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Publicado em: 1 de dezembro de 2020

Para você que investe na bolsa de valores: cuidado com os influencers

É importante buscar profissionais experientes para não cair em uma furada.

Imagem: Ridofranz/iStock

O número de pessoas investindo na bolsa triplicou no último ano. Em 2019, o número de pessoas físicas cadastradas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) chegou a 1 milhão. Em 2020, já são mais de 3 milhões de pessoas física investindo em ações.

Desde o final de 2017, com a expectativa de recuperação da recessão dos anos anteriores, o número de investidores aumenta na B3. Entre 2011 e 2016, o total de pessoas físicas registradas na B3 resultava numa média de 574 mil pessoas.

De 2017 para 2018, houve um aumento de mais de 194 mil novos investidores ultrapassando a marca dos 813 mil. Em 2019, ultrapassou a marca de 1 milhão. Em outubro deste ano, esse número ultrapassou os 3,147 milhões. Esses números foram divulgados por uma análise feita pela XP Investimentos.

Isso é muito positivo tanto para as pessoas físicas, que passaram a buscar outras formas de investimentos, quanto para empresas, que recebem esses recursos. Porém, os analistas especializados comentam sobre os riscos que esse aumento representa.

Para os analistas, esse crescimento decorreu de dois fatores principais. Em primeiro lugar a redução da taxa básica de juros, a SELIC. E em segundo lugar a tentativa das pessoas de ganharem dinheiro rapidamente apostando na valorização de ações. E aí é que está o maior perigo!

No primeiro caso, a queda da SELIC ao menor percentual histórico, derrubou também a rentabilidade dos investimentos de renda fixa. Eles são atrelados ao CDI, índice que acompanha a variação da SELIC. Isso causou uma migração de investimento da renda fixa para a variável.

O investimento em ações é um dos principais tipos de investimento de renda variável. Mas não se pode esquecer que os investimentos em renda fixa são menos arriscados. Ou seja, tem menos chance de perda. Já os investimentos em renda variável, que possuem maior risco de perda, costumam ter maior rentabilidade, justamente por conta desse risco.

No segundo caso, com o aumento do desemprego, agravado pela pandemia, as pessoas vêm tentando obter renda negociando ações. A expectativa é comprar ações a valores mais baixos, apostar na valorização e então revendê-las, a um preço maior.

O objetivo dessa operação é garantir um lucro no curto prazo. Ela é muito arriscada e vem sendo incentivada por influenciadores de redes sociais, os famosos traders. Eles prometem o enriquecimento rápido e sem esforço, através de operações na bolsa de valores.

O mercado de valores mobiliário é fiscalizado

Quem fiscaliza e determina regras que as empresas devem cumprir para negociar suas ações é a Comissão de Valores Mobiliário – CVM. Ela também regula e fiscaliza a atuação dos profissionais que atuam no mercado.

Desconfie de promessas de enriquecimento rápido

Recentemente um trader fez uma recomendação de investimento, numa rede social, que levou muitas pessoas a perderem dinheiro. Obviamente ele desapareceu da rede nos dias subsequentes. O aumento do número desses perfis nas redes sociais levou a CVM a se pronunciar sobre essa atividade.

O órgão que regula o mercado de capitais emitiu um pronunciamento com esclarecimentos sobre a atividade, divulgado no site da autarquia:

“A área técnica da Autarquia ressalta que analista de valores mobiliários é a pessoa natural ou jurídica que, em caráter profissional, elabora relatórios de análise destinados à publicação, divulgação ou distribuição a terceiros, ainda que restrita a clientes. A expressão “relatório de análise” significa quaisquer textos, relatórios de acompanhamento, estudos ou análises sobre valores mobiliários específicos ou sobre emissores de valores mobiliários determinados que possam auxiliar ou influenciar investidores no processo de tomada de decisão de investimento (art. 1º, §1º, da Instrução CVM 598).”

