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Publicado em: 6 de junho de 2021

A escolha do caminho na pista de dança

O rapaz que dançava percebeu e se misturou aos outros, depois sumiu no fundo da pista.

Imagem: Deagreez/iStock

Naquela idade já sabia: a escolha de um caminho que pode mudar uma vida inteira é feita nas decisões aparentemente simples. Cuidado – qualquer passo em falso pode gerar um desequilíbrio eterno. Ela sabia disso, mas só no inconsciente.

Era festa de fim de ano da escola. Ela estava perdidamente apaixonada pelo melhor aluno da sala. Era um garoto moreno, magro, falava pouco, tinha um riso alto e a ajudava nas provas de biologia. Se alguma vez fez foi ótima no capítulo dos insetos, isso se deve a ele, que lhe passou a prova inteira.

Terminado o ano, estava livre para novos momentos na faculdade. Só que tinha uma festa no meio do caminho. E no meio do caminho da festa tinha uma pista de dança. E antes da pista de dança, tinha ele, o tal garoto “biológico”, e um outro, mais alourado, mais falante, que dançava na sua frente, como se pedisse para ela se juntar a ele. Ela começou a movimentar os pés, quase entrou na pista. Adorava dançar.

Só que alguns centímetros atrás estava o outro… Não poderia perdê-lo de vista, logo agora que cada um entraria em uma faculdade diferente. Então ela recuou. O dançante percebeu e se misturou aos outros, depois sumiu no fundo da pista.

Ela se virou e deu de cara com o que não dançava. Ele sorria.

– Não sei dançar. Só mexo um pouco os pés.

Mostrou o desengonço dos pés se mexendo sem nenhum ritmo.

Ela achou a confissão linda. E ficou ao lado dele, sem dançar, a festa inteira.

Antes de irem embora, ela ganhou um beijo. Ficaram juntos. Não se separaram por vários e vários anos. Todo um caminho de vida foi traçado ali, quando ela decidiu se virar para o outro lado, em vez de entrar na pista de dança.

Quantas decisões importantes são tomadas quando se escolhe um lado do caminho em vez de outro…

A dúvida era: como tinha conseguido ficar tanto tempo com quem não sabia dançar?

Algumas perguntas não têm respostas.

POR CLAUDIA NINA – claudia.nina@selecoes.com.br

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Claudia Nina
Claudia Nina
Toda a minha ficção tem um pouco de confissão – pessoal ou da vida alheia. Acho que eu trouxe do jornalismo essa mania de tomar conta do mundo e, de alguma forma, transformar em texto o reflexo deste mundo em mim. Tenho 13 livros publicados – do romance ao infantil, passando pelo conto e os ensaios. Acho que só falta a poesia, mas esta eu fico devendo.

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