Dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Embora muitas de nós recebamos flores no trabalho, cartazes com mensagens bonitas, bombons dos namorados/maridos, beijos dos filhos e muitas outras homenagens neste dia tão importante, ainda ouvimos muito por aí o velho comentário: “Mas que besteira! O dia da mulher é todo dia.” É claro que essa brincadeira tem um pouco de verdade, afinal todo dia é dia de celebrar a vida. Mas a simbologia do dia 8 de março é muito forte para ser deixada de lado.

Uma trajetória ainda inacabada

A data, que ganhou da ONU o status de comemoração internacional somente em 1977, relembra as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Estes movimentos tiveram tamanha força naquele país que, futuramente, vieram a se tornar elemento de propaganda partidária no período soviético. Ou seja, a data está carregada de um forte senso de engajamento em causas político-sociais que durante muito tempo foram negadas às mulheres.

Se hoje em dia podemos comemorar todos os dias as conquistas que obtivemos nos mais variados setores da vida – no trabalho, nas relações conjugais, nos direitos e deveres da maternidade, na preservação de nossa integridade física e mental – isso nem sempre foi assim. Houve um tempo em que as mulheres não podiam votar, não podiam pedir o divórcio, não podiam trabalhar fora, não podiam expressar seus desejos e opções sexuais e isso para citar apenas alguns exemplos. Cada uma das coisas corriqueiras que fazemos nestes tempos modernos – usar calça, escolher o tamanho da roupa que usaremos na praia, escolher o momento e a pessoa com quem desejamos perder a virgindade, optar por casar ou não casar (e ainda por casar novamente depois de um término) – é fruto da luta de muitas mulheres do passado, mulheres como Rose Marie Muraro, Leila Diniz, Gertrude Stein, Simone de Beauvoir e Margaret Sanger.

Conhecendo melhor o feminismo

O feminismo, no entanto, está cercado de mitos e verdades pouco conhecidas. Dentre as questões mais obscuras, apenas para reflexão, destaco:

  • A falsa dicotomia entre feminismo e machismo (feminismo é a busca por direitos iguais para as mulheres. Machismo é a dominação do homem sobre a mulher);
  • Feminismo não defende que homens e mulheres são biologicamente iguais, mas sim que devem ter direitos iguais.
  • Feminismo é coisa de mulher. Mentira, feminismo é para todo mundo. “A luta por direitos iguais entre homens e mulheres interessa a ambos os gêneros. Ao libertar as mulheres, o feminismo também liberta o homem da sufocante obrigação histórica de tomar sempre a iniciativa, de estar no comando, de ser o provedor, de ter que ganhar mais.”

Com tudo que já conquistamos é muito comum achar que o movimento feminista arrefeceu, que as mulheres finalmente estão muito próximas de atingir um patamar de igualdade social aos homens. A própria ONU, no entanto, frisa:

Este é um dia em que as mulheres são reconhecidas por suas conquistas sem levarmos em conta quaisquer divisões, sejam elas em virtude de nacionalidade, etnia, língua, cultura, economia ou política. É uma ocasião onde devemos olhar para as lutas e realizações do passado e, mais importante ainda, para que olhemos adiante, para o potencial inexplorado e para as oportunidades que aguardam as futuras gerações de mulheres.

Ou seja, ainda há muito a ser feito. Como, por exemplo, eliminar o pensamento de que as mulheres que usam roupa curta dão margem para serem violentadas (sim, parece absurdo, mas a questão tem se tornado cada vez mais recorrente nas conversas informais que ouvimos por aí); entender melhor a questão da “mulher sendo vista como objeto”; erradicar a violência doméstica e conscientizar a população sobre este tipo de crime; como a perspectiva do aborto sob a ótica feminina e, citando, iríamos até o 8 de março do próximo ano. Minha dica, como mulher e cidadã é: pense mais, pesquise e se informe mais, compartilhe mais o conhecimento com suas amigas, irmãs, filhas e mães e, muito importante, também com os homens do seu convívio. A luta por direitos iguais para as mulheres é uma luta humanitária, não sexista.

Um feliz dia para todas nós mulheres. Força e muitas alegrias hoje e sempre!