O “boom” das transmissões ao-vivo, também conhecidas como lives, é um dos efeitos da quarentena devido ao novo coronavírus. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o isolamento social para achatar a curva de disseminação da Covid-19, artistas do mundo inteiro se dispõem a fazer apresentações direto de suas casas, atraindo a atenção de milhões de pessoas e promovendo doações.

Mas tanta popularidade também chamou a atenção de cibercriminosos, que estão utilizando canais falsos para enganar usuários de plataformas de streaming.


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No Brasil, as lives da cantora Marília Mendonça e da dupla Jorge & Mateus ultrapassaram os 3 milhões de acessos simultâneos no YouTube. Gusttavo Lima, um dos pioneiros do movimento, e os irmãos Sandy & Junior também fizeram muito sucesso, com mais de 2 milhões de espectadores conectados ao mesmo tempo.

Em um primeiro momento, os canais falsos apenas replicavam o sinal dos perfis oficiais dos artistas, roubando a audiência. Para isso, copiavam também a foto de capa dos vídeos e o título da transmissão. Para usuários desavisados e menos experientes, não era difícil confundir os perfis e acessar uma “fake live”.


(Imagem: pressureUA/iStock)

Mas com a grande onda de doações feitas por meio das lives oficiais, os criminosos ajustaram seu alvo para desviar também as contribuições feitas pelos usuários. Para isso, divulgaram dados falsos e até QR Codes (códigos exibidos na tela do computador ou celular) modificados.

Como escapar de lives falsas

Com o aumento das “fake lives” na primeira quinzena de abril, o YouTube vem tomando providências, junto às gravadoras e aos artistas, para tirar do ar os canais mal-intencionados. No entanto, há algumas orientações simples que os usuários de plataformas de streaming podem seguir para evitar golpes como estes.

O principal é buscar sempre pelos canais oficiais do artista, seja no Instagram, no YouTube ou no Facebook. Cantores renomados, como Mendonça, contam com símbolo de verificação que indica a veracidade do perfil.

Evite clicar em links enviados por WhatsApp ou outra rede social sem conferir a sua origem, por mais que o remetente seja um conhecido. Leia atentamente o endereço para identificar possíveis alterações em letras que, normalmente, passariam despercebidas.

Cuidado com as “lives de aquecimento”. Muitos canais têm usado a imagem de artistas sem autorização para promover um “esquenta” antes dos shows oficiais. Não faça doações enquanto estiver nesses perfis.

Ana Marques
Ana Marques
Jornalista formada pela UFRJ, Ana é entusiasta de tecnologia, dos dispositivos móveis e da inteligência artificial, mas também defensora das relações humanas e das conexões feitas por meio de encontros. Sua relação com a cobertura tecnológica teve início em 2016, no TechTudo, ainda como estagiária. Em 2018, passou a integrar a equipe de Conteúdo do comparador Zoom.com.br, onde foi editora de Mobile (Celulares, Tablets e Wearables) & Eletrônicos até agosto de 2020. Atualmente é autora no Tecnoblog.