A língua portuguesa é rica, contudo, não é uma língua simples. Aqui você encontra explicações fáceis para 10 dificuldades do português. 

1. Demais e de mais

Escreve-se demais, em uma só palavra, quando significa excessivamente: “Não convém comer demais.” Ou seja, quando se trata de muitíssimo e extremamente: “Ela é linda demais.”

Grafa-se de mais, em duas palavras, que equivale a a mais, oposto de de menos:
“Não vejo nada de mais em sua resposta.”
“Meu Deus, um aleijado! E se tiver dedos de mais?”
“O problema do Brasil é termos advogados de mais e médicos de menos.”

2. Verbos do M.A.R.I.O.

Os verbos terminados em -iar, são conjugados como fatiar, por exemplo: eu fatio, você fatia, eles fatiam.

Os verbos do M.A.R.I.O., um nome composto com a letra inicial de cada um desses verbos: mediar (e intermediar), ansiar, remediar, incendiar e odiar, são irregulares nas formas em que a sílaba tônica é a do radical. Por exemplo: eu odeio, você incendeia, eles anseiam.

Mas veja que, nas formas em que a sílaba tônica não está no radical do verbo, quando ocorre em outra sílaba, eles se tornam regulares como o verbo fatiar, que vimos anteriormente. Assim: eles fatiaram, odiaram e incendiaram. Nossa!

3. Em cima e embaixo

É uma confusão comum: qual deles é junto? Porque todos sabem que um deles é separado, composto por duas palavras.

Sem explicações que datem de outra era, vamos simplificar: Faça um V de vitória com os dedos indicador e médio. Fácil de ler, em cima os dedos ficam separados e embaixo ficam juntos. Certo?

4. Eu e tu não podem ser objeto da ação

Lembra-se da aula de português quando o professor ensinava: sujeito, verbo e complementos (e aí entram objetos direto e indireto)?

Simplificando, só pode haver uma conversa entre mim (correspondente a EU) e você (que seria TI ou VOCÊ, que é  informal), ou entre você e mim. Caso contrário, não haverá conversa! Em resumo, EU e TU podemos ser apenas sujeitos.

5. Sujeito de verbo no infinitivo

É, parece simples e é, de verdade. Não pode haver contração de preposição com sujeito de verbo no infinitivo. Explico: “Chegou a hora de a onça beber água.” Não pode ser da porque existe o verbo beber, cujo sujeito é a onça. Outro exemplo: “Chegou a hora de essa gente bronzeada mostrar seu valor.” Essa gente é sujeito de mostrar. “Dessa gente” é uma licença poética.

Então, por exemplo: Chegou a hora dele. Não há nenhum verbo após dele, mas se tivesse? Chegou a hora de ele sair de casa. Percebe a diferença?

6. As horas

A regra básica é esta: até completar dois o verbo permanece no singular. Portanto, “É uma e cinquenta e nove (minutos)”, depois: “São duas e um (minuto).”

Mas temos meio-dia e meia-noite, e uma outra meia que representa a hora. Então, “É meio-dia e meia (hora)”, se fosse meio seria redundante, não é? “É meia-noite e dez” e depois continua até “cinquenta e nove”. “É uma e cinquenta e nove”. Depois, “São duas horas e um minuto”. Simples.

7. TER e HAVER, usados com particípio regular (terminado em -ado, -ido), e SER e ESTAR, com particípio irregular

Como? Essa distinção é somente para os casos em que as duas formas de particípio são registradas.

“A carta foi escrita (irregular) por mim.” – Não há registro de escrevido.
Tenho escrito (irregular) cartas para meus avós” – A mesma coisa.

Os quatro verbos quando são usados como auxiliares, isto é, seguidos de outro verbo, esse último fica no particípio regular, com ter e haver, e irregular, com ser e estar. Por exemplo:
“A última parcela do carro foi paga ontem” – irregular.
“Eu tenho pagado todas as contas!” – regular.

Sabido, emprestado, crescido, há apenas o particípio regular para estes verbos. Mas não invente, por exemplo: trazido por trago (trago só em cigarro, mas não faz bem à saúde).

8. Xérox ou xerox na língua portuguesa?

Fotocópia, aliás, em bom português. O nome Xerox é marca registrada que designa o equipamento, mas a pronúncia que vem se tornando a mais comum é xerox, sem acento (oxítona). Mas se você costuma dizer xérox (paroxítona), deverá escrever com acento.

9. Bem-me-quer, malmequer

Você está apaixonada, pega uma margarida e começa: bem-me-quer, malmequer, bem-me-quer, malmequer, bem-me-quer, malmequer… até a última pétala, coitada da flor. Falando não se nota, mas se parar para escrever você percebe: uma expressão é escrita com hífens e a outra é uma única palavra.

Bem-me-quer não daria certo como uma só palavra, pois as duas letras emes entrariam em conflito. Se um é escrito separadamente, o outro também deveria ser, não é? Conforme-se, mas ele ama você!

10. Despercebido e desapercebido

As duas palavras existem, mas não significam a mesma coisa. Por partes, desapercebido significa desprovido, desguarnecido. Por exemplo: “Ele estava desapercebido de recursos e provisões.”

Despercebido significa não percebido, que não foi notado. Exemplo: “Minha atitude não passou despercebida à turma.”

No Dicionário Aurélio, a palavra desapercebido é aceita como sinônimo de não percebido, não observado, despercebido. Isto é, “evolução desapercebida aos cientistas” e “a picada de inseto passou desapercebida.”

 

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