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Publicado em: 25 de junho de 2019

Gota: tudo o que você precisa saber para lidar com esse problema incômodo

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Em cerca de 50% dos casos de gota, a doença começa no dedão do pé. Embora muitas pessoas apresentem nível elevado de ácido úrico no sangue, somente 20% desenvolvem gota. Durante uma crise aguda, geralmente iniciada da noite para o dia, a articulação acometida torna-se muito dolorida, além de ficar vermelha, quente e inchada.

Confira também: quem está no grupo de risco da gota?

“Muitos pacientes relatam que até o peso do lençol pode se tornar insuportável”, diz o Dr. Geraldo Castelar, professor associado da disciplina de reumatologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

“A gota incide principalmente em homens acima dos 40 anos. Mas após a menopausa, as mulheres ficam mais suscetíveis.”

Não admira: na crise de gota, em nível microscópico, milhares de cristais minúsculos de ácido úrico, afiados como agulhas, enchem a articulação, tão irritantes e dolorosos quanto cacos de vidro. Com o tempo, se o nível elevado de ácido úrico no sangue não for tratado, as crises de gota se tornarão cada vez mais frequentes. E, assim, espalham-se para outras articulações e podem provocar lesões irreversíveis.

A gota ataca principalmente homens acima dos 40 anos, com o quádruplo da probabilidade das mulheres com menos de 65. Porém, depois da menopausa, a diferença se reduz e as mulheres ficam mais suscetíveis.

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Essa doença antiga e debilitante, é uma das formas mais comuns de artrite. Estima-se que de 1% a 2% dos habitantes de países ocidentais sejam afetados. Além disso, a incidência de gota dobrou nos últimos 20 anos. E isso, provavelmente, devido à epidemia crescente de obesidade e à alimentação moderna com excesso de carne.

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Prevenção, tratamento e cuidados:

  • 1. Evite a primeira crise de gota 

    Todos produzimos ácido úrico, e a maior parte dele é eliminada pelos rins. Quem tem gota produz ácido úrico demais ou os rins não eliminam o suficiente. A probabilidade de ter a doença é maior para alguém que tem ou teve um caso de gota na família. Mas é possível melhorar a probabilidade de não a contrair evitando o excesso de peso e controlando a ingestão de alguns alimentos e bebidas, como os que se seguem:

    Alimentos ricos em purina. A purina é um composto natural que se converte em ácido úrico no organismo. A alimentação rica em carne vermelha, miúdos e frutos do mar está associada ao nível elevado de uratos no sangue.

    Bebidas alcoólicas, principalmente cerveja e destilados. O consumo deveria ser reduzido. A desidratação pode provocar uma crise, portanto é preciso beber uns dois litros de água por dia.

    Refrigerantes com frutose. Um estudo encabeçado pelo Dr. Hyon Choi, professor de reumatologia na Escola de Medicina da Universidade de Boston, constatou que o consumo de grande quantidade de frutose, principalmente sob a forma de refrigerantes, está fortemente associado ao aumento do risco de gota.


  • 2. Como a gota é diagnosticada

    Embora muitos reumatologistas acreditem que podem diagnosticar a gota apenas olhando uma articulação vermelha, inchada e dolorida, e embora esse sintoma, combinado a um exame de sangue que revele nível de urato sérico superior a 6,8 mg/dL (0,4 mmol/L), seja forte indício de gota, as recomendações multinacionais afirmam que, para diagnosticar a gota de forma definitiva, o médico deve pesquisar a presença de cristais de ácido úrico no líquido sinovial dos pacientes com artrite e suspeita de gota.

    “Essa é uma das poucas doenças que podemos diagnosticar no consultório. Aspiramos a articulação, olhamos no microscópio e lá estão os cristais“, diz o Dr. Christopher Burns, reumatologista da Escola de Medicina de Dartmouth, nos Estados Unidos.


  • 3. Tratamento da crise aguda

    A maioria das crises de gota passa em três a sete dias, mas a dor e o inchaço podem ser tratados com analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides. O medicamento colchicina, derivado do açafrão-do-prado, é usado há séculos para tratar crises de gota e ainda é eficaz. Corticosteroides como a prednisona também são úteis.


  • 4. Busca de outras doenças

    Segundo as recomendações, a presença de gota é um alerta para problemas renais, diabetes e cardiopatias. Os pacientes com gota têm o quádruplo da probabilidade de morrer de doença renal quando comparados aos que não a têm. É preciso averiguar a função renal e fazer exames para verificar fatores de risco, como diabetes e doença cardiovascular.


  • 5. Baixar o nível de ácido úrico

    A maioria dos pacientes que sofreram uma primeira crise de gota terão uma segunda crise nos dois primeiros anos da doença. Com o passar do tempo, a menos que o nível de ácido úrico no sangue seja controlado, o intervalo entre as crises será cada vez menor. A primeira linha de tratamento medicamentoso é o alopurinol, que reduz a produção de ácido úrico pelo organismo.

    O alopurinol tem se mostrado eficaz há quase 40 anos. A maioria dos pacientes gotosos necessita tomar esta medicação pelo resto da vida. Cerca de 2% dos pacientes, em geral no início do tratamento, pode apresentar reação alérgica. Alguns casos raros podem levar ao óbito. Alternativamente, caso o paciente não tenha histórico de cálculo renal, ele pode ser tratado com um medicamento que aumenta a eliminacão renal de ácido úrico, a benzbromarona.

    A terapia com alopurinol deve começar com 100 mg por dia e ir aumentando a dose aos poucos, 50 ou 100 mg por vez, para garantir que a substância é bem tolerada, até o exame de sangue mostrar um nível abaixo de 6 mg/dL (0,36 mmol/L).

    “Doses baixas são ineficazes, deixam os pacientes em risco de sofrer efeitos colaterais e sem o benefício de dissolver os cristais”, diz a Dra. Sivera. Depois de começar o tratamento, os pacientes precisam fazer pelo menos um exame de sangue para ter certeza de que a meta do nível sérico foi atingida.


  • 6. Tratamento de tofos

    Com o passar dos anos, o nível elevado e não tratado de ácido úrico pode provocar acúmulos de cristais em tecidos e articulações, conhecidos como tofos. Além de interferirem na estética, os tofos são capazes de destruir a articulação, comprometendo sua função, e comprimir nervos. Para dissolver os tofos, os especialistas recomendam a terapia para baixar o nível de ácido úrico até a meta de 5 mg/dL (0,3 mmol/L), o que apressa a redução dos tofos. Só se considera a cirurgia nos casos mais graves.


  • 7. Não trate o nível elevado e assintomático de uratos

    Há quem tenha nível elevado de ácido úrico no exame de sangue sem nunca ter sofrido uma crise de gota, eliminado um cálculo renal e nem apresentado sinais de tofos. Essas pessoas devem ser orientadas a reduzir o nível de ácido úrico com alimentação e exercícios, mas não precisam começar o tratamento medicamentoso.

    “Hoje há tratamentos muito eficazes. Ninguém precisa sofrer crises recorrentes de gota. Caso sofram, devem procurar um especialista“, diz o Dr. Burns.


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