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Publicado em: 13 de outubro de 2020

Ataque de Boulos a França escancara guerra pelas eleitoras em São Paulo

Imagem:

SÃO PAULO, SP – Um embate entre Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB) no início da corrida à Prefeitura de São Paulo chamou a atenção para uma fatia do eleitorado que ainda está indecisa e que historicamente é cobiçada por candidatos: as mulheres.

Segundo o Datafolha, mais da metade (55%) do eleitorado feminino na capital paulista ainda não sabe em quem votar, quando a pergunta é feita na pesquisa sem mostrar ao entrevistado uma cartela de respostas. O índice cai para 42% no universo masculino.

Durante o debate da Band, no último dia 1º, Boulos recuperou uma fala de 2018 do então governador França em que ele defendeu a tese que a Polícia Militar seria mais eficiente se não tivesse que atender a tantas brigas domésticas.

O candidato do PSOL questionou se o rival aprovava "lavar as mãos" diante da violência contra a mulher e sugeriu que espectadores buscassem na internet o nome do político do PSB mais a expressão feminicídio, o que fez reportagem da Folha sobre a afirmação da época virar a mais lida do site do jornal.

França reforçou as explicações dadas em 2018 sobre a controvérsia, mas o estrago estava feito. Nos bastidores, assessores consideraram a resposta pouco enfática e avaliaram que, por nervosismo, o ex-governador perdeu uma chance de deixar claro o respeito à igualdade de gênero.

Àquela altura, os dois postulantes estavam colados um no outro nas intenções de voto medidas pelo Datafolha (Boulos com 9% e França com 8%, empatados na margem de erro). Na pesquisa mais recente, feita após o debate, o nome do PSOL saltou para 12%, enquanto o do PSB manteve os 8%.

O primeiro tem o mesmo percentual (12%) entre homens e entre mulheres; o segundo chega a 10% entre homens e cai para 7% entre mulheres.

Membros da campanha de Boulos dizem que o ataque embutia a intenção de mostrar que França não é tão de esquerda assim, em uma tentativa de conquistar apoios em um campo ideológico no qual os dois disputam votos.

O filiado do PSOL tem lembrado que o adversário foi vice do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e ajudou a articular a campanha de João Doria (PSDB) a prefeito em 2016.

"Ele não é o progressista que está tentando vender", diz o marqueteiro de Boulos, Chico Malfitani. "O Doria inventou aquela história de ‘Márcio Cuba’ [para ligá-lo à esquerda], mas isso não procede."

França afirmou à Folha em julho que está "mais para o lado progressista", mas disse que passou a vida toda explicando que é como se ele fosse "a direita da esquerda".

Para além da discussão sobre espectro político, a provocação reverberou de imediato na seara do gênero. Depois do debate, as mensagens com o nome de França mais replicadas no Twitter continham o termo "briga de casal".

Buscas no Google associando o nome dele à palavra feminicídio, que não eram algo muito pesquisado, ganharam tração durante o programa da Band, embora já tenham entrado em tendência de queda.

Tanto Boulos quanto França vinham acenando às mulheres, com propostas específicas para esse público e trunfos nas estratégias de comunicação.

O psolista alçou sua vice, Luiza Erundina (PSOL), a um patamar atípico de relevância na campanha. O nome da ex-prefeita é martelado quase tanto quanto o do cabeça de chapa.

O ex-governador escalou sua esposa, Lúcia, para tarefas de protagonista. Ela assumiu uma intensa agenda de rua e a interlocução com ONGs e líderes comunitários, além de ter destaque nas propagandas.

Coincidência ou não, o casal intensificou depois do ocorrido as postagens em redes sociais identificadas com causas femininas. Ele exaltou as cientistas que venceram o Nobel de Química; ela publicou vídeo de apoiadoras, falou de câncer de mama e elogiou as "mulheres incríveis" com quem tem falado.

Boulos também colocou o tema em evidência. Visitou uma organização que atende mulheres vítimas de agressão e mostrou a esposa e as filhas durante transmissões. O ativista de moradia também tem aparecido em público cercado por correligionárias que são candidatas a vereadora.

Com desempenho melhor entre mais ricos e mais escolarizados, Boulos pode aumentar sua inserção na periferia ao se aproximar das eleitoras, na visão de aliados. Estrategistas dizem que elas têm ainda a capacidade de influenciar o voto de parentes e vizinhos.

As mulheres representam 54,1% do total de eleitores na capital paulista.

Outros postulantes também agitaram a bandeira feminina nos últimos dias. No sábado (10), o candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), foi a uma base da Guarda Civil Metropolitana que cuida de casos da Lei Maria da Penha e fez promessas para combater a violência contra a mulher.

A taxa de eleitoras indecisas, conforme o Datafolha, cai na pesquisa estimulada, quando o entrevistado é apresentado aos nomes dos candidatos. Neste caso, apenas 5% respondem que não sabem (entre os homens, são 4%).

Celso Russomanno (Republicanos), que lidera a pesquisa estimulada, com 27%, registra também o maior índice de apoio feminino entre todos os concorrentes. O deputado federal alcança 26% entre as mulheres, percentual que sobe para 29% entre os homens.

França, que já tinha chamado de fake news a insinuação de Boulos, voltou a criticar o oponente em nota à Folha. O candidato do PSB tem dito que sua fala de 2018 buscava defender maneiras alternativas de resolver os chamados casos de desinteligência.

"Boulos é um bom rapaz, um idealista. Mas até ele sabe que falsificou entendimentos ‘forçados’ de matérias jornalísticas para reproduzir uma mentira que ofende minha história de vida e também a biografia intelectual dele", afirmou.

"Homem que agride mulher tem que ser preso. Ponto final", completou. "O Estado deve, sim, ter profissionais diferentes para atender cada tipo de ocorrência. Foi o que eu afirmei em 2018 e que foi distorcido em prol de cliques e de lacrações no ambiente virtual e mesmo no debate."

França repetiu que Erundina foi sua colega de partido e "não é uma mulher que contemporize com alguém com o perfil que ele [Boulos], de forma rasa, procurou descrever".

A assessoria não respondeu se o imbróglio levou a alguma mudança de estratégia.

França afirmou na nota que Lúcia "sempre foi independente para decidir o quanto gostaria de participar" de suas campanhas e que os dois são parceiros. "Não fazemos política para atenuar críticas, mas por convicção."

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