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Publicado em: 18 de janeiro de 2020

Amor entre irmãs

Depois que eu já tinha perdido todas, minha irmã veio para me dar mais esperanças.

Imagem: Liderina/iStock

Pois então aconteceu.

22 anos depois, quando eu já tinha pelos pubianos, estava me formando em Jornalismo e acabado de engatar um namoro, ela veio.

Depois de pedir incansáveis vezes para os meus pais.

Ela veio fruto do segundo casamento do meu pai.

22 anos depois eu estava na maternidade vendo aquela coisinha pequena com cara de joelho.

Era minha irmã Sofia.

Minha.

Finalmente.

Irmã.

Minha!

Mi-nha.

O amor que eu senti foi maior do que as prestações que paguei quando comprei um computador.

Foi o maior amor do mundo, como se aquele serzinho tivesse saído de dentro do meu próprio ventre.

Mas ainda bem que não foi.

E, então, me perguntei várias vezes por que irmãos brigam?

Por que existem desentendimentos tão grandes? Que duram a vida toda?

Não eram pra se amar?

Claro, falo isso porque sou 22 anos mais velha, nunca tive que dividir roupa e nem brigar pra saber quem comeria o último pedaço de bolo – seria eu, claro.

Mas é que o amor que eu senti foi tão puro que não tive como entender.

E então, esse último final de semana, estávamos em Búzios, na região dos lagos do Rio de Janeiro.

Estávamos na praia e Sofia estava emburradinha porque não queria estar.

Todos os adultos estavam no mar.

Digo “adultos” porque eu estava na areia com ela.

E ela se enrolou em uma toalha com seus óculos de sol e um boné e veio sentar no meu colo.

Acho que pari um gorila de felicidade, eu sempre tenho momentos de êxtase quando ela faz esses pequenos gestos. É normal?

E acho que Deus tocou no meu coração.

Alguma coisa aconteceu ali.

Eu disse pra ela “Sabia que você é o meu amor? E que eu sou muito feliz de ter você na minha vida? Eu quero que você seja muito feliz e sempre conte comigo”.

Ela, no auge dos seus 4 anos, muito sabiamente ficou calada e fez a Nefertiti olhando o horizonte.

Não respondeu, provavelmente se perguntando cadê o picolé que não passava nunca.

Então ela saiu do meu colo e começou a brincar comigo ali mesmo na areia.

Logo depois, estava rindo dentro do mar e não queria mais ir embora.

Qual foi a mágica que aconteceu? A química do amor transcendental?

Eu amo minha irmã como se ela fosse minha filha, e se eu pudesse dar um conselho, ame seus irmãos assim, como filhos.

Ligue, beije, abrace porque o tempo passa, e a minha irmã provavelmente nunca vai lembrar dessas palavras que eu disse.

Mas do sorvete de brigadeiro que comeu depois, sim.

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.

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