Descrita pela primeira vez em 2000 pelo estrategista de marketing Dan Herman, o FoMO é uma síndrome que afeta milhares de pessoas no mundo todo. A tradução literal da sigla já nos diz muito: medo de estar perdendo algo (Fear of Missing Out). Ou seja, o sentimento constante de que deveríamos estar vivendo, sentindo ou tendo algo que não temos, não estamos vivendo ou sentindo. E essa percepção é agravada atualmente pelo alto consumo de informações nas redes sociais.

Pessoas que desenvolvem o FoMO costumam estar o tempo todo conectadas na internet. O infindável feed – no qual acompanhamos as atualizações das pessoas que seguimos – é um frequente causador de sensações que levam a um diagnóstico de FoMO. Naqueles que sofrem com essa síndrome são identificados aspectos como: ansiedade, frustração, baixa autoestima e até depressão.

De um modo geral, quem vive essa angústia passa a acreditar que precisa viver tudo o que está acontecendo no mundo, e que a vida de todos é melhor do que a sua. Porém, se esquecem que nem sempre o que se expõe nas redes sociais condiz com a realidade.

Como o FoMO pode afetar sua vida

Apesar da ansiedade e da depressão não serem sintomas exclusivos de quem sofre com o FoMO, elas são bastante comuns em quem tem dependência de internet. Não são raros os casos em que pessoas deixam de viver sua realidade e passam a consumir a vida de celebridades e influenciadores digitais. Podem, inclusive, passar horas vendo vídeos e acompanhando a rotina alheia; enquanto deixam de aproveitar o presente e fazer algo para si mesmos.

FoMO – é a ansiedade causada pela sensação de estar perdendo algo interessante ou empolgante que pode estar acontecendo em algum lugar e que é agravada pelas redes sociais. (Cambridge Dictionary)

É muito comum encontrar pessoas que estão sempre conectadas enquanto jantam em restaurantes, durante shows e em reuniões familiares. O tempo que dedicam ao celular poderia estar sendo usado para socializar, criar bons momentos e viver experiências. Mas, muitos não percebem mais que estão trocando a vida real pelo virtual, que estão vivendo o FoMO. Ou seja, que estão ansiosas por viver tudo ao mesmo tempo e que ficam tristes por não conseguirem. Por isso, é preciso estar atento aos sinais.

Fear of Missing Out
Imagem: marchmeena29/iStock

O que fazer para mudar essa realidade

Se você se identificou com esses comportamentos, fique tranquilo. A boa notícia é que é possível reverter os sintomas de FoMO com a mudanças de alguns hábitos. Primeiramente, saiba que é preciso força de vontade. Só assim você conseguirá usufruir da internet de modo saudável e sem exageros. Então, veja o que mudar:

  • Desabilite as notificações dos aplicativos do seu celular – ao não ter conhecimento sobre curtidas e atualizações, sua ansiedade diminuirá bastante.
  • Não pegue o celular ao acordar – dedique as primeiras horas da manhã para si. Faça um bom café da manhã e planeje o seu dia.
  • Quando deitar, coloque o celular para carregar longe da cama – barulhos de mensagens podem atrapalhar seu sono e gerar curiosidade.
  • Não use o celular na cama – quando for deitar, aproveite para relaxar e esvaziar a mente. Desconecte-se!
  • Viva os momentos, não se preocupe em registrá-los – tente viver intensamente cada momento da sua vida. Evite tirar várias fotos e fazer muitos vídeos. Registre somente o necessário.
  • Determine uma quantidade diária de tempo para usar cada rede social – no Instagram, inclusive, já é possível criar um lembrete diário de consumo. Basta indicar quantos minutos você deseja ficar online no aplicativo que ele te avisará quando você chegar à sua meta.

Dependência tecnológica tem cura

Podemos dizer que o FoMO, se não cuidado, pode levar a uma dependência tecnológica. Ou seja, quando os sintomas se agravam e é preciso um tratamento adequado. Aliás, a falta de controle das horas dedicadas às redes sociais já é uma queixa constante nos consultórios de psicólogos e neurologistas. Unido a esse problema pode vir a depressão, o transtorno de ansiedade, a falta de motivação para o trabalho e os estudos etc. Por isso, é preciso buscar orientação especializada.

Para quem já se encontra em um estágio avançado de consumo de internet existem tratamentos específicos. Orientados por psicólogos e psiquiatras, o Instituto Delete (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (São Paulo) são espaços especializados no atendimento de pacientes com problemas relacionados à tecnologia. Lá você pode ter a orientação adequada para cada caso. Se você desconfia que pode estar dependente, faça o teste disponível no site do Serviço do Ambulatório de Transtornos do Impulso (Hospital das Clínicas).

Por Thaís Garcez

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