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Publicado em: 7 de outubro de 2020

Tamo Juntas: Unidas, elas não serão vencidas

Conheça o trabalho da ONG composta por mulheres que atuam voluntariamente na assistência multidisciplinar a mulheres em situação de violência.

Imagem: Tharakorn/iStock

Há quatro anos amparando mulheres em situação de violência doméstica, psicológica e de abusos em geral, a Tamo Juntas foi criada pela advogada baiana Laina Crisóstomo de forma incomum. Após um despretensioso post publicado em uma rede social em 8 de abril de 2016 a respeito da campanha “Mais Amor Entre Nós”, idealizada pela jornalista baiana Sueide Kintê, Laina viu que poderia fazer muito mais em prol
das mulheres que se encontram em situação de risco.

“Depois de me declarar voluntária da campanha, vi a minha rede social explodir! Em pouco tempo, o post já tinha alcançado mais de 5 mil curtidas e mulheres de todo o Brasil começaram a me pedir ajuda. Criamos então a organização feminista Tamo Juntas”, explica.

Presente hoje em 19 estados – em todo o Nordeste, Sul e Sudeste; no Amazonas e Pará; e em Goiás e no Distrito Federal –, só nos dois primeiros anos cerca de 5 mil mulheres foram atendidas, com orientação, encaminhamentos e soluções para a situação de violência que viviam.

“A Bahia é o nosso maior núcleo, foi onde nascemos. As queixas majoritárias são de violência física. E isso ainda é um dado muito alarmante. São mulheres casadas, com ou sem filhos, solteiras ou em relacionamentos com namorados. Recebemos queixas até de meninas que já passaram por algum trauma. Acompanhamos também mulheres vítimas de estupro e sobreviventes de tentativas de feminicídio”, afirma. 

“A violência doméstica abrange da agressão física à psicológica – que gera dor, problemas de saúde mental e baixa autoestima por conta do relacionamento abusivo. Com o passar dos anos, começamos a entender que precisávamos acolher estas mulheres de forma integral. Passamos de uma organização jurídica a uma assessoria multidisciplinar: começamos a oferecer também serviço social e psicológico. Em alguns estados contamos com pedagogas, dentistas, médicas e contadoras.”

Amor e dedicação

Tendo apenas mulheres à frente do projeto (sem fins lucrativos), Laina, que fundou a Tamo Juntas com as também advogadas Aline Nascimento e Carolina Rola, diz que faz todo tipo de trabalho no dia a dia da organização.

“É tudo na base do voluntariado. Sinto-me honrada por estar à frente deste projeto. A cada estado que vou encontro uma história que me dá a certeza de que nosso caminho é de cura. Não previ a dimensão que essa ideia tomaria. Temos uma maternidade coletiva, com várias mães criando essa filha, a Tamo Juntas”, conta Laina.

As denúncias chegam através das redes sociais e por e-mail. Em muitos casos, as mulheres relatam a situação e não querem fazer a denúncia por medo. Após os abusos, algumas reatam a relação, outras põem um ponto final. Laina afirma que, quando essas mulheres procuram a organização, já é um pedido de socorro. “Muitas pessoas julgam, mas o papel da Tamo Juntas é entender que as mulheres têm o seu tempo. E sempre frisamos que elas não estão sozinhas”, diz ela. “O maior obstáculo à redução da violência contra a mulher é vivermos numa sociedade patriarcal. Hoje, porém, as mulheres são encorajadas a denunciar. A maioria não aceita mais a violência.”

Experiências para a vida

Organização declaradamente feminista, a Tamo Juntas se define como mulheres ajudando mulheres. Alguns casos são marcantes. “Atendemos uma garota que foi mantida em cárcere privado por dois meses pelo namorado. Ele chegou a tentar sufocá-la”, diz Laina. Outro caso representa para ela “a essência do feminismo”: “Uma menina nos procurou mesmo com medida protetiva. No dia da audiência, ela apresentou uma testemunha que vinha a ser uma ex-namorada do agressor, que também fora violentada por ele. É essa a ideia que queremos mostrar: o poder do feminismo. Elas se uniram contra um mal maior: o machismo”, enfatiza a advogada.

“Sabemos que é preciso construir uma sociedade justa e igualitária. Acreditamos que gênero e cor da pele não serão mais condicionantes para que as pessoas sofram violência. É uma felicidade saber que estamos no caminho certo”, conclui.

POR MÁRCIO GOMES

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