Hora da revisão: a hepatite (inflamação do fígado) viral é classificada com diversas letras, dependendo do vírus responsável. Todas as variedades são contagiosas e podem provocar fadiga, náusea, febre, dor de barriga e olhos amarelados; algumas deixam cicatrizes e podem levar ao câncer e à necessidade de transplante.

Ainda bem que a probabilidade geral de contrair hepatite é bem baixa. A hepatite A (transmitida principalmente por alimentos ou água contaminados com fezes) vai e vem em pequenos surtos, enquanto a D (complicação da B) e a E (disseminada por água suja) são incomuns em países desenvolvidos. Quase todo o fardo da hepatite vem dos tipos B e C, que são crônicos em, respectivamente, 1% e 1,2% dos brasileiros.

A hepatite B é encontrada no sangue, no sêmen e no fluido vaginal, e o risco fica acima da média para quem faz sexo sem proteção com vários parceiros, usa drogas injetáveis ou divide escovas de dente, lâminas de barbear ou cortadores de unha com alguém contaminado.

Quando a hepatite B é contraída na idade adulta, há uma chance de 95% de que seja derrotada pelo sistema imunológico sem tratamento médico. No entanto, as crianças, contaminadas em geral durante o parto, costumam se tornar portadoras vitalícias. O tipo B não apresenta necessariamente sintomas até causar as complicações que 1/4 dos portadores crônicos corre o risco de sofrer. Portanto, a maioria das autoridades de saúde pública sugere que as crianças sejam vacinadas, assim como os adultos em risco que não se vacinaram na infância.

70% a 80% dos portadores de hepatite C aguda não têm sintomas.

Já a hepatite C é disseminada principalmente pelo sangue. O risco é maior para quem tomou drogas intravenosas, dividiu itens de higiene pessoal ou recebeu transfusões de sangue antes da década de 1990, quando a tecnologia de rastreamento se tornou disponível.

Ainda não há vacina para a hepatite C. É comum os sintomas só aparecerem quando a lesão no fígado já é grave. A probabilidade de se livrar da doença sem tratamento é de apenas 25%. Contudo, há novos medicamentos que a curam em 90% a 97% dos casos, segundo a Dra. Helena Cortez-Pinto, médica hepatologista da entidade United European Gastroenterology.

“A Organização Mundial da Saúde visa eliminar as hepatites B e C como ameaças à saúde pública até 2030. ”, diz a Dra. Helena. Com a ajuda de vacinas, tratamentos e consciência do risco, a meta é realista.

POR SAMANTHA RIDEOUT