Doenças cardiovasculares para os adolescente são doenças de gente mais velha. Mas eles precisam ficar atentos à origem das doenças, quando elas começam e por que comprometem a vida adulta.

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O dia estava fresco, soprava uma brisa agradável na quadra da escola. Começamos a aula com o aquecimento de hábito: uma corridinha leve. Não se passaram nem dois minutos antes que Pedro, 13 anos, gritasse: “Professor, estou morto!”, seguido por Ana e Carolina, da mesma idade: “Professor, minhas pernas estão doendo muito!” e “Acho que vou desmaiar!” e, por fim, um coro de outras vozes: “Ai, professor, não aguento mais!”

Sendo professor de educação física e trabalhando com crianças e adolescentes há alguns anos, sempre me espantou o fato de muitos alunos ficarem ofegantes e demonstrarem um cansaço anormal com alguns exercícios e brincadeiras simples. Portanto, comecei a perceber que isso acontece com a maioria dos alunos e há alguns anos passei a pesquisar sobre o estilo de vida jovem. Minha conclusão é que as coisas não vão nada bem…

Doenças cardiovasculares

Afinal, as doenças cardiovasculares, principal causa de morte no Brasil e no mundo e que representam aproximadamente 70% dos gastos do SUS, têm origem na infância e adolescência. Diversos estudos realizados em vários lugares do mundo apontam que o estilo de vida jovem é altamente determinante para a saúde e qualidade de vida adulta.

A inatividade física – um dos principais motivos do aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes e que constitui um sério fator de risco para o surgimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer – predomina entre os jovens.

É inegável que o excesso de tecnologia, violência e escassez de locais apropriados para a prática esportiva são razões para as crianças e adolescentes passarem grande parte dos dias inativos. Sabemos que os jovens de hoje já não brincam mais de queimada e piques. Um estudo realizado em 2016, onde foram avaliados 1.139 estudantes, constatou que 947 alunos (o que representa 83,1%) tinham comportamento sedentário e 696 (ou 65,3%) apresentavam prática insuficiente de atividade física.

Certamente, uma das mais graves consequências da inatividade física é o baixo nível de aptidão aeróbica. A aptidão aeróbica se relaciona com a capacidade de realizar exercícios em intensidade moderada a forte por períodos prolongados de tempo. Sendo assim, está associada a outros fatores de risco cardiovascular como hipertensão e diabetes (saiba como tratar). Um estudo realizado na África, ao analisar a aptidão aeróbica de crianças e adolescentes, constatou que em 2012 as crianças apresentavam níveis de aptidão aeróbica mais baixos do que em 1992.

Estilo de vida

Além dos baixos níveis de aptidão aeróbica, a falta de atividade física acarreta inúmeros agravos para a saúde. Aliás, além disso, muitas vezes esses são assintomáticos; quando descobertos, a doença já está num estágio avançado e a cura requer mudanças significativas no estilo de vida. O que não é fácil.

Sobretudo, é fundamental haver incentivo à prática esportiva jovem. Nadar, correr, brincar, jogar bola, andar de bicicleta, pular corda; estes são apenas alguns exemplos de atividades que os jovens podem e devem fazer. Ou seja, é essencial que a criança experimente diversas práticas esportivas e que escolha aquela que lhe proporcione prazer.

A frequência semanal deve ser de 150 minutos de atividade física em intensidade moderada. Ou 75 minutos de atividade física intensa. Esta recomendação proporciona inúmeros benefícios à saúde não somente do jovem como também do adulto.

Portanto, digo a meus alunos: movimentem-se! Enfim, brinquem! Corram, joguem bola e andem de bicicleta. Afinal de contas, jovem ativo = adulto saudável.

Por André Luis Messias

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