", diz Altair Kistenmacher, técnico da Defesa Civil de Blumenau, cidade em que é comum esse tipo de ocorrência. "Primeiro, conduza a família a um local mais alto e abrigado. E leve apenas água, poucas roupas e documentos. Só depois começa a tarefa de tentar salvar outros bens." Em algumas cidades turísticas, prefeituras e hotéis têm planos de contingência para enfrentar essas situações. "O período de dezembro a março é mais propício a este tipo de ocorrência", diz Kistenmacher, alertando também contra o perigo das chuvas torrenciais em rios e córregos.


10 b É fundamental agir com rapidez para garantir as possibilidades de reimplante. "Procure logo um serviço de emergência odontológica", diz Antônio Carrilho Neto, chefe da divisão clínica da Clínica Odontológica da Universidade Estadual de Londrina. "NÃO jogue o dente fora. Guarde-o em soro fisiológico ou, na falta deste, em água potável." Vinagre, sal e outras substâncias podem prejudicar as chances de salvar o dente.

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