Novas descobertas sobre o Covid-19 surgem todos os dias. E com elas, a esperança de que a cura para a doença infecciosa, que já provocou a morte de mais de 427.630 pessoas em todo o mundo, também apareça logo.

Por tratar-se de um vírus novo, os cientistas ainda estão tendo de aprender a lidar com ele — em uma corrida contra o tempo.

Além disso, as infecções da família do coronavírus são conhecidas por sua tendência a rápidas e repetidas mutações, o que torna o quadro ainda mais complicado.

E qual é o impacto disso para os médicos e pesquisadores da linha de frente?

“É como um jogo”, diz Kathleen Dass, médica imunologista de Michigan. “Quando você pensa que está no caminho certo, surge uma nova mutação. E assim, tudo muda.”

Até agora, muitas descobertas já foram feitas e diversos mitos sobre o novo coronavírus já foram deixados para trás. Porém, à medida que nossa experiência e o conhecimento sobre o vírus avança, mais dúvidas surgem.

Aqui estão alguns dos mistérios sobre o Covid-19 que os cientistas ainda tentam solucionar. E quais são as possíveis respostas até então.

Por Lauren Cahn, Rd.com


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1. Como o Covid-19 se propaga?

Saber como uma doença é transmitida é fundamental para contê-la. Algumas, como o sarampo, espalham-se pelo ar. Já outras, como a intoxicação alimentar, são transmitidas por alimentos.

O novo coronavírus propaga-se de pessoa para pessoa por meio de “gotículas respiratórias”, mas o que não está necessariamente claro é se há transmissão pelo ar.

A transmissão aérea e a transmissão por gotículas respiratórias não são dois fenômenos distintos, mas sim dois pontos no mesmo espectro. E é isso que pode causar confusão. 

“Se uma gotícula cair no nariz ou na boca ou perto dela, você pode inalar”, diz Barbara Saltzman, epidemiologista da Escola de Saúde da População da Universidade de Toledo.


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Além disso, se alguém próximo a você espirrar, essas gotículas que viajam pelo ar podem pousar em seus olhos, nariz ou boca e te contaminar. 

O que permanece um mistério, no entanto, é quanto tempo o vírus pode viver em várias superfícies, em substâncias e no ar.

Por esse motivo, e como muitas transmissões parecem ocorrer de pessoas assintomáticas, a recomendação médica é a de que as pessoas usem máscaras, não só para se protegerem, mas para protegerem os outros.

Confira aqui como produzir sua máscara caseira. 


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2. Como a pandemia realmente começou?

No final de 2019, um grupo de pessoas em Wuhan, na China, foi diagnosticado com um vírus que nunca antes havia sido observado em animais ou humanos, mas que parecia pertencer à família dos coronavírus.

Como o grupo havia estado no mercado de Wuhan, onde morcegos vivos são vendidos como alimentos, muitas pessoas acreditaram que o vírus teria sido transmitido por meio do consumo da carne de um morcego infectado. 

Porém, os cientistas descartaram essa hipótese. E isso porque o Covid-19 não se propaga por meio da alimentação. Portanto, por mais que o novo coronavírus fosse semelhante a um vírus encontrado em morcegos, ele não poderia ter vindo do consumo de um.


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Os cientistas começaram a observar outros animais e, em um estudo recente, descobriram que, embora esse vírus pareça geneticamente semelhante ao encontrado em morcegos, em 2013, ele também tem uma semelhança impressionante com os recentemente observados em pangolins na China.

Dessa forma, o estudo sugere que o vírus pode ter começado com os morcegos, lá em 2013, mas evoluiu ao longo dos anos para um vírus ao qual os pangolins eram suscetíveis. E, depois disso, evoluiu ainda mais até tornar-se capaz de infectar humanos. 

Obviamente, nada disso prova que o novo coronavírus veio de pangolins. Primeiro, o estudo é novo e apenas preliminar. Segundo, ainda pode haver outro animal (ou animais) em cujos corpos esse vírus se transformou e evoluiu até finalmente ser transmitido a humanos.

Até sabermos a resposta, será praticamente impossível descobrir exatamente quando, onde ou como o vírus conseguiu atingir os seres humanos.