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Publicado em: 31 de agosto de 2021

Mitos e verdades sobre o consumo de vinho

O consumo da bebida aumentou nos últimos anos, mas é preciso ter cuidado com o exagero

Imagem: Jag_cz/iStock

Você sabia que o consumo de vinho no Brasil cresceu durante a pandemia de Covid-19? Dados da Organização Internacional do Vinho (OIV) apontam que os brasileiros beberam 430 milhões de litros em 2020; em média, 2,6 litros por habitante.

Os números representam um aumento de 18,4% em relação ao ano anterior. Esse foi o maior índice registrado no país desde 2000, na contramão da tendência mundial que é de queda.

A mudança de comportamento acende um sinal de alerta e alguns questionamentos. Até que ponto é seguro consumir vinho? É verdade que uma taça por dia ajuda no combate de doenças do coração?

Vou responder a essas e outras perguntas na coluna de hoje. Acompanhe.

Produção de vinhos

Os vinhos variam conforme o tipo de uva e o método de fabricação. De uma maneira geral, fabricar vinhos envolve etapas, como análise criteriosa das uvas, desengace (separação da uva do engaço, que é o esqueleto do cacho), esmagamento (exposição do mosto da uva), prensagem do mosto, fermentação (alcoólica e malolática), estabilização, filtração e envase.

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A maceração é o período em que o mosto permanece em contato com a parte sólida da uva, especialmente a película e a semente. Essa etapa é a que diferencia o processo de elaboração do vinho branco e do tinto. A maceração do vinho tinto pode chegar até 30 dias, enquanto a do vinho branco não passa de 3 dias. É nesse período que os compostos da película passam para o mosto e atribuem cor (antocianinas) e estrutura (taninos, minerais, substâncias nitrogenadas, polissacarídeos) ao vinho.

Já o vinho rosé é feito da mesma forma, mas com tempo de maceração mais curto do que o tinto. Por isso, ele tem um aspecto rosado. Interessante, não acha?

A produção do vinho branco necessita que as cascas sejam separadas do mosto mais rápido, além disso, a prensagem é mais suave. Ele ainda precisa ser armazenado em temperatura baixa para garantir leveza e um aroma suave.

Enquanto na elaboração do vinho tinto a maceração é uma das etapas mais importantes, no vinho branco, as etapas pré-fermentativas, como extração e clarificação do mosto antes da fermentação, são as mais relevantes.

Sabia que os espumantes também são vinhos? E eles também podem ser divididos em tinto, rosé e branco. As bolhas do vinho espumante aparecem por causa do gás carbônico resultante do processo duplo de fermentação.

Dúvidas sobre o consumo de vinho

Vale destacar que os polifenóis, substâncias presentes na uva, são os responsáveis pelo benefício do vinho. Esses nutrientes estão presentes nas cascas e sementes, por isso, os vinhos tintos tendem a apresentar maior concentração de polifenóis.

Então, é comum recomendar o consumo do vinho tinto, mas sempre com moderação, está bem? Continue a leitura para saber mais curiosidades sobre o novo queridinho dos brasileiros.

Uma taça de vinho por dia faz bem para a saúde?

Esta pergunta não tem uma resposta concreta. Existem propriedades benéficas na uva, mas devemos ter em mente que estamos falando de uma bebida alcoólica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existe um padrão de consumo de álcool totalmente seguro. Mas consumir pequenas quantidades apresenta baixo risco para a saúde.

Já o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) define uma dose padrão de 14 g de etanol puro por dia. Na prática, isso significa que mulheres podem consumir uma taça (150 ml), enquanto homens podem beber até duas taças por dia.

Todos podem beber vinho?

Não. Grávidas, dependentes alcoólicos e menores de 18 não podem consumir a bebida. O mesmo vale para pessoas que vão dirigir, pois, além de perigoso, a combinação de álcool e direção é passível de multa.

Pacientes com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares, renais, hepáticos e estomacais e distúrbios psiquiátricos, precisam consultar um médico para liberar o consumo de vinho.

Pode beber vinho e tomar remédio?

