RIO DE JANEIRO, RJ – Enfrentando o 14º dia de greve dos petroleiros, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou, nessa sexta-feira (14), que "a produção está intacta" apesar da paralisação.

"Nenhuma gota", disse ele, à saída de uma reunião no Rio de Janeiro. O presidente da Petrobras disse ainda que a equipe de contingência, com a contratação de temporários, vai perdurar enquanto durar a greve. 

Castello Branco não informou quantos trabalhadores foram contratados temporariamente.

Na quinta-feira (13), a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) enviou ofício ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) alertando para o risco de a paralisação dos funcionários da Petrobras afetar o abastecimento de combustíveis no país.

No ofício, a ANP lembra que a Petrobras tem mantido as operações de suas unidades com equipes de contingência, mas diz que "tal solução não se sustentará ao longo do tempo, podendo causar impactos na produção de petróleo, gás natural e seus derivados".

Em ações contra a greve na Justiça, a Petrobras tem reclamado da baixa presença de empregados em suas unidades, apesar de decisão do TST determinando que os sindicatos garantam efetivos mínimos de 90% do pessoal.

Ainda não há, porém, registros de dificuldades na compra de produtos por distribuidoras de combustíveis. A ANP diz que, diante da falta de indicativos de fim da greve, toda a cadeia poderá ser afetada.

"Cumpre ressaltar que a produção de derivados [de petróleo] representa um serviço essencial para o país e o prolongamento da greve poderá afetar não só a produção, como o abastecimento, com consequente prejuízo no pagamento de impostos em todas as esferas da federação", diz o texto.

O ofício foi enviado ao ministro Ives Gandra, que na semana passada declarou que a greve é abusiva e tem conotação política, determinando multas por não cumprimento de efetivos mínimos e bloqueio nas contas dos sindicatos.