O sistema de aprendizes da Alemanha provoca inveja na Europa. Eis por quê.

Poucos jovens de 20 anos gostariam de se levantar às 5h45 todos os dias para chegar ao trabalho às 7h30. E Priscilla Wölbling admite que olha com inveja as amigas estudantes e os horários mais amenos a que obedecem – “além, é claro, das longas férias”, diz ela, sorrindo. No entanto, embora as colegas de Priscilla possam estar aprendendo – seu irmão e sua irmã estão na universidade –, ela aprende e recebe salário em seu segundo ano como aprendiz na imensa fábrica da Mercedes-Benz em Sindelfingen, perto de Stuttgart.

Mais parecida com uma pequena cidade, essa é a maior fábrica da Mercedes-Benz na Europa, com 26 mil operários na linha de produção e mais 11 mil funcionários no departamento de Pesquisa e Desenvolvimento.

Ao lado deles trabalham 850 aprendizes, dos quais um quinto é de mulheres. Em toda a Alemanha, a Daimler AG (grupo que controla a Mercedes-Benz) emprega quase 6 mil aprendizes em 31 programas, 20 deles dedicados à complexa habilidade técnica necessária para a fabricação de automóveis e veículos, 11 na área administrativa.

Mais da metade dos jovens alemães
se tornam aprendizes
quando terminam a escola.

 

“Eu não sabia nada sobre carros além do fato de terem quatro rodas e um volante”, diz Priscilla, que está aprendendo sistemas de mecatrônica automotiva, a fusão multidisciplinar de engenharia mecânica, eletrônica e informática presente nos veículos de hoje e nos robôs que, cada vez mais, os montam. “Desde que consigo me lembrar, me interesso por coisas técnicas”, diz ela. “Um amigo meu já era aprendiz de mecatrônica aqui e falava de forma muito positiva sobre o programa. A oportunidade de ganhar dinheiro durante o treinamento, em vez de continuar na escola, também foi um grande fator de atração.”

Assim, no verão de 2015, depois de uma prova on-line para avaliar sua capacidade em matemática e ciência, Priscilla veio para a fábrica de Sindelfingen para a semana de recrutamento “Let’s Benz”.

“Fiz a prova de inscrição, passei por uma entrevista, conheci alguns aprendizes e experimentei algumas coisas. Gostei muito do que vi e do fato de que há moças sendo treinadas, embora torça para nosso número aumentar ainda mais. Uma semana depois me disseram que eu fora aceita; comecei naquele mês de setembro os três anos e meio como aprendiz.”

Outro iniciante era Max Ehrlich, de 17 anos, que está treinando para ser mecânico de construção. “Somos responsáveis por todas as peças da carroceria. Sempre me interessei por carros, mas não sabia nada sobre como eram fisicamente construídos”, diz ele.

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Por Tim Bouquet

Leia o artigo na íntegra, na revista Seleções de fevereiro.