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Publicado em: 1 de outubro de 2020

Abóbora: um fruto muito versátil

Saiba mais sobre esse alimento tão popular.

Imagem: Smitt/iStock

Estamos naquela época do ano em que, em alguns países de língua inglesa, os tons de laranja, amarelo e marrom da estação ocupam o centro do palco. Eu me sinto amada como o fruto que representa o papel principal no Halloween.

Mas vamos esclarecer algumas coisas, porque há confusão entre minhas muitas variedades com nomes diversos. Há abóbora-moranga, de pescoço, cheirosa – e ainda a abobrinha. É mesmo confusa a quantidade de tipos incluídos numa única categoria de fruto. Deixe algumas de minhas variedades secar no caule e me transformo numa cabaça.

Essa minha última variedade é que me trouxe até onde estou hoje. A maioria das espécies de alimentos domesticadas chamou a atenção dos seres humanos por ser comestível, mas vocês começaram a gostar de mim porque eu era muito útil quando não comestível. É provável que eu seja a única planta a ter sido usada no mundo inteiro por povos pré-históricos e a primeira a ser domesticada.

Sou realmente versátil

Por quê? Porque, seca e oca, sou versátil: sirvo de balde, de câmara de ressonância de instrumentos musicais (como marimbas e chocalhos), de boia em cais flutuantes e redes de pesca, de decoração, de utensílio de mesa e até de cachimbo. Os nativos americanos me usavam como casa de passarinho; até hoje apreciadores de pássaros fazem isso. Sou tão versátil que acompanho as pessoas por toda parte. (No entanto, os motociclistas nigerianos descobriram para que não sirvo, quando o país baixou uma lei que obrigava a usar capacete e muitos evitaram comprá-lo aproveitando cabaças.)

Foi no México, há cerca de 9 mil anos, que finalmente me cultivaram como alimento, e dei outra volta ao mundo, dessa vez como comida.

Na verdade, tornar-me palatável exigiu cruzamentos para eliminar o excesso de cucurbitacina, que me dá um sabor muito amargo. Ainda contenho vestígios dessa toxina que, em grande quantidade, deixa vocês, humanos, muito doentes e faz o cabelo cair. Mas não se preocupe com isso quando me comprar no supermercado; o nível de cucurbitacina só é alto quando há polinização cruzada acidental com cabaças selvagens. (Mas, atenção, hortelões: se a abóbora que plantaram em casa tiver gosto amargo, não coma.)

Como e quando você deve me comer?

Ora, aqui no Brasil, durante praticamente o ano inteiro: colha abobrinhas verdes e amarelas que estejam tenras e não sejam muito grandes, e não esqueça a cambuquira, minha linda flor laranja-amarelada, que fica ótima em tortilhas ou recheada de queijo e refogada.

Bolota, cheirosa, espaguete, cabotiá e muitas outras – qualquer que seja o nome ou a variedade, todas podem ser comidas com ou sem casca. A moganga (ou moranga ou mogango), a abóbora-cheirosa e a cabotiá podem ser cortadas ao meio para remover as sementes e levadas ao forno até ficarem macios. Polvilhe açúcar para obter uma crosta caramelizada. Você também pode me rechear como os franceses gostam, com arroz ou pão dormido e carne, e terá um prato principal bonito e saudável.

Como fico mais doce quanto mais bronzeio e caramelizo, não tenha medo de me assar em temperatura alta (220°) e não me tire do forno cedo demais.

Se fizer uma sopa, asse e doure os pedaços de abóbora e, depois, amasse a polpa para obter uma doçura mais intensa.

Ah, se vir uma cabotiá verde ou laranja na feira, compre. Parece uma moranga, mas é mais doce e deliciosa.

E para quem está interessado na sobremesa, minhas versões cozida com acúcar e coco ou cristalizada são irresistíveis.

POR KATE LOWENSTEIN E DANIEL GRITZER

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