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Certo dia, encontrei com Alessandra, uma aluna da academia, na feira. Ela estava andando com muita dificuldade e fui perguntar o que havia acontecido. Alessandra me disse que no dia anterior havia mudado seu programa de musculação na academia e estava com muitas dores musculares. Ela me perguntou se poderia fazer alguma coisa e se isso sempre acontece. Como eu havia feito um treino longo de corrida e precisava me hidratar, fomos beber um caldo de cana e conversar com calma.

Alessandra treina regularmente e tem bons níveis de força e um bom condicionamento. Eu a conheço há dois anos e sei que é uma aluna dedicada e regular. Todavia mesmo pessoas bem condicionadas podem sofrer quando trocam de programas. 

Acontece que quando há mudança de programa, os músculos recebem um outro tipo de estímulo. Por mais que eles tenham bons níveis de força, serão adaptações diferentes e que muitas vezes resultam em dor (a famosa dor muscular tardia).

A duração e intensidade da dor depende de alguns fatores, tais como:

  • condicionamento;
  • número de exercícios;
  • carga;
  • atividade que a pessoa faz depois do treino.

Exercícios de baixa intensidade podem ajudar

Sugeri a Alessandra que realizasse alguns exercícios em baixa intensidade para que os músculos recebessem sangue e expliquei que isso resultaria num alívio de suas dores. Ela me perguntou se poderia tomar algum remédio. Expliquei que professores de educação física e remédios não costumam ter uma relação muito amigável e que no que dependesse de mim, eles sempre seriam evitados.

Acontece que um remédio poderia interferir no mecanismo fisiológico de adaptação e poderia prejudicar a regeneração das fibras musculares. Sei que sentir dor não é legal, mas seria importante que ela resistisse e garanti a ela que as dores iriam sumir dentro de algumas horas. 

Dois dias depois encontrei com Alessandra na academia e ela estava bem. Ela me disse que no dia seguinte ao nosso encontro, fez alguns exercícios leves com os equipamentos que tem em casa e que sentiu-se bem melhor. Fiquei feliz e expliquei para ela que quando for mudar novamente de programa, será importante realizar todas as séries e repetições, com um tempo maior de intervalo, realizar um bom aquecimento e não se preocupar com a carga. 

Leia também: Entenda por que a especificidade é importante no aquecimento

Num programa novo, a ênfase precisa ser o padrão de movimento e a adaptação da pessoa aos novos exercícios. O padrão de movimento precisa sempre ser bastante explicado para que os movimentos sejam realizados na maneira correta, evitando lesões.

Não se deve realizar 100% do programa novo e é preciso moderar na carga. Já vi casos de pessoas não conseguirem levantar da cama depois de terem alterado o programa. As dores musculares fazem parte do processo, mas podem ser consideravelmente minimizadas com alguns cuidados.


Atenção: na próxima vez que for alterar seu programa na academia, converse com seu professor sobre as dores musculares que costumam acontecer e faça os exercícios com moderação para que as dores não virem um sofrimento. Atividade física é prazer e não sofrimento.