“Grifamos o termo ‘em caráter profissional’ para destacar que somente as pessoas que atuam com esse cunho é que necessitam de credenciamento para o exercício da atividade de analista de valores mobiliários. O caráter profissional fica caracterizado, por exemplo, quando há uma constância na divulgação das análises e recebimento de remuneração, ainda que indireta” — explica Daniel Maeda, Superintendente de Relações com Investidores Institucionais (SIN/CVM).”

Informação é sempre o segredo do sucesso

Para saber escolher em que ações investir, é necessário conhecer ao menos um pouco sobre a empresa emissora da ação. Acompanhar os fatos da economia e da política também é importante na decisão de fazer e de manter investimentos. Isso porque, os acontecimentos políticos e econômicos também influenciam nos mercados de valores mobiliários.

Dentre as regras determinadas pela CVM está a obrigação das empresas divulgarem alguns dados. São informações sobre seus números, desempenho e também sobre suas decisões. Essas informações são disponibilizadas no site da CVM, da B3 e também das empresas.

Os investidores encontram essas informações nos sites de Relacionamento com Investidores das empresas. Esses sites são as melhores fontes de pesquisa e informação sobre as empresas.

Existem também canais de atendimento, por e-mail ou telefones, disponíveis para esclarecer dúvidas de interessados em investir na empresa. Antes de tomar a decisão de investir, é importante pesquisar sobre a empresa da qual se quer comprar ações.

O que devo pesquisar?

Nos sites de RI das empresas que negociam suas ações devem estar disponíveis documento essenciais para entender melhor sobre elas. Geralmente são descritas informações sobre a empresa e sua atuação no link “Quem somos”. A navegação pelo site pode indicar se é uma empresa transparente, que divulga muitas informações. Isso é um bom indicativo.

Alguns documentos devem ser obrigatoriamente divulgados, como Demonstrações Financeiras e Informações Trimestrais. Esses documentos são mais técnicos, elaborados por contadores. Contudo, há dois tipos de documentos que devem ser redigidos de forma simples e compreensível pelo público em geral. São eles:

  • O Relatório Anual da Administração – que reúne as informações sobre o desempenho da empresa no último exercício social encerrado. Assim, esse relatório mostra os números da empresa no último ano. Deve conter dados sobre o número de clientes, locais de atuação, volume de vendas, investimentos e outros dados sobre desemprenho. Vale a pena ver os 3 últimos relatórios para companhar se os números estão melhorando ou piorando ao longo do tempo;
  • O Formulário de Referência – reúne informações sobre a empresa selecionadas pela CVM. Ou seja, a empresa deve informar sobre todos os itens que a CVM determina. Vai além do Relatório Anual. Divulga dados dos últimos 3 exercícios sociais. É bem extenso, mas muito detalhado. Informa até mesmo sobre questões judiciais que a empresa esteja enfrentando.

São todos esses documentos que citamos que os analistas de mercado estudam antes de decidirem fazer um investimento. Os profissionais de investimento não compram uma ação de uma empresa sem antes conhecê-la muito bem.

Parece complicado e trabalhoso, não é mesmo? Mas se trata do seu rico dinheirinho! Imagine se você decide comprar ações de uma empresa porque está muito barata e em menos de 90 dias ela vai à falência. Você pode perder todo o seu dinheiro por falta de informação. Ou simplesmente porque decidiu apostar na recomendação de um influencer de rede social.

Há boa recomendações

Há muitos perfis em redes sociais de profissionais e de empresas de análises sérios. Procure saber se são regularizados na CVM, se são certificados, qual o histórico profissional deles. Mas o nosso principal recado é:

É preciso tomar cuidado com falsas promessas das redes sociais.

Samasse Leal
Samasse Leal
Apaixonada por Direito, Samasse Leal é especialista em Direito do Consumidor, pós-graduada pela PUC-Rio. Co-autora e revisora técnica da obra Use as Leis a Seu Favor, participou de diversas edições do programa Sem Censura (TVE) e programas de rádio, falando sobre direitos para o público em geral. Nos quase 20 anos de carreira, atuou em grandes escritórios jurídicos, empresas, associação de defesa dos consumidores e atualmente atua na área de relações com investidores de uma multinacional espanhola.

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