Imagine que você queira comprar um imóvel, um automóvel ou até mesmo um eletrodoméstico. Os valores são muito altos, e algumas opções de financiamento não cabem no seu bolso. Qual a solução para esse problema? Muitos brasileiros vêm encontrando a resposta no consórcio, uma modalidade diferente de crédito.

Em março, o consórcio aumentou em 7,3% em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). Atualmente, 850 mil pessoas participam de algum tipo de consórcio no Brasil.

 

Como surgiu e como funciona o consórcio?

A modalidade surgiu aqui no Brasil na década de 60. À época, havia pouca oferta de crédito aos consumidores, e a indústria automobilística havia acabado de ser instalada por aqui. Para conseguir adquirir um veículo, um grupo de amigos, todos funcionários do Banco do Brasil, resolveu criar um sistema simples que beneficiaria todos os participantes.

Funcionava assim: todos contribuiriam com um valor por mês até que o preço do automóvel fosse alcançado. Quando o montante era completado, o grupo sorteava o valor reunido entre os participantes. O vencedor levava o dinheiro para adquirir o veículo, e os outros continuariam contribuindo por mês até que fossem contemplados. O sistema de consórcios no Brasil não mudou até hoje, e diversas empresas realizam o mesmo procedimento.

Os pretendentes ao consórcio se reúnem mensalmente em uma assembleia para o sorteio do prêmio. Assim que o vencedor é anunciado, uma carta de crédito é entregue, e não o valor em dinheiro. Todos os participantes do consórcio são contemplados, ainda que leve um tempo para serem sorteados.

 

Cuidados ao optar pelo consórcio

O sistema é amplamente utilizado no Brasil, e regulado pela ABAC e também pelo Banco Central. Entretanto, é preciso prestar atenção em alguns aspectos antes de optar pelo crédito. Como é uma modalidade a longo prazo, o consórcio não é uma boa opção para os que necessitam do dinheiro imediatamente.

Um cuidado a mais que compradores de imóveis devem prestar atenção é à flutuação de preços no mercado. Isso pode resultar na desvalorização da carta de crédito do participante, ou seja: quando o dinheiro for sorteado, é possível que o valor do imóvel tenha se alterado em decorrência das dinâmicas do mercado imobiliário. Mesmo com as correções no valor do prêmio, pode ser uma desvantagem.

Entre as vantagens de se optar pelo consórcio está a baixa taxa de juros cobrada, que é bem menor do que seria em um financiamento de imóveis. Além disso, é possível usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para participar.

 

Siga estas 5 dicas antes de optar pelo consórcio:

  • Leia o contrato de adesão atentamente, e compare as taxas administrativas demonstradas nele. É possível que uma empresa ofereça melhores condições dependendo das suas possibilidades financeiras. Observe também a taxa de inadimplência do consórcio antes de contratá-lo;
  • Esteja atento às reclamações nos órgãos de defesa do consumidor, que são as melhores formas de saber como as empresas atuam;
  • É possível escolher e comprar um bem diferente do que consta no contrato, mas ele deve pagar a diferença. Se o valor for inferior, a diferença será descontada de futuras prestações.
  • O consumidor é livre para escolher onde comprará o bem pretendido, e qualquer interferência da empresa que realiza o consórcio é ilegal;
  • Verifique o percentual de contemplação das administradoras ou bancos.