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Publicado em: 9 de janeiro de 2021

Precisamos falar sobre prédios moderníssimos

Os prédios de hoje em dia possuem 15 seguranças, 23 elevadores e 16 blocos. É preciso um mapa, guia e sorte para conseguir entrar!

Imagem: alice-photo/iStock

Precisamos falar sobre prédios moderníssimos.

A tecnologia é muito bem-vinda desde a invenção do espremedor de laranja.

Depois que passou a ter mais de um cartão pra passar no metrô, começou a degringolar.

Uma vez, fui visitar um amigo que ia embora do Rio e voltar pra sua cidade natal.

Perguntei se onde ele morava era perigoso.

Ele respondeu “Não, eu moro em uma fortaleza”.

Não entendi muito bem o que isso significava, até ver o prédio.

O Empire State Building sentiria inveja daquele monumento.

Três seguranças usando óculos escuros na porta.

Estaria eu participando de MIB – Homens de Preto?

Me senti entrando em um lugar de segurança máxima.

Tipo, na geladeira da casa do meu pai.

Fiquei com medo de apertar o botão errado e virem os três seguranças me segurando pelo braço pra me enxotar.

Eu não sabia como fazia para entrar no prédio, eram muitas etapas.

Bati num vidrinho e uma portinha se abriu.

Eu só conseguia ver os olhos do cidadão lá dentro.

Ele me olhou desconfiado de cima abaixo.

No fim, me deixou entrar.

Eu acharia educado receber um mapa ao entrar lá.

Perguntei ao outro porteiro (eram 3 também) como eu fazia para ir ao apartamento 905 do bloco tal.

Ele me mandou ir até o fim do corredor e pegar um elevador em frente à porta.

Fiz como ele mandou e, dentro do elevador, já fiquei com raiva porque o andar 9 não era o 9, era o 10.

Minha cabeça não conseguia pensar direito.

Feliz, cheguei ao andar certo.

Quando as portas se abrem, me encaminhei para a porta e… Perai?

901, 902, 903 e 904.

Fiz contas igual ao meme da Nazaré.

Tentei fazer sinal de fumaça ao meu amigo.

Ele, já sabendo da minha condição, tinha ido me procurar no terraço do prédio.

Fui buscada igual a uma criança esquecida na escola.

Já criava barba depois de tanto tempo perdida.

Eu queria chorar compulsivamente e voltar para o meu prédio de um elevador, 10 andares e nenhum bloco.

Conclusão: nunca mais entro numa fortaleza.

Só com guia de turismo.

Não fazem mais prédios como antigamente.

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.

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