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Publicado em: 24 de outubro de 2020

Gordinhas fazem pole dance

Gordinhas fazem pole dance e eu só aprendi isso porque fui a primeira que eu conheço a fazer aula.

Imagem: Vector graphic artist/iStock

Gordinhas fazem pole dance, sabia?

Eu não sabia, até entrar para a aula.

Fui a primeira gordinha que eu conheço a fazer pole dance.

Quando cheguei lá, vi que tinham mais meninas como eu.

Melhores do que eu porque fazem há bem mais tempo, claro.

Estou fazendo aulas de pole dance há aproximadamente um mês.

A pior parte é, claro, o aquecimento.

Minhas pernas tremem mais do que quando eu subo 3 lances de escada e quase morro do coração.

Agachamento na meia ponta, alongamento das pernas – que eu só subo fazendo um ângulo de 60 graus aproximadamente.

Tudo no começo é humilhante, eu sei.

Me sinto pagando prenda no programa do Luciano Huck pra ganhar meu carro reformado.  

A ultima vez que me senti tão impotente foi quando não consegui abrir um vidro de palmito.

Descobri que não tenho força no braço como pensei que tivesse.

Eu tento olhar para a barra de pole dance como se fosse o penhasco que eu tivesse que agarrar para me salvar de crocodilos famintos.

Ou o último pedaço de Kit Kat do pacotinho.

Ao agarrar a barra, vejo que fracasso e não tenho forças.

Escorrego até o chão igual um quiabo refogado.

Nas coreografias eu mando bem.

Me sinto a própria bailarina do Faustão.

Com um toque sensual próprio de uma fã da Beyoncé.

O pole dance me faz enxergar que eu tenho celulite sim.

Estrias? Muitas.

Minha asa de gordura nas costas dão quase pra me carregar como duas alças de bolsa.

Mas gordinhas fazem pole dance, afinal.

Eu faço para me sentir bonita e porque eu gosto de mim, de como eu sou.

E apesar de não ter forças no braço ainda,

Não ter alongamento e flexibilidade ainda,

Eu me acho lindona escorregando feito um quiabo.

Refogadinho até que desce bem, né?

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.

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