Qual o problema de ser um alienado de vez em quando?

Confesso que, durante a quarentena, tenho sido mais alienada do que nunca.

A vida já é muito complicada pra ficar acompanhando a alta do dólar.

Quem saiu do ministério, quem entrou no ministério.

Quantos mortos por Covid, quantos infectados por Covid.

Só gosto de ver o número de recuperados de Covid.

Me faz um bem danado.

Sinto que estamos cada vez mais perto de um colapso coletivo.

Então, decidi: vou ser alienada.

Neste processo, vejo minha pele quase esverdeada, como se meus amigos terráqueos pudessem, a qualquer momento, virem me resgatar.

Não seria má ideia, viu.

Sendo uma alienada, não preciso saber de tudo, não preciso dar opinião sobre o que não sei.

Os alienados são felizes.

Não precisamos ter razão.

Se bem que eu odeio estar errada.

Mas isso é conversa para um outro momento.

Ser alienado hoje é uma questão de saúde mental.

É ler só notícia boa.

É desligar a TV.

Melhor ser alienada do que estar sempre discutindo e se estressando com… Alienados.

Por isso, sou uma alienada quieta.

Jogo meus jogos sozinha e ninguém precisa saber que como gelatina com salada de fruta.

Ops, soltei.

Não posso, tenho dermatite até na sobrancelha.

Sou tipo alienada amorosa, sabe?

Que gosta de abraçar – apesar de que agora não pode nem falar perto.

Gosto de dizer que gosto.

Se alguém reclama, eu chamo pra tomar um sorvete pro outro ficar feliz.

Porque esse é o meu jeito de, mesmo alienada, ser útil pra vida dos outros.

No Facebook, só compartilho vídeo de gatinhos filhotes, crianças com cachorrinhos fofinhos e receitas de brownie.

Então, quando estiver se sentindo estressado com tudo que está acontecendo, guarda a sua opinião pra você.

E faz um favor a você mesmo: seja um alienado.

E sai (de máscara) pra tomar um sorvete.

Ser feliz em tempos sombrios é privilégio.

Estou quase lá, meu nível de alienação está em 90%.

Opa, uma receita de brownie!

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.