No mundo inteiro, cerca de 50 milhões de pessoas sofrem de demência, e já se previu que esse número vai crescer com o envelhecimento da população. Com isso em mente, é fácil supor que o risco geral de demência também esteja aumentando. Porém, na verdade é o contrário: a taxa de demência na população com 65 anos ou mais está caindo.

Confira os tipos de demência e seus principais sintomas aqui!

O número absoluto sobe, mas é porque muita gente está vivendo bem mais do que nas gerações anteriores. E, com a velhice, ficamos mais suscetíveis às doenças ligadas à idade.

Mas, o que é demência?

É um conjunto de sintomas associado a uma deficiência profunda do pensamento, da memória e da capacidade de funcionar. Embora ligada com mais frequência à doença de Alzheimer, ela também pode ser causada por outras enfermidades, como Parkinson e doença cardiovascular.

Uma revisão de pesquisas recentes sobre demência publicada na revista Lancet lista sete doenças, como hipertensão arterial, obesidade, depressão não tratada e perda auditiva não tratada, que aumentam o risco de demência.

A boa notícia, de acordo com a professora Gill Livingston, da divisão de Psiquiatria do University College London, e que participou da revisão da Lancet, é que, se melhorar esses fatores do estilo de vida, você pode eliminar pelo menos 35% das demências atribuídas a eles. Mas essa estimativa pode ser conservadora demais.

Estudos feitos nos EUA, na Dinamarca, na Suécia, no Reino Unido e em outros países mostram que, mais do que nunca, é possível ter uma vida longa sem a devastação da demência.

E isso pode acontecer até com pessoas cujo cérebro já sofreu algumas mudanças fisiológicas associadas a ela. Às vezes, essas anormalidades cerebrais levam décadas para destruir a capacidade de recordar, comunicar-se e entender o mundo. Mas, apesar do dano existente, algumas pessoas permanecem extraordinariamente resistentes à demência.

Eis cinco novos achados que provam que podemos proteger nosso cérebro:

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1. Hereditariedade não é destino

E os genes? Eles não tornam a demência quase inevitável em algumas pessoas? Nas formas raras de doença de Alzheimer precoce que atacam pessoas dos 30 aos 50 anos, os genes realmente determinam a demência. Mas não é assim com a doença surgida mais tarde.

“O gene comum que aumenta o risco de Alzheimer em pessoas de 65 anos ou mais se chama APOE-4”, diz a professora Livingston. Mas ela ressalta que nem todo mundo que tem o APOE-4 sofre da doença e nem todo mundo que apresenta demência tem o gene.

Na verdade, de acordo com a professora, o gene “só explica cerca de 7% das demências”.

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2. Cérebros ativos são mais saudáveis

Uma pesquisa identificou que o nível mais alto de atividade cognitiva está associado à melhor cognição. De acordo com o Dr. Aron Buchman, do Centro Rush, “atividades intelectuais comuns, como ler livros, escrever cartas e buscar e aprender regularmente informações novas, como outro idioma, por exemplo, são fundamentais para manter o cérebro saudável.”

A pesquisa constatou que, na velhice, quanto mais essas atividades faziam parte da vida, menos declínio mental o participante exibia.


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Mas uma questão importante permanecia: esses indivíduos escapavam da demência apesar de mudanças fisiológicas do cérebro? Os pesquisadores tiveram a resposta quando todos os participantes do estudo concordaram em doar o cérebro para autópsia após a morte.

As condições físicas dos cérebros doados eram mais ou menos o que se esperaria de pessoas com 80, 90 ou mais anos, inclusive com anormalidades. Mas essas anormalidades não causaram o dano esperado em quem se manteve intelectualmente ativo.

A teoria predominante é que o cérebro dessas pessoas tem bastante “reserva” cognitiva ou cerebral, um reservatório de matéria cinzenta ativa disponível para compensar as mudanças ligadas à idade.


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3. Alimentação saudável, cérebro saudável

Um estudo recente constatou que, só por aderir estritamente à alimentação mediterrânea (consumo elevado de cereais integrais, frutas, legumes, verduras, azeite e peixe; baixo consumo de carne e doces), é possível baixar em até 40% o risco de doença de Alzheimer.

Hoje, os pesquisadores levaram a alimentação um passo adiante, confirmaram a conexão entre ela e a demência e criaram a chamada alimentação MIND, um regime que visa diretamente à saúde cerebral.