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Publicado em: 8 de outubro de 2021

Eu sou o coco: confira 4 curiosidades sobre essa fruta

Há muitos fatos interessantes sobre o coco que você precisa conhecer

Imagem: pilipphoto/iStock

Em 2010, Barack Obama visitou o Museu Gandhi, em Mumbai, num terreno cheio de coqueiros. O presidente me conhecia bem. O coco faz parte da vida na Indonésia, onde ele passou a infância. Um vídeo posterior dele no Laos, tomando minha água diretamente da casca, como se tivesse feito isso mil vezes, se tornou um meme popular.

Mas, antes da visita, as autoridades indianas removeram metodicamente do local qualquer sinal meu. Por quê? Eles temiam que eu caísse na cabeça do presidente dos Estados Unidos.

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A fama de coco assassino

Vamos deixar bem claro: essa fama de “fruto assassino” de inúmeros inocentes era e ainda é um mito. Um estudo de 1984, muito mal interpretado, exagerou demais o número de mortes que causei ao cair, e o boato cruel se espalhou.

Hoje, as únicas coisas “de matar” sobre mim são as iguarias que os seres humanos fazem comigo, como macarons, piñas coladas, doces e pratos de peixe. Uma década atrás, os defensores da saúde endeusaram por algum tempo minhas gorduras saturadas, os triglicerídeos de cadeia média, que podem elevar o benéfico colesterol HDL. Mas fale com um cardiologista hoje e ele lhe dirá que o óleo de coco aumenta o colesterol LDL, o ruim, tanto quanto aumenta o HDL. Realmente, morte pelo coco!

Minha anatomia

Há outras ideias erradas sobre mim. Nunca sou marrom e peludo no coqueiro, apesar do que os desenhos animados mostram. Quando inteiro, sou liso e verde, amarelo, laranja, rosa e até vermelho. E você pode achar que sou uma noz, mas na verdade sou uma drupa (uma fruta carnuda com uma única semente no meio), como as cerejas, os abricós e os pêssegos. E, mesmo que já conheça esse factoide botânico, provavelmente se enganou sobre a parte minha que você come.

coco verde
O famoso coco verde, na verdade, é um coco jovem. (Imagem: Cvandijk/iStock)

Imagine um coco jovem – sabe, a coisa verde cortada com um facão para você (ou o presidente americano) tomar a água lá dentro. Essa parte verde é minha casca, e a coisa bege e fibrosa por onde o facão passa é minha polpa não comestível.

Em seguida vem a casca da semente, dentro da qual você encontra os nutrientes de meu endosperma. Quando sou jovem, esse endosperma é quase só água – o líquido adocicado que, desde 2004, é engarrafado e vendido nos Estados Unidos e hoje virou um setor de 5 bilhões de dólares no mundo inteiro.

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Quando cresço, a parte sólida começa a se depositar na superfície interna da casca da semente até restar pouca água e uma polpa branca e firme, pronta para comer. Assim, os “cocos” marrons e peludos que você vê no mercado não sou eu. São minha semente.

Posso ser usado para muitas coisas

Sou nativo de locais costeiros muito quentes e úmidos da Índia, da Tailândia, do Sri Lanka, das Filipinas e da Indonésia, mas provavelmente cheguei às Américas antes do que se pensava. Durante muito tempo, os antropólogos e historiadores acharam que a única maneira de os primeiros seres humanos alcançarem as Américas seria por pontes de gelo entre a Rússia e o Alasca, mas as teorias recentes propõem que migrantes intrépidos da Polinésia chegaram aqui pelo mar – provavelmente com uma boa reserva minha.

Não admira: sou uma fonte duradoura de comida e água, e minha polpa fibrosa é usada para fazer cordas, esteiras, colchões e redes de pesca. A casca pode se transformar em carvão para alimentar o fogo ou ser usada como vasilha ou instrumento musical. Minhas folhas servem para cobrir telhados e fazer cestos e vassouras, enquanto o tronco é utilizado para construir casas, barcos e tambores.

As raízes do coqueiro têm uma série de usos populares e produzem pigmentos para tingir tecido – e suas pontas esfiapadas já foram utilizadas como escovas de dente. Com tudo isso, você pode imaginar que culturas ricas em coco prosperaram e se espalharam por grandes distâncias oceânicas.

Como eu, o coco, salvei a vida de um presidente

Vou lhe contar outra história de presidentes americanos. Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, uma lancha de patrulha comandada por um tal John F. Kennedy foi destruída por um navio de guerra japonês. 

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JFK e a tripulação sobrevivente ficaram numa ilha deserta, sem muita opção. Estavam feridos, com fome e sede, e encontraram dois vigias da costa nativos e amistosos. JFK rabiscou uma mensagem numa casca de coco: “ILHA NAURO... COMANDANTE... NATIVOS SABEM POSIÇÃO... PODE PILOTAR... 11 VIVOS... PRECISA BARCO PEQUENO... KENNEDY.”

Os vigias entregaram o coco às forças aliadas, que conseguiram fazer o resgate e levar a tripulação de volta. Anos depois, o juiz Ernest W. Gibson Jr., coronel no Pacífico Sul durante a guerra, deu a casca de coco ao recém-eleito presidente Kennedy, que a transformou num peso de papel. Ficou na mesa da Sala Oval enquanto ele foi presidente e hoje é uma peça central da Biblioteca John F. Kennedy, em Boston, como prova de que nós, cocos, não tiramos vidas; nós as salvamos.

por Kate Lowenstein e Daniel Gritzer

Kate Lowenstein é jornalista especializada em saúde e editora-chefe da revista Vice; Daniel Gritzer é diretor culinário do site especializado Serious Eats.

Gostou dessa matéria? Ela faz parte da edição de outubro da revista Seleções. Você pode conferir esse e outros artigos da edição desse mês e muito mais na nossa Biblioteca Digital!

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