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Publicado em: 1 de maio de 2021

Empoderamento dos anos 90

Terminei com um e comecei a namorar com outro na mesma festinha.

Imagem: Michal Oska/iStock

Empoderamento infantil. Ah, que coisa linda e inocente.

Eu devia ter não mais do que 13 anos.

Talvez 12.

Meu pai me levou numa festinha na minha rua.

Ele dirigia uma Paraty branca. Duas portas.

Lembro como se fosse hoje.

Saí do carro e caminhei até a portaria, dizendo que iria na festinha da Amanda.

Amanda não era bem minha amiga.

Estudava um ano acima.

Mas em colégio de bairro, todo mundo se conhecia e se convidava pras festinhas.

Subi até o play, que era grande.

Em uma parte, uma pista de dança tinha sido posta, com luzes e aquelas músicas animadas da época.

Lulu Santos, Vinny, Luka, Los Hermanos com a sua “Anna Julia”.

Só os HITS da época.

Na época, era a minha vez de namorar um dos meninos mais populares do colégio.

Então, muito que bem.

Encontrei o menino lá e fui chamá-lo pra dançar.

Ele mal olhou pra minha cara.

Ficou conversando com outras meninas.

Chamei de novo, ele recusou.

Fui pra pista sozinha.

Não era hora de ficar triste.

Eu não tinha tempo a perder.

Naquele momento, eu entendi o que era empoderamento adolescente.

De lá, avistei um outro menino que eu conhecia.

Alto, cabelinho liso em formato de cuia.

Começamos a dançar e ele pegou na minha mão.

Ficamos fazendo o movimento do reco-reco de quadrilha de festa junina.

Eu me sentia num comercial de pasta de dente.

Riamos muito, flertando inocentemente.

Eu nem tanto.

Entre uma dança e outra, meu namoradinho veio tirar satisfações comigo porque eu estava dançando com outro.

Eles estudavam na mesma sala, portanto, se conheciam.

Não satisfeito, começou uma briga com o meu atual flerte da pista de dança.

Não me lembro ao certo como aconteceu, mas nos minutos que se seguiram, terminei com um e comecei a namorar com outro.

Na mesma festa.

E com quase 13 anos.

Entrei no carro do meu pai, quando ele foi me buscar

– Tô namorando – anunciei, triunfante.

Quando foi que perdemos nossa autoestima?! Seríamos mais felizes se sempre agíssemos como se tivéssemos 13 anos.

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.

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