“Nossa, vamos fazer esse treino que a gente consegue ficar com o corpo dela!” Foi exatamente o que ouvi vindo de duas alunas na academia que não paravam de olhar para o celular, enquanto eu estava na academia fazendo meu treino de musculação.

Eu havia percebido que alguns movimentos que elas faziam estavam errados, e ambas pareciam estar treinando bem acima de suas capacidades, e correndo risco de lesão. Já tinha passado perto delas, dado uma espiada na tela do celular e notado que elas estavam copiando um treino que viram numa rede social. Fiquei calado.

No entanto, depois que ouvi o que disseram, senti que não podia mais ficar quieto. Me aproximei, me apresentei e falei com elas: “Tomem cuidado ao copiar o treino de alguém, cada organismo é único e cada pessoa deve ter um treino individualizado.”

Uma delas me respondeu: “Mas, professor, ela tem milhares de seguidores, o maior corpão e tá sempre postando bons exercícios.” Argumentei rapidamente que aquilo era perigoso e fui terminar meu treino.

Não adiantou muito, pois ambas continuaram fazendo os exercícios de forma errada e de olho no celular. Saí da academia refletindo sobre o ocorrido e me lembrei das tantas vezes que já presenciei uma situação semelhante.

Infelizmente isso tem acontecido bastante. Vejo muitas pessoas que não são professores de educação física prescrevendo treinos, dando dicas, etc. Isso, além de ser exercício ilegal da profissão, é perigoso demais, pois muitas pessoas se iludem com o tal “número de seguidores” e copiam os treinos. Ao fazerem isso, essas pessoas correm muitos riscos como, por exemplo, lesão.

No treinamento, existe um princípio chamado individualidade biológica que afirma que cada pessoa é única, tem diferentes respostas e que o treino deve ser elaborado considerando o histórico dessa pessoa assim como seus objetivos. Até gêmeos terão respostas diferentes, uma vez que o fenótipo (tudo aquilo que a pessoa vai vivendo ao longo do tempo) exerce enorme influência no treinamento. 

Existem muitos objetivos para quem faz atividade física: emagrecimento, ganho de massa muscular, melhora de condicionamento, preparação física, qualidade de vida, dentre outros e junto com o histórico de atividade devem ser considerados.

Ao ingressar num programa de atividades físicas, toda e qualquer pessoa deve passar por uma avaliação (lembrando que o primeiro passo é procurar um médico para saber se está apto a prática de atividade física), expor seus objetivos e histórico para um professor de educação física.

Tudo isso deverá ser considerado para que o programa seja montado. O programa deve ser único, específico e considerar os objetivos da pessoa, respeitando suas limitações. Não se deve copiar o treino de ninguém, muito menos seguir treinos que não tenham sido elaborados por um professor de educação física.

O seu treino deve ser seu. Feito para você, respeitando seus limites e considerando seus objetivos. 

André Messias
André Messias
Mestre em Ciências Cardiovasculares pelo Instituto Nacional de Cardiologia, o professor e personal trainer André Messias tem como prioridade a saúde e a qualidade de vida. Ele acredita que as escolhas relacionadas ao estilo de vida, em especial à prática de exercícios físicos, são essenciais para nossa saúde física, mental e social. E que, portanto, cabe a todos nós uma reflexão de como estamos vivendo.