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Publicado em: 20 de fevereiro de 2021

Não posso, é aniversário do meu cachorro

Precisamos normalizar as desculpas de que não podemos sair porque é aniversário do nosso cachorro.

Imagem: SeventyFour/iStock

Precisamos normalizar a desculpa que não podemos fazer algo por causa dos nossos animais de estimação. Hoje é aniversário do meu cachorro, por exemplo, e eu já recusei dois convites pra sair por causa disso. Recusaria até convite pra tomar sorvete hoje.

Há 3 anos, quando minha mãe me encheu a paciência para adotar um cachorro, nós fomos até a feirinha de adoção. Estava fechada e encontramos outra aberta.

Não foi nada muito planejado.

Macho? Fêmea? Ela se encantou com um caramelinho deitado de bruços, pernas pra trás e braços pra frente e com a fuça enfiada no meio das patinhas. Emburrado. Enquanto seus irmãos brincavam no mesmo cercadinho.

-- Eu quero aquele emburrado ali. – disse minha mãe, pedindo pra moça da feira.

Ele veio pro colo dela, depois pro meu. Pegamos as recomendações. Podia chegar a 20 kg, porte médio. Não era nada comparado a nossa antiga poodle também caramelo, que devia pesar no máximo 8 kg.

Chegamos em casa e ele dormiu a tarde inteira.

Nos dias seguintes, o cachorro comeu móveis, piso, sapatos mil.

Minha mãe cogitou devolvê-lo (eu achei um absurdo) e justamente nesse dia ele dormiu com a cabecinha em cima da cabeça dela, e os astros entraram em harmonia para que ele, enfim, ficasse.

É clichê dizer que um cachorro nos traz amor, mas o nosso cão, o Berlim (quem assistiu La Casa de Papel?!) trouxe paz pra nossa casa. Eu e minha mãe temos uma relação de muito mais amor e companheirismo por causa dele. Nós fazemos programas juntas com ele, nós consideramos ele na nossa vida e na nossa rotina. Para alguns, prisão; Para outros, companhia.

Então, não. Não posso sair. Estarei muito ocupada fazendo bolo de carne e ovos pro meu aniversariante de quatro patas. Por favor, marque outro horário e outro dia. E me traga sorvete.

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.

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