A hiperidrose pode piorar no verão. Já começamos a imaginar como vai ser andar nas ruas, suados, nos próximos meses. No entanto, para algumas pessoas, o excesso de suor está além do clima. Pode ser um problema de saúde, e a fonte de tanto calor ser outra. Não deixe de conversar com o seu médico.

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Heidi Barton, dona de casa de Southport, Inglaterra, trocava de roupa várias vezes por dia, reaplicava desodorante constantemente e usava um maiô embaixo da roupa para absorver o suor que o corpo produzia em profusão; ela vivia sentindo que os outros a consideravam suja. No dia de seu casamento, ela não conseguiu terminar a sessão de fotos. Estava preocupada demais com a maquiagem manchada pelo suor e as marcas no vestido.

“Toda vez que puxavam a câmera, eu fugia”, recorda ela. “Na última foto minha no dia do casamento, estou correndo para longe.”

O suor é causado principalmente por calor, medo, estresse e exercícios, e pode se intensificar com a cafeína e alimentos picantes. Os homens tendem a suar um pouco mais do que as mulheres, e, na menopausa, é comum as mulheres suarem mais por causa da atividade hormonal.

“Suar é uma reação fisiológica, projetada para resfriar o corpo”, diz o Dr. Anton Alexandroff, dermatologista de Leicester, Inglaterra, com interesse especial por hiperidrose.

Entre os tratamentos médicos da hiperidrose estão antiperspirantes de várias intensidades

Mas algumas pessoas têm um número bem maior de glândulas sudoríparas, o que resulta na chamada hiperidrose, que pode ser um pesadelo social. Muita gente tem tanta vergonha de se sentir suado e quente o tempo todo que esconde isso de amigos e parentes.

Entre os tratamentos médicos da hiperidrose estão antiperspirantes de várias intensidades, mas que só são eficazes onde aplicados, podem irritar a pele e podem ser anulados pela necessidade do corpo de suar. Para pacientes com episódios de suor provocados por ansiedade, medicamentos betabloqueadores podem ajudar. Outra maneira de secar a hiperidrose é a iontoforese, a estimulação elétrica da pele em áreas sujeitas a suor com o uso de kits simples vendidos sem receita.

O botox provou que a doença pode ser controlada

Mais recentemente, as injeções de botox se mostraram eficazes para bloquear o suor liberado em áreas específicas. Mas o procedimento, que pode ser caro e doloroso, tem de ser repetido a cada quatro a seis meses. Um método mais novo usa a tecnologia de micro-ondas para “fritar” as glândulas sudoríparas do paciente. Mas ainda não se conhecem seus efeitos a longo prazo. Em casos extremos, usa-se cirurgia para cortar os nervos que comandam as glândulas sudoríparas.

Para Heidi, que combatia a hiperidrose desde os 13 anos e largara o emprego de cabeleireira por medo de pingar suor nos clientes, o botox provou que a doença pode ser controlada. “O tratamento mudou minha vida”, diz ela. “Fiquei mais extrovertida, saio mais de casa.” Agora ela está pensando na cirurgia para cortar os nervos.

A princípio, Alexandroff recomenda evitar os gatilhos alimentares e usar antiperspirantes terapêuticos. “Se não funcionar”, diz, “então consulte um clínico geral ou um dermatologista.”

POR LINA ZELDOVICH
Adaptado de “Just Too Embarrassed”, de Paula Wild