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Publicado em: 27 de março de 2021

Eu não sou neta das bruxas

Elas não usam varinha, não fazem poção e nem falam com mortos. Por que eu acreditaria?

Imagem: duh84/iStock

Gente, vamos falar a verdade.

Eu não sou neta das bruxas que tentaram matar.

Eu não sei nem saber quando eu tô com fome.

Pra mim é sempre uma dúvida.

Por isso, estou comendo sempre.

Evita a fadiga.

Eu não sou neta das bruxas.

Minha avó fazia salada de fruta com sorvete de creme.

A outra me ajudava nas lições de francês.

Pelo amor de Deus.

Eu sou sensível quando assisto Bambi e quando a minha irmã me olha e sorri banguela.

Embora eu adore dizer que tenho sexto sentido, ele tá sempre errado.

Intuição? Só sobre o clima.

Segundo a minha intuição, amanhã faz sol e calor no Rio.

E olha que eu nem olhei na previsão.

Se eu estiver errada, falo que os meus guias sopraram errado.

Quem nunca errou, né?

E assim, vou me enganando, mas preciso afirmar com certeza que eu não sou neta das bruxas.

Caramba!

Uma avó minha joga tarô espanhol.

A mesma que me ensina com francês.

Percebe-se que ela tem facilidade com línguas, mas pergunta se ela já conversou com anjos?

Nunca. Nunquinha.

Bruxa não é.

Uma vez, ela jogou o tarô pra mim e apareceu um príncipe em um cavalo branco.

Uns (bons) anos depois, me apareceu um sapo em um Ônix vermelho.

Tá que depois ele até virou príncipe. Tenho que concordar.

Mas tenha dó.

Sensibilidade, sensações, intuições, vassouras que voam.

Não acredito em nada disso.

Tudo porque não fui aceita em Hogwarts, claro.

E nenhuma das minhas avós interferiu por mim dizendo que era bruxa.

Não venham me enganar dizendo que sou neta das bruxas, não.

Nessa eu não caio.

Nem vultos elas veem, não fazem poção, não têm uma cura milagrosa com as mãos.

A única coisa mais bruxa que faço é falar com o meu cachorro.

E ele me entende.

Sejamos realistas, ok?

Minhas avós comiam churrasco.

Acho que sou neta das famintas.

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.

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