Hoje estou apreciando o ato de chorar.

Pode parecer algo triste de dizer, mas eu acho divertido.

Porque depois de chorar, eu sorrio o dobro.

Meu coração vira saquinho de Cosme e Damião. Doce, doce.

Hoje, chorei na terapia.

Chorar na terapia – além de em casa – também é maravilhoso e muito nobre.

Chorei o equivalente a 3 dias garoando em São Paulo.

Chorar é algo libertador, e não frágil.

Os que choram são os fortes.

A minha choradeira poderia encher meia piscina olímpica para crianças carentes em São Gonçalo.

Junta eu e a Salete, de Mulheres Apaixonadas, dá uma piscina inteira.

Às vezes, a gente não precisa estar triste pra chorar.

Eu, por exemplo, choro vendo cachorrinho atravessando a rua.

Choro vendo senhorinhas com roupinha combinando.

Me emociono vendo flores nascendo, bebês nascendo, amores nascendo.

Choro ouvindo Como Nossos Pais na voz da Elis Regina.

Assim como choro ouvindo pagode.

“É você, eu seeeei, a pessoa certa, e não mais ninguéeeem…”

Choro ouvindo o rei Arlindo Cruz dizendo “Chegamos ao fiiim, tá doendo siiiim, eu chego a perder a voooooooz…”

Chorar é algo natural e intrínseco do ser humano, assim como dormir, comer, ir ao banheiro e sentir dor antes de levar uma injeção.

Uma vez, fui conversar com uma amiga sobre o namoro dela que tinha terminado e… chorei.

Ela não entendeu nada, já tinha superado.

Eu fiquei com a cabeça vermelha parecendo um palito de fósforo de tão triste que estava pelo fim do namoro dos dois.

Vi essa mesma amiga em sua formatura pegando o canudo, gritei seu nome e desejei sucesso.

Chorei também.

Acho que sou facilmente emocionável.

Com filmes nem se fala.

Evito assistir qualquer um que tenha lição de vida porque é choro na certa.

Prefiro algum do Denzel Washington.

Mas se ele chorar, complica pro meu lado.

Choro de felicidade, de emoção e quando estou irritada porque estou com fome.

De tristeza, poucas vezes.

Precisamos normalizar o ato de chorar.

Depois da tempestade não vem o sol?!

Então, depois do choro vem o riso.

Hoje, comprei um chocolate pra me afagar.

Portanto, mato dois problemas juntos: o da tristeza e o da fome.

O chocolate me envolve como um grande urso panda, macio e quentinho.

Vou chorar pra ver se emagrece.  

Mas a melhor coisa da vida é quando a gente chora… de tanto rir!

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.