A favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, recebe entre os dias 5 e 10 de Outubro uma campanha onde serão realizados testes de covid-19 . A campanha foi idealizada pelo Favela Sem Corona, em parceria com a ong Impacto, Ribon, o projeto Bora Testar, a atriz e apresentadora Maria Gal, o laboratório Hilab e a Rappi . 

Usar máscara, manter a distância, ou ficar em casa. Essas são algumas das principais recomendações para prevenção do Covid-19. Foi pensando em quem não tem como cumprir boa parte delas que surgiu a campanha.

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“Lembro que, quando me contactaram, relataram uma história de uma senhora da Rocinha que fez o teste pela manhã e à noite faleceu, pensei que se ela soubesse que estava com coronavírus antes, a possibilidade dela se tratar seria muito maior. Foi quando contactei, pessoalmente, algumas empresas pedindo apoio e, dentre elas, o Hilab que eu já acompanhava o trabalho.”, conta Maria Gal, embaixadora do projeto. 

Testagem como forma de prevenção

Teste de covid-19
(Imagem:Giorez/iStock)

O projeto Favela Sem Corona e o projeto Bora testar tem objetivo de levar a testagem de coronavírus para as favelas, o primeiro, focado no Rio de Janeiro e o segundo, atendendo diversas favelas do país. Inicialmente, a parceria com o Hilab, que doou 300 testes, vai acontecer por 6 dias. 

Para evitar que haja aglomerações, haverá uma triagem, onde serão identificados pessoas que possuem os sintomas, para que possam realizar os testes. 

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“A testagem é uma das maneiras mais eficazes de prevenir a contaminação do coronavírus. Além disso, com o retrato que nos traz essa investigação, queremos levar mais informação sobre o impacto da doença, pelo menos nas 10 maiores favelas do Brasil, e transformar sua vulnerabilidade em dados que provocam mudanças”, afirma Claudia Daré, uma das idealizadoras do Bora Testar.

Impacto social do Coronavírus

Além de ajudar na prevenção, a campanha também visa identificar o impacto social do Covid-19 nas comunidades. Uma pesquisa é feita para poder mapear as áreas mais vulneráveis.

“Assim, as informações socioeconômicas coletadas ajudam a traduzir o impacto do coronavírus com mais precisão e, com isso, apontar possibilidades de ações imediatas nas áreas mais críticas para o combate do avanço da pandemia.” explica Emília Rabello, também idealizadora do Bora Testar.

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Família formada por 4 pessoas usando máscaras
(Imagem: Big Joe/iStock)

Doações e investimentos

Para a campanha foi necessária a contratação de equipes de entrevistadores para as triagens, treinamento, equipe para realização dos testes e muitos outros.

Os investimentos necessários contaram com a contribuição da ONG Impacto, que tem como objetivo realizar parcerias para ajuda financeira  em iniciativas de combate ao Covid-19.

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Além desses investimentos, a iniciativa também conta com doações individuais também que podem ser feitas através da plataforma Ribon. A plataforma abriu uma campanha dentro de seu app de doações para causas sociais. Qualquer pessoa poderá doar para o Favela sem Corona sem precisar gastar dinheiro. 

“Tivemos essa ideia de criar a Ribon guiados pelo propósito de incentivar a cultura da doação no Brasil. Os problemas trazidos pela pandemia mostraram que as socialtechs, que são as startups focadas em causas sociais, têm uma importância grande não apenas para o ecossistema de startups, mas também para a sociedade. Isso está tão evidente que as empresas estão enxergando isso e, o que é melhor, se unindo em prol de causas.”, conta Rafael Rodeiro, CEO da startup.