Faça uma busca
|
Publicado em: 15 de novembro de 2021

Homem ajuda a encontrar alpinista perdido usando Google Earth

Enquanto o caminhante perdido se desesperava, um desconhecido com um passatempo incomum tentava salvá-lo.

Imagem: Fotografado por Jose Mandojana

Rene Compean conhecia bem a Floresta Nacional Angeles. Caminhara várias vezes pelo parque, perto de sua casa no sul da Califórnia. Mas, ao se aventurar por uma nova trilha no fim de abril, o mecânico de 45 anos se perdeu.

Quando o dia se transformou em crepúsculo, depois de várias horas perambulando sem destino, a preocupação virou medo. O terreno era remoto e acidentado. Sem lanterna, com um único litro d’água e uma barra de granola na mochila e menos de 10% de bateria no celular, Compean não estava preparado para mais do que as duas horas de caminhada que planejara.

Leia também: Bibliotecária cria projeto para doar 1 milhão de livros para crianças carentes

Ele subiu até um ponto 2.100 metros acima do nível do mar, onde achou pelo menos uma linha de sinal. “SOS. Meu celular está sem bateria. Estou perdido”, foi a mensagem que enviou a um amigo, com uma foto mostrando onde estava. A imagem exibia suas pernas manchadas de fuligem penduradas sobre uma cascata íngreme de pedras.

Então, Compean só pôde esperar e torcer. A temperatura caía depressa, o vento era forte. Vestindo regata, bermuda e moletom com capuz, ele estava gelado. Enrolou-se, usando a mochila para proteger as pernas das lufadas geladas que o golpeavam. Mas não dormiria. Depois de avistar duas onças-pardas e um urso, ele passou a noite atento, com uma vara grande e pedras pontiagudas a seu lado, caso algum animal se aproximasse.

Ben Kuo: um herói com um hobby diferente

A mais de 90 quilômetros dali, em Ventura County, Ben Kuo trabalhava em casa quando leu um tuíte do Departamento do Xerife do condado de Los Angeles mostrando a imagem granulada das pernas de um homem. As equipes de busca e resgate tinham passado a noite anterior procurando Compean sem encontrá-lo e liberaram a foto ao público, na esperança de que alguém conhecesse o local.

Kuo, então com 47 anos, trabalha no setor de tecnologia e tem um passatempo incomum: “Sempre gostei de procurar onde as fotos são tiradas”, diz ele. Com frequência, ele tenta identificar onde cenas de filme, programas de televisão ou anúncios foram registrados. Em geral, consegue. Quando viu a imagem borrada das pernas de Compean cercadas por uma paisagem interminável de pedras e vegetação, instintivamente ele puxou o mapa via satélite em seu laptop. O departamento do xerife dizia que o carro de Compean estava estacionado perto do camping de Buckhorn, e ele restringiu a busca à área circundante.

“Com os satélites, podemos obter uma quantidade enorme de informações”, diz Kuo. A primeira coisa que ele notou na foto de Compean foram os trechos verdes. Depois de compará-la ao mapa do satélite, Kuo percebeu uma coisa: “Ele tem de estar no lado sul, porque não há nenhum vale verde no lado norte.”

Esse achado restringiu a busca e o levou a uma área parecida com o terreno da imagem. O último passo foi cruzar a foto original com imagens tridimensionais da área no Google Earth. A localização combinava!

Ele então telefonou para o departamento do xerife e passou as coordenadas de latitude e longitude fornecidas pelo Google Earth. Logo, um helicóptero de busca e resgate decolou e encontrou Compean. Depois de ficar 27 horas sozinho na floresta, Compean gritou: “Estou salvo!”

Dias mais tarde, os dois homens se encontraram pelo Zoom e fizeram planos para se conhecer pessoalmente. “Talvez possamos fazer uma caminhada”, brincou Compean. Mais sério, ele disse a Kuo: “Eu lhe devo a vida.”

O sargento John Gilbert, do departamento do xerife, concorda. Provavelmente, a história de Compean não acabaria bem se um desconhecido com grande habilidade com satélites e olho atento a detalhes não entrasse em ação.

“A ajuda de Ben nos permitiu chegar ao local muito antes do que provavelmente chegaríamos”, diz o sargento.

Na verdade, quando Compean foi puxado em segurança até o helicóptero, um dos socorristas, incapaz de gritar acima do ruído do rotor, escreveu num pedaço de papel: “Você é muito sortudo.” 

THE WASHINGTON POST (22 DE ABRIL DE 2021), © 2021 WASHINGTON POST.

Assine a nossa newsletter e receba nosso conteúdo em primeira mão!

assine a nossa newsletter
Entendo que passarei a receber ofertas de produtos, serviços, informativos e presentes grátis, além de outras promoções de Seleções e de parceiros. Para mais informações, acesse nossa Política de Privacidade e Uso de Dados


close