A nociva poluição do ar doméstico chega a matar 2 milhões de pessoas por ano – surpreendentemente, ainda mais do que a poluição externa, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os poluentes, os cientistas identificaram substâncias químicas danosas nos materiais da casa moderna e descobriram soluções “verdes” para combater seus efeitos. 

Na década de 1960

No fim da década de 1960, o Dr. Bill Wolverton – cientista ambiental que trabalhava nas Forças Armadas dos EUA com a limpeza das toxinas deixadas pelas pesquisas de armas biológicas – revelou que plantas do pântano podiam eliminar da água o controverso herbicida conhecido como agente laranja. Esse sucesso levou à sua contratação pela Nasa para dar prosseguimento à pesquisa sobre o poder purificador das plantas. Durante a missão da estação espacial Skylab, em 1973, cientistas da Nasa identificaram dentro da espaçonave 107 gases nocivos à saúde. Conhecidos como compostos orgânicos voláteis (COVs) – eles eram “emitidos” por materiais de construção sintéticos. Se os COVs estavam presentes na Skylab, também seriam cada vez mais comuns nos lares e prédios públicos; à medida que o uso de materiais sintéticos se popularizava. 

Na década de 1980

Nos anos 1980, a pesquisa do Dr. Wolverton continuou com a BioHome, desenvolvida pela Nasa – pequena estrutura hermeticamente fechada, feita de materiais sintéticos. A BioHome causava uma série de sintomas – irritação nos olhos e dificuldade de respiração – em todos os que nela entravam. Esses sintomas foram mais tarde caracterizados como a “síndrome do prédio doente”. O Dr. Wolverton descobriu que os COVs da BioHome eram reduzidos pela introdução de plantas de interiores. As plantas eliminavam os COVs por meio da transpiração e da fotossíntese.

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A ascensão dos prédios poluidores

A crise de energia da década de 1970 estimulou o setor de construção civil a fazer prédios energeticamente mais eficientes, vedando-os mais, o que também exacerbou o problema dos COVs. Hoje, COVs como acetona, amônia, benzeno, formaldeído, tricloroetileno e xileno são liberados por vários materiais modernos em lares, escolas, escritórios e prédios públicos, incluindo carpetes, mobília, tintas, madeiras tratadas, colas e produtos de limpeza. Estudos os ligaram a asma, congestão nasal, dores de cabeça, irritação nos olhos e náuseas, e alguns foram relacionados ao câncer. Também há evidências de que eles podem contribuir para lesões ao fígado, rins e sistema nervoso central.


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Reduzindo o risco

Casas recém-decoradas e mobiliadas, que tendemos a considerar limpas e saudáveis, podem, na verdade, ter os níveis mais altos de emissão. Mas já existem tintas e outros produtos de baixo risco ou isentos de COVs. É importante que os quartos dos bebês – com frequência decorados para sua chegada – sejam seguros para crianças pequenas, pois elas podem passar grande parte de sua jovem vida dormindo neles. Quaisquer que sejam os produtos que você use, mantenha as janelas abertas o maior tempo possível depois de pintar a casa ou trocar o piso. E pode valer a pena considerar o uso de um purificador de ar interno. Esses dispositivos afirmam eliminar uma alta proporção de poluentes.


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Plantas de interiores que purificam o ar

Você pode facilmente trazer para sua casa os frutos das pesquisas da Nasa. Naturalmente purificadoras do ar e decorativas, as plantas são especialmente úteis nos lares e escritórios modernos, nos quais um isolamento eficiente reduziu a ventilação natural proporcionada pelas correntes de ar. O Dr. Wolverton identificou muitas plantas que são eficientes na remoção dos COVs – eis uma seleção das melhores:


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Crisântemo

Disponível durante todo o ano, esta é uma das melhores plantas de floração para a remoção de amônia, benzeno e formaldeído de sua casa.

Fique atento ao calendário da plantas.