Depende. O álcool é uma substância tóxica e, por isso, interfere na ação de muitos medicamentos. A combinação de vinho e remédios pode intensificar os efeitos colaterais, diminuir a eficácia da medicação ou, até mesmo, causar danos ao fígado.

O Conselho Regional de Farmácia de São Paulo divulgou uma campanha, durante o Carnaval de 2020, alertando sobre as reações possíveis do álcool com várias medicações, como calmantes, antibióticos e analgésicos.

Por isso, recomendo que consulte o seu médico antes de ingerir bebida alcoólica durante um tratamento com medicamentos.

Vinho previne doenças cardiovasculares?

Sim. Como citei anteriormente, o vinho tem polifenóis, antioxidantes que combatem o envelhecimento e ajudam a proteger o corpo de doenças. De acordo com uma pesquisa realizada com mais de 5,7 mil pessoas e publicada no American Journal of Cardiology, o consumo moderado do produto está associado a melhores níveis de HDL, o colesterol bom.

Porém, a instituição também destacou que o exagero pode ter o efeito contrário, já que o aumento na pressão arterial anula os benefícios para o coração.

Vinho previne cárie?

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Sim. Os polifenóis ajudam na proteção contra problemas bucais e ainda tem ação preventiva e curativa na placa e cárie dentárias, que são causadas por bactérias como Streptococcus mutans. Mas, calma! Por ser uma bebida mais ácida, o consumo em excesso e higiene inadequada podem corroer o esmalte do dente e desenvolver manchas e cáries.

Por isso, escove os dentes após ingerir vinho.

Vinho melhora a digestão?

Sim. Pesquisadores alemães descobriram que consumir vinho ou outra bebida fermentada, após a refeição, ajuda na liberação de ácido gástrico, que atua no processo digestivo. E, quando misturado com carne vermelha, os malonaldeídos, gorduras presentes na proteína, são neutralizados.

Vinho ajuda no emagrecimento?

Não. A dieta mediterrânea é responsável por este mito, já que permite o consumo de álcool com um cardápio composto por vegetais, peixes e nozes. 

Embora os polifenóis tenham muitos benefícios, uma taça pequena de vinho pode ter quase 100 kcal. Caso busque emagrecer, consulte um nutricionista para desenvolver um cardápio com base no seu perfil.

Vinho atrapalha a atividade física?

Bastante. O álcool altera o equilíbrio, o tempo de reação e outras habilidades motoras necessárias para a prática de atividades físicas. Além disso, pode diminuir o uso da glicose pelos músculos, atrapalhando o gasto energético do corpo.

Um estudo divulgado pelo Journal of the International Society of Sports Nutrition revelou que os polifenóis combatem o estresse oxidativo causado pelo exercício, mas o consumo de vinho não é recomendado.

Vale optar por concentrados de uva e frutas vermelhas que têm grande quantidade dessa substância.

Vinho melhora o sistema imunológico?

Sim. Experimentos com macacos sugerem que o consumo moderado de etanol pode melhorar a imunidade. O resveratrol, principal polifenol do vinho, também é reconhecido pelo seu poder anti-inflamatório.

Entretanto, lembro que exagerar no consumo pode ter o efeito contrário.

Vinho melhora as taxas de colesterol?

Sim. Como dito anteriormente, os polifenóis, presentes no vinho, estão associados ao aumento do colesterol bom, HDL. Ele é responsável por remover a gordura acumulada nas artérias e transportá-la até o fígado, que promove a excreção.

Os resultados são ainda melhores se o cardápio diário contiver pratos saudáveis, ricos em fibras.


Apesar de a bebida oferecer alguns benefícios, por causa de substâncias que fazem bem para o corpo, o consumo diário deve ser estabelecido sob orientação de um profissional. Por isso, incentivamos que procure um nutricionista ou um nutrólogo.

Pryscilla Casagrande
Pryscilla Casagrande
Mestre em Alimentos e Nutrição pela UNIRIO, graduada em Engenharia de Alimentos pela UFRRJ, pós-graduada MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e especialista em Chocolates e Açúcares pelo Central College of the German Confectionery Industry (ZDS) em Solingen, Alemanha. Atualmente é Coordenadora do Centro de Competência de Alimentação e Saúde da PROTESTE – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.

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