SÃO PAULO, SP – O Basque Culinary World Prize, prêmio conferido pelo Centro Culinário Basco -a importante universidade de gastronomia sediada na cidade de San Sebastián, no norte da Espanha- nomeou dois brasileiros entre os premiados deste ano.

Em sua quinta edição, de resultados anunciados nesta quinta (23) em videoconferência, a premiação levou em conta os esforços de profissionais de todo o mundo para combater os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre o setor e a população.

O prêmio principal foi para o espanhol radicado nos Estados Unidos José Andrés, criador da organização sem fins lucrativos World Central Kitchen. Mas também foram concedidas dez menções honrosas para outros chefs que, pelo mundo, realizam ações sociais com base na gastronomia.

Dois deles são brasileiros: Mariana Aleixo, pelo trabalho do Maré de Sabores, nas favelas da comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, e David Hertz, da ONG Gastromotiva, por liderar bancos de alimento e intermediar outras iniciativas no Brasil e no México.

O júri é presidido pelo chef Joan Roca e formado por algumas sumidades da gastronomia do mundo (Ferran Adrià, Mauro Colagreco, Dan Barber, Gastón Acurio e outros), incluindo a brasileira Manu Buffara.

O premiado chef José Andrés -que também é empresário de sucesso de uma cadeia de restaurantes- criou a World Central Kitchen há dez anos, e atua em vários países. Ficou ainda mais conhecido em 2017, quando o furacão Maria arrasou Porto Rico: enquanto Donald Trump ignorava a tragédia (talvez achasse apenas um "ventinho"), Andrés e seu time se mudaram para a ilha e montaram uma verdadeira operação de guerra para alimentar mais de um milhão de pessoas.

Durante a atual pandemia, a WCK passou a atuar em cidades americanas e espanholas –no auge da crise na Espanha, operava 150 cozinhas em dez cidades com o apoio de chefs locais, bancos de alimento e a Cruz Vermelha.

Segundo os organizadores do prêmio, "o trabalho de Andrés (…) simboliza as medidas que se fazem necessárias durante tempos tão difíceis, incluindo facilitar o acesso a alimentos em regiões onde há escassez, administrar cozinhas solidárias em contextos desafiadores, restabelecer a cadeia de fornecimento junto a produtores de pequeno porte, oferecer apoio direto aos funcionários de restaurantes".

Entre os brasileiros premiados com a menção honrosa está a chef Mariana Aleixo, que administra o programa Maré de Sabores nas 16 favelas que compõem a comunidade da Maré no Rio de Janeiro. O programa oferece oficinas de culinária e eventos gastronômicos à comunidade e opera um serviço de bufê que emprega mulheres e oferece alimentos saudáveis por um preço acessível.

Durante a pandemia o Maré de Sabores atua como banco de alimentos e fornece refeições solidárias, além de iniciativas de conscientização, educação e trabalho social.

Também radicado no Rio de Janeiro, o outro premiado, David Hertz, criou em 2006 a ONG Gastromotiva para promover inclusão social por meio da gastronomia, oferecendo treinamento culinário a jovens vulneráveis.

Em parceria com mais de 30 organizações, hoje a Gastromotiva atua também no México, África do Sul e El Salvador. No Rio administra o Refettorio Gastromotiva, restaurante social que fornece refeições para pessoas em situação de rua, e em 2017 lançou o Movimento de Gastronomia Social, uma rede global que promove causas como desenvolvimento sustentável, alimentação saudável e inclusão social.

Os demais ganhadores da menção honrosa são Elijah Amoo Addo (Gana), Greg Baxtrom, Tracy Chang, Ed Lee e a iniciativa Ghetto Gastro (Estados Unidos), Simon Boyle e Nicole Pisani (Reino Unido) e Juan Llorca (Espanha).