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Cultura & Lazer

Eu sou o coco: confira 4 curiosidades sobre essa fruta

Há muitos fatos interessantes sobre o coco que você precisa conhecer

Escrito por:

Rayane Santos

Redator
coco
pilipphoto/iStock
Publicado em: Última atualização:

Em 2010, Barack Obama visitou o Museu Gandhi, em Mumbai, num terreno cheio de coqueiros. O presidente me conhecia bem. O coco faz parte da vida na Indonésia, onde ele passou a infância. Um vídeo posterior dele no Laos, tomando minha água diretamente da casca, como se tivesse feito isso mil vezes, se tornou um meme popular.

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Mas, antes da visita, as autoridades indianas removeram metodicamente do local qualquer sinal meu. Por quê? Eles temiam que eu caísse na cabeça do presidente dos Estados Unidos.

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A fama de coco assassino

Vamos deixar bem claro: essa fama de “fruto assassino” de inúmeros inocentes era e ainda é um mito. Um estudo de 1984, muito mal interpretado, exagerou demais o número de mortes que causei ao cair, e o boato cruel se espalhou.

Hoje, as únicas coisas “de matar” sobre mim são as iguarias que os seres humanos fazem comigo, como macarons, piñas coladas, doces e pratos de peixe. Uma década atrás, os defensores da saúde endeusaram por algum tempo minhas gorduras saturadas, os triglicerídeos de cadeia média, que podem elevar o benéfico colesterol HDL. Mas fale com um cardiologista hoje e ele lhe dirá que o óleo de coco aumenta o colesterol LDL, o ruim, tanto quanto aumenta o HDL. Realmente, morte pelo coco!

Minha anatomia

Há outras ideias erradas sobre mim. Nunca sou marrom e peludo no coqueiro, apesar do que os desenhos animados mostram. Quando inteiro, sou liso e verde, amarelo, laranja, rosa e até vermelho. E você pode achar que sou uma noz, mas na verdade sou uma drupa (uma fruta carnuda com uma única semente no meio), como as cerejas, os abricós e os pêssegos. E, mesmo que já conheça esse factoide botânico, provavelmente se enganou sobre a parte minha que você come.

coco verde
O famoso coco verde, na verdade, é um coco jovem. (Imagem: Cvandijk/iStock)

Imagine um coco jovem – sabe, a coisa verde cortada com um facão para você (ou o presidente americano) tomar a água lá dentro. Essa parte verde é minha casca, e a coisa bege e fibrosa por onde o facão passa é minha polpa não comestível.

Em seguida vem a casca da semente, dentro da qual você encontra os nutrientes de meu endosperma. Quando sou jovem, esse endosperma é quase só água – o líquido adocicado que, desde 2004, é engarrafado e vendido nos Estados Unidos e hoje virou um setor de 5 bilhões de dólares no mundo inteiro.

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Quando cresço, a parte sólida começa a se depositar na superfície interna da casca da semente até restar pouca água e uma polpa branca e firme, pronta para comer. Assim, os “cocos” marrons e peludos que você vê no mercado não sou eu. São minha semente.

Posso ser usado para muitas coisas

Sou nativo de locais costeiros muito quentes e úmidos da Índia, da Tailândia, do Sri Lanka, das Filipinas e da Indonésia, mas provavelmente cheguei às Américas antes do que se pensava. Durante muito tempo, os antropólogos e historiadores acharam que a única maneira de os primeiros seres humanos alcançarem as Américas seria por pontes de gelo entre a Rússia e o Alasca, mas as teorias recentes propõem que migrantes intrépidos da Polinésia chegaram aqui pelo mar – provavelmente com uma boa reserva minha.

Não admira: sou uma fonte duradoura de comida e água, e minha polpa fibrosa é usada para fazer cordas, esteiras, colchões e redes de pesca. A casca pode se transformar em carvão para alimentar o fogo ou ser usada como vasilha ou instrumento musical. Minhas folhas servem para cobrir telhados e fazer cestos e vassouras, enquanto o tronco é utilizado para construir casas, barcos e tambores.

As raízes do coqueiro têm uma série de usos populares e produzem pigmentos para tingir tecido – e suas pontas esfiapadas já foram utilizadas como escovas de dente. Com tudo isso, você pode imaginar que culturas ricas em coco prosperaram e se espalharam por grandes distâncias oceânicas.

Como eu, o coco, salvei a vida de um presidente

Vou lhe contar outra história de presidentes americanos. Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, uma lancha de patrulha comandada por um tal John F. Kennedy foi destruída por um navio de guerra japonês. 

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JFK e a tripulação sobrevivente ficaram numa ilha deserta, sem muita opção. Estavam feridos, com fome e sede, e encontraram dois vigias da costa nativos e amistosos. JFK rabiscou uma mensagem numa casca de coco: “ILHA NAURO… COMANDANTE… NATIVOS SABEM POSIÇÃO… PODE PILOTAR… 11 VIVOS… PRECISA BARCO PEQUENO… KENNEDY.”

Os vigias entregaram o coco às forças aliadas, que conseguiram fazer o resgate e levar a tripulação de volta. Anos depois, o juiz Ernest W. Gibson Jr., coronel no Pacífico Sul durante a guerra, deu a casca de coco ao recém-eleito presidente Kennedy, que a transformou num peso de papel. Ficou na mesa da Sala Oval enquanto ele foi presidente e hoje é uma peça central da Biblioteca John F. Kennedy, em Boston, como prova de que nós, cocos, não tiramos vidas; nós as salvamos.

por Kate Lowenstein e Daniel Gritzer

Kate Lowenstein é jornalista especializada em saúde e editora-chefe da revista Vice; Daniel Gritzer é diretor culinário do site especializado Serious Eats.

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