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Saúde & Bem-estar

Nova esperança para pacientes portadores do vírus HIV?

Remissão completa do HIV em portador do vírus por mais de 3 décadas traz esperança para pacientes e estímulo para cientistas.

Escrito por:

Brunna Cassales

Redator
Cura de paciente soropositivo traz esperança para pessoas que vivem com HIV e inspiram comunidade médica.
Publicado em: Última atualização:

Médicos americanos anunciaram que não há mais indícios de HIV no organismo de um paciente de 66 anos portador do vírus desde 1988. O homem foi considerado curado, por isso não precisa mais tomar medicamentos retrovirais. Para se ter uma ideia, este é apenas o 4º caso existente no mundo.

Entenda como a cura do HIV foi possível

Conhecido como o Paciente City of Hope (“Cidade da Esperança”) em homenagem ao hospital onde recebeu o tratamento em Duarte, na Califórnia, o paciente também tinha leucemia. Por isso, recebeu um transplante de medula óssea. O fato é que o doador era naturalmente resistente ao HIV.

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) ataca o sistema imunológico, podendo levar à Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida). Assim, suprime as células de defesa do corpo contra infecções. Isso acontece ao invadir os glóbulos brancos através de uma proteína microscópica – chamada CCR5. Porém algumas pessoas, como o doador em questão, possuem mutações CCR5 que bloqueiam a entrada, impedindo que o vírus invada as células.

Com o monitoramento do paciente por mais de 17 meses após o transplante, foi observado que a carga viral dele se tornou indetectável. O homem, que pediu para não ser identificado, afirmou que está “mais que grato”. Quando teve o diagnóstico de HIV nos anos 1980, ele pensou – como muitos outros infectados naquela época – que era uma sentença de morte. E nunca achou que “viveria para ver o dia em que não tivesse mais HIV”.

No passado, muitos de seus amigos morreram com HIV, antes que os medicamentos antirretrovirais surgissem para dar uma expectativa de vida quase normal aos soropositivos. Vale ressaltar ele é a pessoa mais velha e que vive com HIV há mais tempo a ser tratada dessa forma. “Ficamos entusiasmados em informá-lo que seu HIV estava em remissão e que ele não precisaria mais tomar a terapia antirretroviral que estava usando há mais de 30 anos”, contou a Dra. Jana Dickter, infectologista do hospital City of Hope.

Apresentado em 27 de julho na conferência Aids 2022, em Montreal, no Canadá, o caso causou repercussão imediata na comunidade médica. Mas Sharon Lewin, presidente da Sociedade Internacional da Aids, comentou que “a cura continua sendo o Santo Graal da pesquisa do HIV”. Apesar dessa raridade, ela diz que os poucos episódios de cura individual possibilitam “esperança contínua para pessoas que vivem com HIV, e inspiração para a comunidade científica”.

Saiba mais sobre os casos isolados e outras pesquisas

Os outros exemplos de tratamentos de remissão completa bem sucedidos aconteceram na última década. A primeira vez foi em 2011, quando Timothy Ray Brown – o Paciente de Berlim – se tornou a primeira pessoa a ser curada do HIV. Depois, houve o registro de mais três casos semelhantes nos últimos três anos. Isso indica que teremos uma “cura” acessível para a maior parte da população?

De acordo com especialistas, os transplantes de medula óssea não vão revolucionar o tratamento para os 38 milhões de indivíduos que vivem com HIV no mundo. “É um procedimento complexo com efeitos colaterais significativos. Portanto, não é realmente uma opção adequada para a maioria das pessoas que vivem com HIV”, apontou Jana Dickter.

Além disso, a palavra “cura” deve ser usada com cautela. Na verdade, trata-se de uma remissão sustentada sem antirretrovirais. Agora, pesquisadores buscam maneiras de atuar sobre a proteína CCR5 usando terapia genética.

Na mesma semana do anúncio na Aids 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou um novo medicamento para impedir que o vírus HIV se espalhe pelo corpo. O Cabotegravir é um medicamento injetável e de ação prolongada que atua como “uma ferramenta segura e altamente eficaz de prevenção do HIV, mas ainda não está disponível fora dos ambientes de estudo”, declarou Meg Doherty, diretora de Programas Globais de HIV, Hepatite e Infecções Sexualmente Transmissíveis da OMS.

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