Fico muito feliz de ver pessoas comuns, como eu e você – e não apenas a Beyoncé – praticando o amor-próprio.

Talvez nem pra Beyoncé seja fácil, aliás.

Quiçá ela também pense que é gorda às duas da manhã.

Ou que não é amada o suficiente, vai saber.

Deve ser bem pior pra ela, eu imagino.

Imagina você estar se sentindo feia em uma roupa e ainda assim ter que tirar fotos pra capa de uma revista?

Retiro o que disse sobre ela.

Talvez ela seja tão mundana quanto nós, meros mortais que trabalhamos das 8h às 18h.

Mas fico feliz que, após séculos de mulheres atendendo às expectativas da sociedade, que após décadas vendo na TV qual é o corpo ideal, a gente esteja se amando mais.

Amar a si mesmo não é uma tarefa fácil.  

E acho que hoje existe um pouco de obrigação nesta tarefa.

“Como assim você está falando com ele? Tem que se amar mais!”

“Se respeite! E se valorize!”

Se o ato de se valorizar fosse tão fácil quanto abrir um pacote de biscoito e comer, eu seria a pessoa que mais me amaria no mundo.

(Eu amo Negresco, a propósito!)

A valorização própria não vem da noite pro dia, é algo construído de dentro pra fora.

Como uma espinha interna.

Você sente que ela está ali, mas não consegue espremer.

E quando espreme, deixa uma marca.

Neste caso, uma marca de superação.

Não sei se isso fez sentido, mas vocês entenderam, né?

Escorregamos muitas vezes neste processo.

A gente se humilha diversas vezes.

Não sabe a hora de parar.  

Fatalmente, você vai gostar mais de alguém do que de si mesmo.

Até quando a gente pode ir por alguém, afinal?

São muitas questões.

Se amar vem com o tempo, vem com a ajuda de amigos, com a ajuda de familiares e – por que não? – com a ajuda de terapia também.

O próprio valor não se ensina em colégio, mas deveria, e talvez fosse muito mais útil do que física quântica.

Só assim a gente se liberta de padrões e a gente pode fazer – literalmente – o que quiser da nossa vida.

Mas até chegar lá, você ainda vai se entregar pra pessoas erradas, confiar em pessoas erradas e talvez até ser a pessoa errada na hora errada.

Ninguém tem culpa, tá tudo bem.

Tá-tudo-bem.

Vai lá comer um brigadeiro pra ficar feliz.

Se tudo fosse fácil, a vida seria um eterno Roda a Roda Jequiti.

(Me chama, Silvio!)

Você vai saber quando estiver se amando, nada será mais tão difícil.

Ou até será – no meu caso, é! –, mas você vai sentir quando estiver fazendo a escolha mais certa de todas: você mesmo.

E então, já se amou hoje?

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.